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“Efeito Ciro” assombra candidatos a presidente

07 ago

O comando da campanha de José Serra (PSDB) à Presidência anunciou uma mudança de prioridade geográfica. Em vez de concentrar fogo no Nordeste, o tucano vai agora apertar mãos e fazer comícios em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Outra mudança, esta não anunciada, parece ter sido no tom do discurso. Após duas semanas de críticas intensas ao governo federal, Serra tem preferido temas “neutros” e segmentados nos últimos dias, justamente quando as falas dos presidenciáveis passam a ser veiculadas diariamente no Jornal Nacional.
O que teria provocado essas correções de rumo?
Pode ser apenas coincidência, mas a pesquisa Ibope/Rede Globo/Estado divulgada na sexta passada mostrou que Dilma Rousseff (PT) aumentou sua vantagem justamente onde o tucano havia mais feito campanha, no Nordeste. E isso ocorreu no período em que as críticas de Serra foram mais agudas.
Parece que ao fazer um discurso oposicionista junto a um eleitor que é o mais simpático ao governo Lula, Serra perdeu votos em vez de ganhar. Ficou marcado como candidato de oposição, uma imagem que talvez não estivesse clara para muitos eleitores nordestinos.
É um fenômeno curioso: quanto mais o candidato se expõe, mais ele perde. Se é que foi isso que ocorreu, Serra não é a única vítima potencial desse efeito. O desconhecido Ciro Moura (PTC) apareceu com surpreendentes 18% na pesquisa Ibope sobre a eleição para o Senado em São Paulo. Não foi um erro do instituto: ele chegara a 19% no Datafolha dias antes.
Como Moura escreveu apenas “Ciro” no nome a aparecer na urna em seu registro como candidato, é apenas “Ciro” que aparece no cartão dos institutos. A hipótese a ser testada é que muitos eleitores acharam que o “Ciro” da cartela era Ciro Gomes, o ex-presidenciável. Se foi isso, quanto mais Ciro Moura aparecer durante a campanha, menos votos terá.
Há ainda a possibilidade de o “efeito Ciro” se abater sobre Dilma. Até agora, ela é “a candidata do Lula” para a maioria dos eleitores. Sua personalidade pública ainda não foi colocada à prova. Como resultado, sua rejeição é baixa. Afinal, não há o que rejeitar quando não se conhece o candidato, seu jeito, seu estilo.
Neste novo capítulo da corrida presidencial, com ao menos quatro debates eleitorais, veiculação diária de sua cara nos telejornais e a campanha compulsória no rádio e na TV, os candidatos estarão superexpostos. E, como ocorria na fotografia antes da era digital, é na superexposição que se queima o filme.
Por OESP/Jose Roberto Toledo

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Publicado por em 07/08/2010 em Uncategorized

 

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