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A mulher no Brasil é muito mais otimista do que as de outros países, segundo estudo do Boston Consulting Group.

29 out

A mulher no Brasil é muito mais otimista do que as de outros países, segundo estudo do Boston Consulting Group. Sempre foi assim? Ou a brasileira mudou com o passar dos tempos? Duas especialistas em comportamento feminino dão seus depoimentos sobre como pensavam e agiam as mulheres no país há algumas décadas e comentam os resultados da pesquisa publicados no livro Womern Want More. Leia abaixo o resumo dos depoimentos de Cecília Russo, diretora da Troiano Consultoria de Marcas e autora do livro Vida de Equilibrista, e Clarice Herzog, diretora da Clarice Herzog Associados, sobre o livro de Michael Silverstein, sócio-sênior, e Kate Sayre, sócia do Boston Consulting Group

O estudo mostra que a brasileira está num estágio intermediário quando se fala em carreira, estabilidade financeira, aquisição de bens.

Um dos dados que mostra isso é o otimismo sobre a situação financeira daqui a cinco anos muito acima da média mundial. Ou seja, baseada na situação atual, ela projeta uma melhora importante para o futuro. A brasileira também mostra a prioridade que dá a aquisições. O que ela mais deseja conquistar é bens, como casa e carro. Em segundo lugar, está a carreira.

Para conseguir realizar seus sonhos, ela aposta na educação de forma muito mais forte (87%) que as mulheres no outros países (64%)

Comparando essas informações com o que observamos no exterior, especialmente nos Estados Unidos, podemos concluir que a mulher brasileira ainda está no meio do processo. O que observamos no mercado americano é o retorno da executiva para casa. Ela não quer mais pagar o alto preço por um bom cargo.

A brasileira está mais estressada (55%) que a média mundial (48%), mas isso tem um ponto positivo. A mulher está se dando conta que está sobrecarregada. Admitindo o problema, a próxima etapa é ir atrás de uma solução, que passa por maior flexibilidade no mercado de trabalho e pela busca de um maior equilíbrio na divisão das tarefas domésticas.

A pesquisa mostra que 70% das tarefas domésticas ainda são feitas pela mulher. Quando não é ela quem faz, normalmente é a empregada doméstica. Mas é ela que supervisiona O marido ainda participa pouco.

A brasileira de hoje é diferente da mulher dos anos 70 e 80, porque não precisa mais provar que tem capacidade para estar no mercado de trabalho. Ela já está numa outra fase. Há 30 anos, ela tinha de se afirmar. Hoje, ela vive um momento de questionamento da sua situação. Portanto, ela tem condições de procurar um equilíbrio entre vida profissional e pessoal e de buscar um melhor ambiente de trabalho.

Talvez a falta de resposta do mundo corporativo para essa necessidade da mulher tenha resultado no número crescente de empreendedores. A gente vê muitas mulheres abrindo empresas. Não é à toa que no Brasil mais da metade dos novos empreendimentos serem feitos por mulheres (segundo o Global Entrepreneurship Monitor, da London Business School e do Babson College, 52,4% dos novos empreendimentos no Brasil são de mulheres)

O otimismo das brasileiras (91%) é muito superior ao das mulheres no restante do mundo (71%). Acho que isso ocorre em razão de o brasileiro acreditar que as coisas sempre vão dar certo. É aquele pensamento positivo popular que diz que “no fim, tudo acaba”, no sentido de que tudo dá certo.

A oportunidade para as empresas é bastante grande porque, nessa busca pelo equilíbrio, a mulher está atrás de parceiros, sejam eles o marido, empregados, produtos ou serviços. Ela precisa de quem a ajude a resolver a sobrecarga que têm na jornada doméstica. As marcas que conseguirem ajudá-la de alguma foram terão muita chance de seduzi-la e conquistá-la como cliente.

Em geral, as empresas não estão falando adequadamente com a mulher. Muitas têm um discurso caricato com as consumidoras. Apresentam a mulher-margarina, aquela que é a esposa que serve a mesa do café da manhã; ou a mulher-fumando-charuto, estereótipo da mulher dos anos 80 que se masculinizou para provar que podia ocupar as vagas de trabalho até então exclusivas dos homens.

