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O Brasil na década: os 10 fatos capitais

05 jan

SUGERIRAM que eu fizesse a lista dos 10 fatos mais importantes da década no Brasil. Aqui vai ela:

1) Instalou-se um clima depânico econômico e financeiro em 2002 à medida que se aproximavam as eleições presidenciais e os números de Lula cresciam. O dólar chegou a passar de 3 reais. Havia ecos de uma declaração apocalíptica feita anos antes por um líder da indústria de São Paulo segundo a qual uma presidência petista significaria que 800 000 empresários deixariam o Brasil. Um clima de relativa tranquilidade somente seria recuperado com umdocumento no qual Lula se comprometia a não incendiar o país e respeitar os contratos, a Carta aos Brasileiros, publicada em junho de 2002. Em outubro, Lula se elegeu. O tempo mostraria que os receios eram absurdamente exagerados.

2) Fernando Henrique Cardoso, no final de seu mandato, em 2002, mudou o paradigma de governos em ano de eleição ao não torrar dinheiro público na tentativa irresponsável de eleger seu candidato. Foi o segundo triunfo de FHC. Antes, ele já entrara para a história ao devolver ao país com o Plano Realestabilidade financeira, sem a qual não haveria possibilidade de crescimento saudável da economia brasileira. Foram três décadas de alta inflação, que num pico alcançou a marca de 2751% no governo Sarney, entre fevereiro de 1989 e março de 1990.

3)Mensalão foi a prova mais dura que Lula enfrentou ao longo de todo o seu governo. Parlamentares recebiam mesadas, daí o neologismo mensalão, para aprovar medidas do governo. A primeira vez que a palavra apareceu foi em junho de 2005, na Folha de S. Paulo. Parecia que tinham sido cremadas as chances de Lula se reeleger, mas ele conseguiu convencer os eleitores de que não sabia do esquema. Isso, aliado a uma estratégia de governo que produziu resultados na diminuição da miséria, conduziu Lula a um segundo mandato, bem mais tranquilo, e ao longo do qual seu índice de popularidade vem desafiando a lógica do desgaste do tempo ao permanecer em patamares dignos de lua de mel.

4) vitória na Copa de 2002 no Japão e na Coréia deu ao Brasil o recorde isolado de conquistas, cinco. Com isso a seleção se tornou pentacampeã.  Ronaldo Fenômeno, com seu cabelo inspirado no Cascão das histórias em quadrinhos, foi o grande nome da competição. Mostrou que se recuperara inteiramente dos problemas graves do joelho. RonaldinhoRivaldo também brilharam, sob o comando italianado de Luís Felipe Scolari. Mas, na Copa seguinte,na Alemanha, ficou claro que o Fenômeno vencera o joelho mas não a balança. Gordo, foi uma caricatura de 2002 numa campanha medíocre da badalada equipe brasileira, sob o treinador tecnocrataCarlos Alberto Parreira. Ronaldinho gingou, sorriu, mostrou os dedos tortos,  mas não aconteceu.

5)cinema brasileiro conhece o maior filme de sua história em 2007, comTropa de Elite, de José Padilha. Um roteiro brilhante e uma produção fina deram tons épicos ao embate entre a polícia e os traficantes no Rio de Janeiro. O capitão Nascimento, com seus gritos, caretas e tirombaços, virou um ambíguo herói nacional e frases suas, como “Pede pra Sair!“, deixaram a tela e ganharam as ruas. Foi um caso único no Brasil em que vendas espantosas de dvds piratas não impediram filas nos cinemas quando ofilme foi lançado.

6) Em 2000 Gisele Bundchen recebeu o título de modelo do ano da Vogue e o de mulher mais bonita do mundo da Rolling Stone. O resto foi história. Com sua beleza germânicarebolado brasileiroGisele atravessou a década nas capas de revistas e nas melhores passarelas do circuito internacional da moda. Namorou astros de Hollywood, fez fortuna, casou bem e em dezembro de 2009 teve um filho, Benjamin.

Falar o quê?

Falar o quê?

7) Surgido em 1999 tendo por membros os países mais vigorosos economicamente do mundo, o G-20 ganhou estatura na década passada. Sua criação foi o reconhecimento da força das economias emergentes, entre as quais o Brasil. A recessão do final dos anos 2000, a pior desde a Depressão oriunda do crash da bolsa americana em 1929, jogou luzes sobre o G-20. Na aguardada reunião de Londres em abril de 2009, o crescimento do Brasil na cena internacional foi simbolicamente assinalado pelo abraço camarada que o presidente americano Barack Obama deu em Lula, que boiou quando foi elogiado em inglês mas recebeu a sorridente e imediata assistência de seu intérprete.

8 ) “Deus pode mesmo ser brasileiro”, disse a revista britânica The Economist quando tratou da descoberta, em novembro de 2007, de um extraordinário campo petrolífero na Bacia de Santos, a 250 quilômetros da costa. Batizado deTupi, o campo coloca o Brasil entre os grandes detentores de reservas de petróleo e gás no mundo. A descobertapopularizou a até então enigmática expressão “pré-sal”, uma referência à grande profundidade em que  se encontra o petróleo ali, abaixo da “camada de sal”, outro termo que se disseminou e deixou de ser monopólio dos geólogos.

9) A escolha do Rio de Janeiro como a sede das Olimpídas de 2016 teve uma justificada comemoração patriótica. Não se deve subestimar a força olímpica. Foi nos Jogos de 2008 em Pequim que o mundo foi apresentado à nova superpotência, a China. Para o Rio e para o Brasil a possibilidade de ganhos na imagem internacional são enormes. Um gosto adicional foi a vitória sobre os Estados Unidos, que pleiteavam ser sede, e para tanto levaram ao encontro em que afinal se tomou a decisão, em Copenhaguem, ninguém menos que o casal Barack e Michelle Obama.

10) Poucas coisas são tão tragicamente espetaculares quanto acidentes de avião. O vôo 3054 da TAM que não conseguiu pousar na pista de Congonhas, cruzou a avenida Washington Luís e se espatifou contra um prédio da própria TAM foi o retrato maior do caos aéreo que infernizou os brasileiros em julho de 2007.  Se não bastassem as esperas intermináveis, os brasileiros ainda tiveram que ouvir a ministra Marta Suplicy sugerir querelaxassem e gozassem. As 187 pessoas a bordo morreram, às quais se somaram mais 12 atingidas pelo avião em seu percurso terrestre desgovernado. Jamais se chegou a uma conclusão sobre os culpados. Foi o maior acidente aéreo no Brasil, até a queda do AF 447 em maio de 2009.

Por Revista Época/ Blog Paulo Nogueira

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Publicado por em 05/01/2010 em Uncategorized

 

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