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Inconsistências internas chamam atenção na CNT/Sensus

07 ago

O que mais chama a atenção na pesquisa CNT/Sensus não é o tamanho da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB). O que se destaca são as inconsistências internas do relatório.
Do alto percentual de voto dos nanicos à distribuição regional das intenções de voto dos principais candidatos, passando por um mistério na intenção de voto de Marina Silva (PV), há várias contradições nos cruzamentos da pesquisa.
Fato inédito, a CNT/Sensus encontrou intenção de voto espontânea maior do que na pergunta estimulada para os nanicos. Soma dos percentuais dos candidatos dos pequenos partidos na espontânea: 7%. Soma dos percentuais dos mesmos candidatos na estimulada: 4%.
A pergunta espontânea é a primeira feita aos entrevistados. Se o eleitor não souber o nome do seu candidato a presidente, não consegue responder. Por isso, invariavelmente os percentuais são menores do que na estimulada, quando o pesquisador mostra os nomes dos candidatos.
Exemplos do próprio Sensus: Dilma tem 30% na espontânea e 42% na estimulada, Serra tem 20% da espontânea e 32% na estimulada. Mas com os nanicos acontece um mistério: eles perdem eleitores de uma pergunta para outra, em vez de ganhar.
Zé Maria (PSTU) sai de 3% na espontânea para 2% na estimulada; Eymael (PSDC), de 2% para menos de 1%; Ivan Pinheiro (PCB), de 1% para quase zero. Ou seja, eleitores que surpreendentemente lembraram de seus nomes sozinhos, ao vê-los no disco mudam de ideia.
As contradições não ficam por aí. Marina tem 8,5% (o Sensus insiste em usar casas decimais, dando a impressão que a pesquisa, seja ela qual for, tem uma precisão inexistente) na pergunta estimulada.
Mais à frente no questionário, o entrevistador pergunta: “(…) em quem o sr.(a) votaria ou não votaria para presidente?” E dá quatro alternativas ao entrevistado: 1) É o único em que votaria; 2) poderia votar; 3) não votaria; 4) não conhece. Pois 11% dos eleitores responderam que Marina é a única em quem votariam.
Entre uma pergunta e outra, 2,5% dos eleitores mudaram de ideia e passaram a dizer que Marina é a única presidenciável em que votariam? Pode-se argumentar que a lista acoplada a esta pergunta não citava os nanicos. Mas, nesse caso, por que os percentuais de Dilma e Serra diminuíram (para 35% e 25%, respectivamente) em vez de crescer, como ocorreu com o de Marina?
Finalmente, a CNT/Sensus encontrou um empate técnico entre Dilma e Serra no Sul do país: 37% a 43%, respectivamente. Com apenas 291 entrevistas na região, a margem de erro máxima para o Sul é de quase 6 pontos percentuais. Ou seja: o tucano poderia ter 37% e a petista, 43%, que estariam dentro da margem.
O problema é que esse resultado contraria a série histórica de pesquisas, sem que tenha havido nenhum fato relevante que pudesse explicar uma ascensão fulminante de Dilma no Sul. Pior: outras pesquisas, com amostras muito maiores, como a feita pelo Ibope há poucos dias, apontam uma vantagem que varia de 11 a 16 pontos para o tucano nos três estados da região.
Todas essas inconsistências do relatório da CNT/Sensus não necessariamente invalidam os resultados globais da pesquisa. Pode ser que Dilma de fato tenha aberto 10 pontos de frente sobre Serra. Mas é mais prudente esperar o Ibope que sai nesta sexta para ter certeza.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

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Publicado por em 07/08/2010 em Uncategorized

 

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