Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo, em 26 de outubro de 2008. Paul Kennedy, historiado britânico, professor de Yale e autor do livro Ascensão e Queda das Grandes Potências. Para o historiador, a crise é a prova de que a era do unilateralismo acabou.
Paul – Há mudanças no equilíbrio de forças globais. Após 20 anos, estou sendo questionado sobre se estamos vendo o fim do período unipolar, de dominação americana, inaugurando com o colapso da União Soviética. Se pensarmos em poder militar, a mudança é pequena. Hoje os EUA respondem por 51% dos gastos de defesa globais, embora suas forças tenham vulnerabilidades – como lidar com o terrorismo e guerra assimétrica. No campo econômico, há uma alteração mais significativa. Depois da Segunda Guerra os EUA tinham 50% do PIB mundial. Hoje tem 20%. A Europa responde pela mesma porcentagem e a China, por 15%. E as previsões de crescimento da Ásia são maiores. Há uma necessidade maior de cooperação na área econômica e financeira que ficou evidente com a crise – o Fed não podia lidar com o problema sozinho porque ele tornou-se global. Todos os bancos centrais agiram. Além disso, também houve uma redução significativa do poder ideológico dos EUA. Pesquisas mostraram que a imagem do país nunca esteve tão ruim no mundo.



