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A modelização do anúncio publicitário impresso pelo design de produto

02 mar

Hoje, grande parte da produção publicitária impressa brasileira se distingue por um traço comunicativo central: a transformação dos papéis que tanto o meio quanto a mídia revista exercem no processo comunicativo. Nas peças em que esta mudança de funções torna-se patente, é possível reconhecer um arranjo sígnico muito específico, pautado pela utilização do suporte como elemento constitutivo do anúncio. Nesses casos, o impresso deixa de funcionar como uma mera base material para a inscrição de mensagens e passa a subsistir também como signo. A diversidade do modo como estas estruturas textuais se configuram, apesar do uso diferenciado do suporte que as distingue, inviabiliza o estabelecimento de uma organização única que abarque a totalidade destas produções. No entanto, o conjunto das peças publicitárias caracterizadas por este traço compositivo aponta para um devir, no qual observa-se a tendência à formação de unidades cada vez mais complexas, ou seja, os anúncios tendem a abranger uma maior quantidade de elementos e a estabelecer uma maior diversidade de relações. Uma das formas expressivas que melhor exemplificam esta complexidade, ao nosso ver, refere-se à transformação do meio revista, como um todo, num anúncio. Este uso, ainda restrito, nos oferece uma série de indicativos para delinearmos algumas mudanças significativas ocorridas na produção publicitária impressa brasileira nos últimos anos.

 

Um indicativo para encaminharmos esta discussão pode ser vislumbrado no anúncio do cartão de crédito Visa, veiculado em maio de 2005 numa edição especial da revista Veja São Paulo, sobre os produtos de luxo direcionados para consumidores de alto poder aquisitivo. O anúncio possui um elemento compositivo que se destaca dos demais: duas pontas de uma fita de cetim ama rela que se prolongam para fora da revista, de modo que uma delas se situa na primeira contra-capa, e a outra na segunda contracapa. Ao virar a capa revista, há a primeira peça da campanha, composta pela foto de uma caixa embrulhada para presente que ocupa a contra-capa e a primeira página, e, sobreposta a elas, há a fita que atravessa todo o anúncio e cujas pontas são projetadas para fora das folhas. Na página ímpar, sobre a fita, há a seguinte frase “O que é luxo?” Dando continuidade à campanha, ao longo da revista, foram inseridas quatro outras peças, também elaboradas em página dupla (com exceção da última), que buscam responder a pergunta realizada no primeiro anúncio da série. Todas elas possuem a mesma estrutura compositiva: mostram pessoas felizes em situações agradáveis e, ao longo das peças, há a fita de cetim que “corta” horizontalmente o centro de ambas as páginas e, sobreposta a ela, há a inserção de frases curtas que buscam responder a questão inicial. São elas: “Luxo é ser o que você é.”; “Luxo é saber que o único compromisso inadiável é com quem você ama.”; “Luxo é saber que não adianta ter tudo, se você não tiver tempo para aproveitar.”; “Luxo é ser criança. Aos 30, aos 50, aos 80.”; “Luxo é não esperar o amanhã. Nem ficar parado no ontem.”; “Luxo é ser feliz”. A penúltima inserção ocupa a segunda contra-capa e a página final, e a última peça localiza-se na quarta capa. Em todas elas, com exceção do primeiro anúncio da série, no canto inferior direito da página ímpar, há o logo da empresa anunciante e o slogan “Porque a vida é agora”.

 

Maiores informações: Trabalho apresentado no NP 15-Semiótica da Comunicação no VI Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom. Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa Doutoranda no PEPG em Comunicação e Semiótica, Vice-coordenadora do curso de Comunicação- Social- habilitação Publicidade e Propaganda na PUC/SP e professora de Redação Publicitária no curso de Comunicação- Social- habilitação Publicidade e Propaganda na PUC/SP.

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Publicado por em 02/03/2009 em Uncategorized

 

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