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Eleitor entrevistado na rua aponta mudanças antes de eleitor entrevistados em casa

01 abr

Em 1998, as pesquisas de ponto fluxo feitas pelo Datafolha detectaram com mais rapidez o crescimento da candidatura de Mario Covas (PSDB) ao governo de São Paulo do que as pesquisas domiciliares. Ao ponto de surpreender assessores tucanos que já estavam para jogar a toalha na disputa.

Em 2008, o fenômeno se repetiu, dessa vez no Rio de Janeiro: as pesquisas fetas na rua apontaram a ultrapassagem de Fernando Gabeira (PV) sobre Marcelo Crivella (PRB) antes que as feitas nas casas dos eleitores. ”Isso aconteceu porque nossas pesquisas são domiciliares e as do Datafolha são feitas na rua, o que dá um resultado mais rápido”, explicou Márcia Cavallari diretora do Ibope, à jornalista Consuelo Diegues na edição de março de 2010 da revista Piauí.

Márcia expôs o que muitos analistas e pesquisadores intuíam: o indivíduo que vai à rua, que trabalha e que tem contato com um grupo mais heterogêneo de pessoas tende a tomar decisões eleitorais antes daqueles que ficam em casa, restritos ao ambiente doméstico. Talvez por ter mais acesso a informação, por discutir mais política ou por ser um formador de opinião do ambiente familiar, esse eleitor “rueiro” é um termômetro que mede câmbios de humor do eleitorado com antecedência.

Como as pesquisas do Datafolha são feitas exclusivamente em pontos de fluxo de pessoas, o instituto tende a refletir a opinião do eleitor da rua. Já o Ibope migrou de um sistema puramente domiciliar para um sistema misto, mas no qual a maioria das entrevistas ainda é feita na casa das pessoas. Quando realizada durante a semana, a visita do pesquisador tende a ser recebida por eleitores que não trabalham fora. Isso dá uma diferença nos resultados, pequena, mas perceptível.

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Tome-se como exemplo a evolução da intenção de voto para presidente da República. A mais recente pesquisa Ibope, feita antes do Carnaval, parece estar um tanto fora da curva, quando comparada às pesquisas Vox Populi e Datafolha imediatamente anterior e posterior (é o penúltimo ponto das curvas dos candidatos no gráfico acima). A diferença é pequena e admissível dentro da margem de erro. A confirmação disso teremos no começo desta semana, quando a nova pesquisa Ibope for divulgada.

Se ela apontar uma a subida de Dilma Rousseff (PT) e a queda de José Serra (PSDB), teremos a confirmação de que as pesquisas domiciliares estão “atrasadas” em comparação às feitas em ponto de fluxo. Nesse caso, será melhor comparar a nova pesquisa Ibope com a anterior do Datafolha, para evitar o risco de as análises apontarem um movimento que já ocorreu.

Por OESP/ Jose  Roberto Toledo

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Publicado por em 01/04/2010 em Uncategorized

 

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