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Pesquisa eleitoral, interpretando os resultados

26 fev

 

Frequentemente os usuários de pesquisa acabam se concentrando apenas em quem está na frente, esquecendo-se de analisar os resultados pelos vários segmentos da população. Também com freqüência verifica-se a leitura invertida de percentagens verticais e horizontais. As percentagens verticais totalizam 100% nas colunas das tabelas (variáveis independentes) e as percentagens horizontais totalizam 100% nas linhas (variáveis dependentes). Normalmente os resultados das pesquisas são apresentados em percentagens verticais e não horizontais, mas a forma como são divulgadas parece estar se referindo às percentagens horizontais, ou seja, parece estar se referindo ao perfil das pessoas que citaram determinada resposta e não a citação que a alternativa obteve dentro de determinado segmento. Um erro bastante comum na leitura dos dados de uma pesquisa é interpretar tendência de subida ou queda de determinada categoria a partir de diferenças mínimas no resultado, que não caracterizam estatisticamente uma tendência. Só é possível chegar à conclusão que uma categoria está crescendo ou caindo, se houver, pelo menos cinco pontos consecutivos de aferição, com pelo menos três deles seguindo na mesma direção.

 

Exemplo, o candidato do PSDB obteve 32% na primeira rodada, 30% na segunda, 31% na terceira, 28% na quarta e 31% na última rodada. Não existe tendência de crescimento ou queda para o candidato do PSDB, pois as oscilações dos resultados estão dentro das margens de erro das pesquisas.

 

Exemplo, o candidato do DEM obteve 32% na primeira rodada, 33% na segunda, 34% na terceira, 36% na quarta e 38% na última rodada. Mesmo às diferenças estando dentro das margens de erro das pesquisas, neste caso, estaria diagnosticada uma tendência de crescimento desse candidato.

 

Assim, para se dizer ou escrever que determinada categoria cresceu ou caiu sem errar, é preciso analisar a evolução do seu desempenho dentro de uma série de pesquisas e não somente comparar, isoladamente, a pesquisa atual em relação à anterior. Outra informação que merece ser entendida é a diferença entre o zero “absoluto” e o “zero relativo”, zero absoluto é igual a nenhuma citação, enquanto que o relativo é igual a citações inferiores a 1%. Os resultados também podem não totalizar 100% das respostas. Isto ocorre devido a arredondamentos matemáticos e não a erros. É muito comum em pesquisas com 400 entrevistas encontrar tabelas que totalizam 98% ou até 102%.

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Publicado por em 26/02/2009 em Uncategorized

 

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