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Parceria PSDB-PT

02 mar

Entrevista do cientista político André Singer, publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, é professor do Departamento de Ciência Política da USP, diz que PMD será o fiel da balança entre PSDB e PT, pois sempre se inclina para o favorito.

 

André Singer – Existe uma consolidação do PT como o partido do proletariado, e do PSDB enquanto partido da classe média. Esse é um alinhamento de natureza social que envolve aspectos ideológicos da maior importância, e que se revelou melhor na eleição de 2008, que, por ser local, não é puxada por candidatos nacionais. Ficou mais claro o perfil dos partidos. O PT esta se consolidando como um partido proletariado. Se você olha para a Grande São Paulo, o PT perde na capital, que é um distrito eleitoral predominantemente de classe média, mas ganha na maioria das cidades do cinturão proletário de SP – São Bernardo, Diadema, Osasco, Guarulhos. No Rio Grande do Sul, o PT perdeu em Porto Alegre, mas ganhou em Canoas; no Rio o partido teve pouca expressão na capital, mas ganhou em Nova Iguaçu, Belford Roxo; em Minas, não disputou diretamente em BH, mas ganhou em Betim e Contagem. Já o PSDB vai bem em Franca e São José dos campos, que tem uma classe média forte. A grande capital do PSDB foi Curitiba, típica cidade de classe média. A vitória dos Democratas em SP também uma vitória do PSDB. Formalmente é uma dos Democratas, porque Serra fez uma costura política muito arriscada que acabou dando certo e que colocou os Democratas como partido auxiliar do PSDB e particularmente de candidatura à Presidência.

 

André Singer – O PMDB é o que a gente poderia chamar de um partido de classe política. O PMDB tem características muito adequadas para abrigar lideranças políticas locais, pois tem a flexibilidade para que essas lideranças possam negociar posições junto ao governo federal. Essa é uma forma que liga eleições municipais às eleições federais e que faz com que lideranças locais que orbitam em torno do centro, mas que podem se deslocar para a esquerda, encontrem legenda nacional que as permita estar em posições diferentes de acordo com as tendências do país. Isso significa que o PMDB, ao contrário do que se tem dito, não é o fiel da balança: ele é o termômetro. O PMDB vai se inclinar para onde o vento estiver soprando. Pouco provavelmente o PMDB estará unido em qualquer das circunstâncias, como já não está unido hoje. O PMDB de São Paulo está com Serra, e o PMDB do Rio com Lula.

 

André Singer – Uma vitória do jogo eleitoral. É que houve uma migração para o PMDB à medida que o partido se alinhou ao governo Lula. O enfraquecimento dos Democratas tem a ver com isso: é que uma parte de sua base migrou para o PMDB porque este se revelou uma legenda mais confortável, porque pode oscilar entre quem está no poder. Isso faz com que o PMDB não tenha uma característica definida, nem ideológica nem social. É diferente do caso dos Democratas, uma legenda que procura se caracterizar ideologicamente: tem uma postura de centro-direita. Essa postura perdeu espaço, e o Democratas está transitando de um partido grande para um partido médio.

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Publicado por em 02/03/2009 em Uncategorized

 

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