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Uma abordagem diferente das pesquisas eleitorais

01 abr

Já há alguns anos, o site norte-americano Real Clear Politics (RLP) vem fazendo uma interessante cobertura política e eleitoral nos EUA. Seus editores compilam o que há de mais importante e criam sínteses analíticas para os leitores. Essa fórmula se mostrou especialmente eficiente quando aplicada às pesquisas de opinião pública, porque consegue resumir em um único número médio os resultados mais recentes.

A comparação da média calculada pelo RLP com o resultado das eleições para presidente de 2008 mostra a acurácia do método desenvolvido pelo site. O objetivo da média RLP é eliminar oscilações fora da curva entre um instituto e outro, normalizar os dados e filtrar a quantidade assombrosa de pesquisas que surge em uma eleição presidencial norte-americana.

No Brasil, alguns estudiosos experientes das pesquisas de opinião, como Fátima Pacheco Jordão, vêm advogando uma adaptação dessa metodologia às nossas sondagens eleitorais. O pesquisador do Iuperj Marcus Figueiredo desenvolveu um estudo com vários métodos de cálculo de tendência (polinominais, logarítimico, potenciais) e apresentou um resumo no mais recente congresso da Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa).

Apresento, abaixo, um gráfico de tendências elaborado a partir das médias móveis das três pesquisas mais recentemente divulgadas. Como a frequência com que são feitas as sondagens no Brasil é muito inferior à norte-americana, tive que limitar a média a três pesquisas para evitar que o intervalo entre elas superasse um mês.

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Como sempre acontece quando se aplica uma média, as oscilações das curvas tornam-se muito menos dramáticas. Isso aplaina picos e vales das intenções de voto. Pelo seu efeito calmante, não é muito bom para produzir manchetes, mas favorece uma análise mais desapaixonada das tendências eleitorais.

As linhas pontilhadas coloridas representam as médias de intenção de voto dos candidatos. Os pontos coloridos isolados são os resultados das pesquisas dos quatro principais institutos.

O gráfico mostra dois movimentos em duas fases distintas. Na primeira delas, Dilma Rousseff (PT), ao tornar-se mais conhecida como candidata do governo, conseguiu reduzir a distância que a separava de José Serra (PSDB) a quase um terço, entre meados de dezembro e fins de janeiro: de 21 pontos para 7,7 pontos, na média. Parte de seu crescimento saiu de intenções de voto do tucano.

De fevereiro até agora, a tendência mudou. Serra conseguiu, sempre considerando-se a média, sustentar sua intenção de voto em torno de 34%. Ao mesmo tempo, o crescimento da média de Dilma desacelerou significativamente, o que levou a distância média entre tucano e petista cair pouco, para 6%. Hoje, a intenção média de voto de Serra é 34,3%, e a de Dilma, 28,3%.

A terceira linha, em verde, mostra de onde saiu a maior parte dos votos conquistados pela petista: de Ciro Gomes (PSB) e dos eleitores sem candidato (que pretendem votar em branco, anular ou que não souberam responder). A média desse consolidado tem mostrado uma queda persistente ao longo de todo o período analisado: caiu 10 pontos, de 39,7% em novembro para 29,7% entre março.

Marina Silva (PV) não entrou no gráfico porque sua média tem se mantido estável, sem ganhar nem perder eleitores de modo a constituir uma tendência.

O método de análise por médias móveis ainda precisa ser testado no Brasil. O principal problema é o pequeno volume de pesquisas divulgadas. As diferenças de metodologia entre institutos não é impeditiva: não é porque a marca do termômetro é diferente que a febre do paciente vai mudar. Esta eleição é uma boa oportunidade para testar as médias móveis. É o que pretendo fazer, sem abrir mão das abordagens mais ortodoxas.

Por OESP/José Roberto Toledo

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