Além das propagandas que mostram a mulher servil em casa, há aquelas que partem para o extremo oposto e que mostram ela competitiva, brigando por espaço com os colegas homens. Esse é um discurso ultrapassado. Não deveríamos mais falar da competição entre os sexos. Poucas empresas já entenderam isso.

A comunicação da Natura, uma empresa citada no estudo, tem um trunfo importante. Ela trabalha com a imagem de consultoras e consumidoras reais. Essa estratégia traz realidade e um traço aspiracional.

A conquista do espaço da mulher no mercado de trabalho, na sociedade e na família pode ser visto nos resultados desse estudo.

As principais diferenças da mulher de hoje para a brasileira de 30, 40 anos atrás são a postura de vencedora e a consequente melhora da auto-estima. Ela está mais forte, acredita mais em si. Ela consegue fazer coisas que antigamente não eram possíveis, como desistir de um casamento.

Ela é uma batalhadora e acredita nas mulheres: 86% das brasileiras afirmam que terão ganhos econômicos, profissionais e educacionais no futuro. Os homens que se cuidem.

O dado que mostra que 91% das entrevistadas estão otimistas sobre seu futuro financeiro é resultado dessa maior confiança da mulher em si mesma. Claro, também tem a ver com o fato de o brasileiro ser um povo esperançoso. Mas, o principal motivo é o fato de ela estar trabalhando, estudando, cuidando da casa, da família, enfim, cumprindo toda sua rotina multifuncional.

Outro dado que comprova isso é o otimismo da brasileira sobre sua comunidade, seu país: está em 53%, bem abaixo dos 91%. Ou seja, ela está muito mais otimista sobre o futuro que depende somente dela.

O fato de a brasileira se achar bonita (46%, acima da média mundial de 33%) é um dado muito positivo. Mostra que a auto-estima da mulher cresceu bastante. Antigamente, ter vaidade não era bem visto. Era algo superficial, leviano até. O importante era cuidar da cabeça, investir no desenvolvimento intelectual. Hoje em dia, a vaidade tornou-se um valor social.

O dado de a brasileira se achar bonita também mostra que a mulher está cuidando do seu bem-estar, da saúde, do seu futuro. Ela quer envelhecer bem, quer se manter ativa, saudável. Há 40 anos, a dona de casa colocava em primeiro lugar as necessidades dos filhos, em seguida do marido e por último as suas vontades, os seus desejos. Imagina como ela se sentia? Quando começou a trabalhar e ter seu dinheiro, ela não precisava mais fazer isso. Ela decide o que vai fazer com o seu dinheiro.

Eu sou de uma época em que a mulher se masculinizava, batia na mesa, para poder mostrar que também tinha capacidade. Ela não precisa mais disso, porque está conquistando seu espaço.

A brasileira se sente sobrecarregada e aponta um nível de estresse (55%) superior à média global (48%), porque ela realmente está sobrecarregada. Para fazer tudo o que ela faz, o dia precisava ser mais longo. O meu, por exemplo, teria de ter pelo menos umas 30 horas.

Agora, a mulher não fala que está estressada num tom de lamentação. Ela diz isso mas segue acumulando diversas tarefas, porque não abre mão do seu trabalho, da casa bem arrumada, da atenção à família, de estudar.

Em casa, o homem tem ajudado bastante. Algo muito diferente do que se via nas famílias nos anos 60, 70. Mas o verbo ainda é esse: os homens ajudam. Eles ainda não assumem para si uma tarefa doméstica. O lar ainda é da mulher.

empresas estão de olho nessa mulher contemporânea. Elas oferecem produtos de limpeza mais potentes, sabão em pó que tira manchas das roupas, produtos que fazem mais de uma coisa por vez. A indústria percebe que está lidando com uma nova consumidora que tem pouco tempo, que não pode ficar esfregando o chão ou deixando a roupa de molho.

Não concordo que a publicidade ainda mostra a mulher de forma atrasada. A gente vê a executiva realizada no escritório, feliz. O mercado já percebeu que a única prejudicada em retratar a mulher de uma forma estereotipada é a marca. E as grandes empresas estão preocupadas com isso.

Por Época Negócios

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Publicado por em 29/10/2009 em Uncategorized

 

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