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Na Era não-polar, EUA não podem mais ser sozinhos

25 fev

Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, em 12 de maio de 2008. Richard Haass, presidente do Council of Foreign Relations, de Nova York, autor do livro The Opportunity: America’s Moment to Alter History’s Course, para qual, o mundo caminha para um novo momento de divisão de poder e participação maior de instituições não-estatais.

 

Haass – Era inevitável que alguns Estados ficassem mais eficientes e produtivos e, conforme isso aconteceu, esses Estados acumulassem muita riqueza. Estamos vendo isso acontecer na Índia, China e no Brasil. Com o tempo, a força econômica acaba sendo traduzida para outras formas de poder de influência. Isso é o primeiro fator. O segundo é a globalização, que dilui e enfraquece o poder de algumas nações, pois, por conta dela há muitos aspectos do mundo que os países não podem controlar. Ela torna possível que os atores não-estatais tenham mais acessos e recursos, o que tanto reflete quanto contribui para a não polaridade. Por último, os EUA aceleraram o surgimento dessa nova era da história por conta de alguns erros que cometeram em suas políticas interna e externa. A decisão de ir à guerra, a falta de compreensão da política energética, o gerenciamento da economia do país, todos esses problemas se juntaram e viraram um grande problema que enfraqueceu o país. Assim, foi a combinação de problemas estruturais, históricos e políticos levou o país e o mundo a essa nova era.

 

Haass – Países como o Brasil terão cada vez mais importância nesse novo mundo. Não são mais potências regionais, mas globais. O Brasil, por exemplo, será central na hora de resolver o problema das mudanças climáticas e na questão do comércio exterior. Será fundamental nas ações para promover a ordem da América Latina. É o país potencialmente mais importante como primeiro parceiro dos EUA na questão de construir instituições regionais e agir em respostas rápidas aos desafios locais.

 

Haass – É uma questão interessante. Existem atores não-estatais muito importantes na questão das relações internacionais, como Al Qaeda. É um ator significativo no mundo do terrorismo e por isso requer esforços de segurança. Mas a autoridade de negócios de Abu Dhabi é cada vez mais um ator significativo no mundo dos investimentos, por exemplo. Uma organização como a Fundação Gates é um ator significativo na saúde pública. Os atores não-estatais tendem a ter um papel limitado a apenas um aspecto as relações internacionais, mas, dentro dele, podem ser extraordinariamente importantes.

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Publicado por em 25/02/2009 em Uncategorized

 

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