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Datafolha – comportamento vai e vem do eleitor

05 jul

A pesquisa Datafolha que mostra empate técnico entre o tucano José Serra (39%) e a petista Dilma Rousseff (38%) é uma reviravolta na corrida presidencial? Não. Na verdade, ela é facilmente comparável às anteriores, do Vox Populi e Ibope, que mostravam vantagem da candidata do governo (40% a 35%).

Vale notar que as variações na intenção de voto estimulada para o total do eleitorado estão dentro do intervalo da margem de erro.

Dilma, pelo Datafolha, poderia ter até dois pontos a mais, e chegar aos 40% indicados pelos outros institutos. O mesmo vale para Serra: o tucano poderia ter até dois pontos a menos, o que lhe daria 37% -o mesmo percentual a que ele chegaria somando-se a margem de erro de Vox Populi e Ibope.

Mas essa não é a explicação principal. As sondagens foram feitas em datas diferentes. O Datafolha teve tempo de captar o impacto dos spots de 30 segundos que o PSDB veiculou entre 26 e 29 de junho em todas as emissoras de TV do país.

A propaganda tucana, camuflada nos intervalos comerciais, alcançou o objetivo que o programa de 10 minutos do partido não conseguiu: foi lembrada por metade dos eleitores, segundo o Datafolha, o que deve ter beneficiado Serra com alguns pontos a mais na intenção de voto.

É o chamado efeito “recall”: a memória mais fresca na cabeça daqueles eleitores que ainda não fizeram uma opção firme por um candidato. Eles oscilam entre Serra e Dilma, e respondem aos pesquisadores o último nome que ouviram no rádio ou na TV.

É possível estimar o tamanho desse eleitorado oscilante? Quantos podem ser chamados de “eleitor vai-e-vem”?

Até o começo de maio, eles eram cerca de 10% do total. O aumento do grau de identificação de Dilma com o presidente Lula fez com que a petista absorvesse metade desses eleitores pendulares.
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Desde o começo de junho, o contigente dos “vai-e-vem” não passa de 5% do eleitorado. Mas como eles saltam de Serra para Dilma e vice-versa, acabam tendo seu peso dobrado, pois diminuem a intenção de voto de um e, ao mesmo tempo, aumentam a do adversário.

A julgar pelos cruzamentos do Datafolha, os “vai-e-vem” são preponderantemente mulheres e/ou eleitores com baixa escolaridade. Obviamente isso não significa que a maioria das mulheres e dos eleitores que estudaram pouco têm esse comportamento errático.

Os “vai-e-vem” são um pequeno grupo que tem preocupações maiores do que a eleição. Ao serem abordados pelo pesquisador, resolvem o problema sobre o qual não tinham pensado com uma resposta que puxa mais pela memória do que pelo raciocínio.

A diferença dos “vai-e-vem” para os indecisos é que esses últimos simplesmente não respondem nenhum nome de candidato para os pesquisadores e, assim, acabam fora das análises.

Os dois grupos devem continuar diminuindo, à medida que os presidenciáveis se tornam mais conhecidos e adquirem uma identidade no imaginário de mais eleitores.

Segundo o Datafolha, ainda há 25% de eleitores que não sabem quem é o candidato de Lula. É um contingente maior do que a soma de indecisos e dos “vai-e-vem”. Essa conta alimenta a expectativa dos petistas de que Dilma retomará seu crescimento assim que mais eleitores descobrirem quem Lula apoia.

É possível, mas, por enquanto, o principal efeito da pesquisa Datafolha é devolver esperança à campanha de Serra, depois de uma sequência de trapalhadas que ameaçou afundar o barco tucano antes de ele deixar o porto.

Por OESP/Josè Roberto de Toledo

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Publicado por em 05/07/2010 em Uncategorized

 

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