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Análise do grid de largada na corrida presidencial

01 abr

Dilma Rousseff (PT) consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido, mas parou de crescer. José Serra (PSDB) manteve a liderança e vai começar sua campanha com os ânimos renovados pela diferença de nove pontos percentuais em relação à principal adversária. Todas as pesquisas mostram que a eleição deve ser polarizada entre os dois, com Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) em papéis secundários.

O gráfico abaixo mostra os resultados de todos os principais institutos. A linha tracejada representa a média móvel das últimas três pesquisas. Nesta fase da campanha, em que a grande maioria dos eleitores ainda não consegue nem citar um candidato presidencial espontaneamente, as tendências são mais relevantes do que as flutuações pontuais. Os valores dentro dos círculos são os divulgados pelos institutos. O raio da circunferência corresponde à margem de erro.

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Primeiro estágio
Dilma deu um salto entre dezembro e fevereiro, à medida que ficou claro para os simpatizantes do PT que ela é a candidata do partido. Ela conseguiu galvanizar esse eleitorado cativo e chegou ao patamar histórico de Lula no mês de março. Mas a pesquisa mostra que para ir além dos 27% a que chega agora, ela terá um terreno mais difícil, o do eleitorado “independente”.

Resiliência tucana
Serra mostrou resiliência: de dezembro a fevereiro, o governador paulista caiu de um patamar próximo aos 40% para uma faixa pouco acima de 30%. Voltou agora para 36%. Isso mostra que ele se beneficia pelo fato de ser o mais conhecido dos presidenciáveis. Bastou aparecer em um programa nacional de TV (Datena) se afirmando como candidato para recuperar parte da intenção de voto perdida no período que antecedeu o lançamento de sua candidatura.

Prestidigitação e salto alto
A pesquisa também joga água fria nas prestidigitações eleitorais que pregavam uma ultrapassagem iminente de Dilma sobre Serra. Embora o pano de fundo, dada a popularidade de Lula, seja o de uma eleição governista, não será calçando saltos altos que os petistas conseguirão eleger sua candidata.

Dilma tem um adversário que sai de um patamar bem mais alto do que partiu na eleição de 2002. Serra tem 36% agora, contra os 22% de oito anos atrás. E a recuperação do tucano, nesse momento, vai energizar o lançamento de sua candidatura, previsto para 10 de abril.

Quem define a eleição
O eleitorado que não é nem cativo do PT (entre 1/4 e 1/3 do total), nem francamente oposicionista (outro 1/3 ou 1/4) é quem vai decidir a eleição. Esses cerca de 40% de “independentes”, na sua maioria, aprovam o governo Lula. Mas não será apenas porque o presidente disse que Dilma é sua candidata que automaticamente decidirão votar nela. Apesar de poderem ser convencidos disso, esses eleitores estarão também abertos aos argumentos de Serra. Por isso que existe campanha, e ela só se define no dia da eleição.

Câmbio no Sul
Sem ter acesso aos relatórios completos desta pesquisa Datafolha, o que só deve ocorrer nesta segunda-feira, é difícil determinar as causas exatas das oscilações das intenções de voto dos candidatos. Mas chama a atenção que grande parte da recuperação de Serra tenha se devido a um salto de 10 pontos percentuais, de 38% para 48%, na região Sul. É provável que a campanha de Dilma reforce a agenda da candidata nesses Estados nas próximas semanas.

PMDB em alta
Outra consequência da pesquisa Datafolha é que o cacife do PMDB volta a crescer. Com Serra na frente, é essencial para o PT somar o tempo de TV dos peemedebistas ao da sua candidata. Os líderes do PMDB sabem disso e ficarão, agora, em uma posição de força na hora de negociar espaço não apenas na chapa de Dilma, mas em postos neste e no futuro governo (seja ele de quem for).

Grid de largada
O Datafolha volta a mostrar a grande dificuldade que Ciro Gomes e Marina Silva enfrentarão para conseguir entrar de fato na disputa. Apenas um imprevisto (e eles acontecem) poderia lhes dar chances reais nesse páreo. Serra larga na frente. Dilma corre atrás dos independentes.

Esse é o grid de largada da campanha presidencial de 2010. Ainda tem muito chão pela frente.

Por OESP/José Roberto Toledo

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Publicado por em 01/04/2010 em Uncategorized

 

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