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Papel da pesquisa de opinião na democracia

27 jul

Cogitou-se, recentemente, de tentar proibir a divulgação de pesquisas durante as campanhas eleitorais, sob a alegação de que elas poderiam influenciar, de maneira inadequada, na decisão de eleitores menos esclarecidos ou, em alguns casos, em decorrência de dúvidas suscitadas a respeito da idoneidade dos métodos adotados na realização das entrevistas com os eleitores. As discrepâncias nos índices obtidos por diferentes institutos têm sido motivo de polêmica entre políticos interessados nos resultados das pesquisas.

Novos estudos realizados sobre o tema discordam da pretendida coibição, a partir da evidência de que qualquer tipo de censura nesse sentido iria agredir princípios do processo democrático e de iniciativas respaldadas no direito constitucional da liberdade de expressão.

Em paralelo, constatou-se que as pesquisas representariam apenas mais um tipo de informação disponível para os cidadãos, a exemplo da propaganda eleitoral gratuita, do desempenho dos candidatos em debates públicos e, até mesmo, do carisma pessoal de cada candidato. Quanto mais informação, melhores condições terá o eleitor para decidir sua escolha. O Ibope Inteligência já dimensionou quais atitudes são adotadas por parcelas da população, baseando-se em informações contidas em pesquisas eleitorais, de onde concluiu que cada indivíduo usa a informação a seu alcance da forma que ele acha mais conveniente. Segundo o Ibope, com a consolidação do processo democrático no País, o brasileiro vem adquirindo, nos últimos pleitos eleitorais, crescente conscientização quanto ao exercício de seu voto, e, ao final, opta pela decisão que lhe parece mais racional e coerente. Nesse contexto, a realização das pesquisas contribui para enriquecer o cabedal de informações acerca da área política. Convém ressaltar que os resultados divulgados através da mídia representam apenas uma parte do total das pesquisas realizadas, incluindo, geralmente, apenas aquelas contratadas por veículos de comunicação, associações de classe e partidos políticos.

Mas também existem estudos, não divulgados publicamente, feitos de modo específico e sigiloso para os partidos, candidatos ou, mesmo, empresas privadas. Nesse caso, os questionários são bem mais detalhados e estratégicos, pois têm a finalidade precípua de aquilatar a viabilidade política dos concorrentes aos cargos eletivos e sua potencialidade nas urnas. Para esse gênero de pesquisa, são ouvidas importantes pessoas formadoras de opinião. Numa etapa posterior, procede-se a avaliação dos pontos fortes e fracos dos candidatos, bem como a conveniência de suas propostas e intenções. A maior parte de uma eventual influência junto ao eleitorado vai depender, substancialmente, da credibilidade granjeada pelos institutos de aferição.

Embora reflitam apenas o contexto do período no qual foram realizadas, não pode ser negado às pesquisas eleitorais seu aspecto positivo, tanto em relação aos eleitores quanto aos candidatos e partidos, desde que lhes sejam patentes a lisura no processo de realização e o propósito de contribuir para o aperfeiçoamento da democracia.
Diário do Nordeste

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Publicado por em 27/07/2010 em Uncategorized

 

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