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COMO O CÉREBRO REAGE DIANTE DO BOMBARDEIO DIGITAL?

23 jul

Os alertas sobre a sobrecarga do cérebro pelo aluvião digital contemporâneo estão se repetindo. Poderíamos dar de ombros e dizer que se trata de alarmismo de luditas (pessoas que se opõem à industrialização ou às novas tecnologias) comum toda vez que a sociedade da informação dá uma guinada, inovando ou acelerando. Ora, quem faz esses alertas não são luditas, mas pesquisadores de universidades importantes. Vamos discutir, a seguir, o estudo de um  do grupo de pesquisadores do Brain and Creativivty Institute, da Universidade do Sul da Califórnia, liderado por Antonio Damásio, e publicado no  Proceedings of the National Academy of Sciences Early Edition.

O objetivo do estudo da Universidade da Califórnia é próximo daquele realizado pelo professor Dilip Jest, na Universidade de São Diego, tratado anteriormente. Em resumo, são essas suas preocupações:

1. Os meios digitais e eletrônicos são mais rápidos do que nossa habilidade de fazer julgamentos morais;

2. Essa sobrecarga levanta questões importantes sobre o que poderá acontecer com os neurônios, já que o mundo digital reduz a experiência plena das emoções;

3. E assim, a rapidez de tecnologia concorre com a lentidão do pensamento e os efeitos digitais acelerados levam a uma desaceleração das reflexões políticas.

O objetivo da pesquisa não se direciona, portanto, a esta ou aquela tecnologia digital, mas a todas em geral. Não se detém na carga específica de um meio, mas ao seu conjunto.  Os resultados não falam sobre os usos e abusos da televisão, do computador, do celular, ou do twitter. Eles tratam do mundo digital em geral, em constante aceleração. Emails, alertas de notícias, atualizações nos twitters, torpedos, navegações ou noticiários. A quantidade e velocidade dos bites começam a entorpecer os neurônios, incapazes de fazer valer sua competência moral, já que ocupa uma parte específica do cérebro.

O cérebro necessita de seis a oito segundos para reagir diante de acontecimentos como guerras, miséria, tiroteios, refugiados, ou seja, diante de histórias de dores ou traumas sociais, mas também de virtudes, ou comportamentos sociais meritórios. Mas o aluvião digital não dá tempo para que os neurônios façam essa “apreciação”. Como se estivessem entorpecidos, não reagem, com respostas adequadas. O cérebro busca alívio detendo-se em algo mais simples, que não provoque estresse ou necessidade de análise. A pesquisa da Universidade da Califórnia mostrou que essa sobrecarga possa estar causando freqüências cada vez maiores de depressão.

John Naish, em uma análise para o Times, de Londres, faz uma analogia interessante sobre essa sobrecarga, dizendo que o fluxo digital assemelha-se a um rompimento de uma barragem:
“Em 2006, o mundo produziu 161 exabites (um exabite é um bilhão de bilhão de bites) de dados digitais, de acordo com o Columbia Journalism Review. Esse número corresponde a três milhões de vezes as informações contidas em todos os livros escritos até hoje. E esse consumo pessoal de dados está crescendo de forma exponencial, pois, no Ocidente, as pessoas continuam ficando em média oito horas por semana diante da televisão, mas o tempo passado online aumentou 24% de 2006 para 2007, conforme um estudo feito pela Compete, um grupo de pesquisas de mercado online”.

Por Coletiva.net/Sérgio Capparelli

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Publicado por em 23/07/2009 em Uncategorized

 

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