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Desigualdade entre candidatos é maior do que entre a população brasileira p

07 ago

Em se tratando de dinheiro, a desigualdade entre os candidatos nas eleições de 2010 é maior do que na população brasileira. Muito maior. O patrimônio do 1% mais rico dos que disputam um cargo este ano chega a 61% do valor total declarado por todos os candidatos. Sim, 1% fica com 61% da grana.
Em valores, a concentração patrimonial é ainda mais gritante: 129 pessoas detêm R$ 8,858 bilhões em bens.
Já os 40% mais “pobres” ficam com apenas 1,6% da soma dos bens de todos os concorrentes. Em números absolutos: os 5.161 que formam a base da pirâmide patrimonial dos candidatos declararam ter, em conjunto, R$ 232 milhões, o que dá uma média inferior a R$ 45 mil por cabeça.
Para piorar, só entrou nessa conta quem declarou bens à Justiça eleitoral até 23 de julho. E 40% dos candidatos não o fizeram, seja porque não têm nada a declarar, seja porque omitiram essa informação.
Mais candidatos devem declarar bens aos tribunais eleitorais nos próximos dias e semanas. Não há limite de prazo para eles encaminharem adendos a suas fichas de candidatos. Ainda tem gente pedindo mudança na ficha de quatro anos atrás.
Como se sabe, o Brasil é dos países com pior distribuição de renda no planeta. Mas, em comparação à desigualdade entre concorrentes ao pleito de 2010, o Brasil fica parecendo uma Noruega.
No conjunto da população brasileira, os 40% mais pobres ficam com 12% da renda, enquanto o 1% mais rico fica com 13% dos rendimentos nacionais. No patrimônio dos candidatos, essa proporção é muito pior: os 40% da parte de baixo ficam com 1,6% dos bens; enquanto o 1% da cobertura abocanha 61% do patrimônio.
Embora renda (uma medida de fluxo) e patrimônio (uma medida de estoque) sejam coisas diferentes, o único jeito de comparar a distribuição da riqueza entre candidatos e a população é esse. Não há dados de renda dos candidatos, nem dados de patrimônio da população.
Há algumas hipóteses para explicar uma disparidade tão absurda. A principal delas diz respeito à qualidade das informações prestadas pelos candidatos à Justiça eleitoral. Há de tudo. Desde os aplicados que mandam uma cópia de sua declaração de bens à Receita Federal até os que não declaram nada, ou bens com valores irrisórios.
Entre os 60% que declaram alguma coisa, há quem apresente relações detalhadas, que incluem caras casas, carros, fazendas, apartamentos e até os valor de suas carteiras de ações e obras de arte. Na outra ponta há quem declare possuir casas, sítios, carros e terrenos avaliados em R$ 0,01. E não são poucos.
O problema é que não há histórico de sanção que tenha sido aplicada pela Justiça eleitoral a candidatos que declaram bens por valores incompatíveis com a realidade. Sem punição, cada um escreve o que sua consciência manda. O valor da consciência dos candidatos parece oscilar tanto quanto seus patrimônios declarados.
O resultado dessa falta de regulamentação é que uma base que já seria naturalmente desigual, como a de bens, fique ainda mais mal distribuída.
Por outro lado, há uma diferença real entre o nível econômico dos candidatos. Na ponta da pirâmide estão alguns dos maiores empresários do país, grandes proprietários de terras, acionistas majoritários de grandes corporações. Na parte de baixo há empregados domésticos, ambulantes, pequenos agricultores.
Mesmo que distorcido pela baixa representação feminina, pela imprecisão das declarações de bens, o conjunto de fichas dos mais de 21 mil candidatos (o número exato varia diariamente) forma um retrato do país. Uma fotografia inclusive das omissões de sua legislação.
Sendo assim, não é de espantar que a desigualdade seja o que mais chama a atenção. Essa disparidade é sintetizada em uma proporção. O patrimônio declarado dos 129 candidatos mais ricos, o 1% do topo da pirâmide, é 38 vezes maior do que o total de bens dos 5.161 candidatos que formam os 40% mais pobres.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

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