RSS

Consumo delirante

14 abr

Em tempos de crise, nada mais natural do que o assunto consumo se tornar recorrente em todas as rodas de conversa e no noticiário. Para reforçar esse fato, chega nesta semana nos cinemas em todo o Brasil o filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”.

Antes mesmo da estréia, a película já pode ser considerada um sucesso. Não somente pelos 15 milhões de livros vendidos em todo o mundo relacionados à saga da personagem Rebecca Bloomwood, mas devido à percepção brilhante da escritora britânica Sophie Kinsella. Até o momento, já são cinco os livros da autora publicados sobre um tema tão presente no cotidiano do século XXI: comportamentos de consumo, consumo compulsivo, compras por impulso, endividamento.

Originalmente Becky Bloom é britânica e a grande maioria das suas aventuras se passa em Londres. Mas, para o filme, que teve o privilégio de contratar a consultoria da própria autora da estória original que esteve presente em muitos momentos nos sets de filmagem, tudo acontece em Nova Iorque, com algumas cenas rodadas em Miami e em Connecticut.

Mas, para quem é antenado em assuntos de consumo, e em especial em consumo de moda, o filme oferece vários momentos inesquecíveis, onde ambientes reais viram cenários, como a famosa loja da marca italiana Prada no Bal Harbour, em Miami ou as vitrines de marcas de luxo em Nova Iorque.

Não se pode esquecer ainda que os figurinos do filme dão vida a cada um dos personagens por meio do talento da premiada Patricia Field, que tem no currículo produções como O Diabo Veste Prada e Sex and the City. Por si só, o guarda-roupa de Becky Bloom é uma atração à parte, na medida que combinações modernas e inusitadas de roupas e acessórios de Balenciaga, Marc Jacobs, Christian Louboutin, Zac Posen, Miu Miu, Salvatore Ferragamo, Prada, Todd Oldham, Gucci, Christian Dior e Alexander McQueen, dentre outros, desfilam na telona cena a cena.

Retornando ao enredo, a moral da estória, segundo Sophie Kinsella, intencionava proporcionar uma reflexão a respeito do consumismo desenfreado dos tempos atuais com uma certa dose de divertimento. Para quem tem a oportunidade de ler os livros “Delírios de Consumo de Becky Bloom” e “Becky Bloom – Delírios de Consumo na 5ª. Avenida”, os quais deram origem ao roteiro de cinema, percebe que muitas das situações descritas, sofridas ou vexatórias, já foram vivenciadas por alguém muito próximo.

Mas no filme, talvez por ironia do destino, ou do poder dos fenômenos de moda, o expectador sai com a sensação de que lutar contra o vício das compras é quase impossível. Além disso, as tomadas deslumbrantes provocam um certo estímulo para consumir mais, mesmo sem a intenção de destronar “a garota da echarpe verde”.

Coincidências ou não, a intenção de Lauren Weisberger ao escrever o livro “O Diabo Veste Prada” era mostrar os bastidores pouco glamurosos de uma revista que dita moda para todo o mundo. Ao ser transformado em filme, “O Diabo Veste Prada” se tornou um marco referencial para os que trabalham no “mundinho fashion”, e foi um tremendo sucesso de bilheteria e de estímulo a novos bens de consumo de marca. Entretanto, vale lembrar que a beleza plástica do filme e a sua campanha promocional conseguiram pulverizar a reflexão proposta pela autora.

Outro filme que guarda alguma similaridade com Becky Bloom é o Diário de Bridget Jones. Assim como Bridget, Becky é atrapalhada e divertida, para sair de uma enrascada acaba entrando em outra, se apaixona por alguém improvável, consegue ser correspondida, mas não se cura do seu vício original.

Fica a sugestão para o exercício de reflexão sobre o quê, como e porquê consumimos tanto. Certamente seria possível se ter menos, se desapegar mais. E aí, quem sabe os consumidores conscientes de seus atos se tornem os agentes para significativas mudanças no sistema de moda hoje estabelecido?

Não custa nada tentar.

Por Maria Alice Rocha

Anúncios
 
Comentários desativados em Consumo delirante

Publicado por em 14/04/2009 em Uncategorized

 

Tags:

Os comentários estão desativados.

 
%d blogueiros gostam disto: