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Arquivo diário: 09/08/2010

O debate na Band

É possível medir com precisão o desempenho dos candidatos em um debate eleitoral? Enquetes, a régua tradicional, são contaminadas pela preferência dos eleitores por um presidenciável ou outro. Uma alternativa é contar quanto cada debatedor falou, o que disse, como disse e a quem se dirigiu.
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) falaram quase o dobro do que Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) durante o debate da Band. Porque fizeram um embate particular: o tucano interpelou a petista três vezes, e foi indagado em duas oportunidades por ela. Marina e Plínio só responderam, cada um, a uma pergunta de seus rivais.
Dilma e Serra criaram mais chances para aparecer. Mas não de convencer. Como o sucesso do Twitter e seu limite de 140 caracteres demonstra, moderar o discurso é melhor do que falar pelos cotovelos. Plínio foi o que menos falou, mas acabou como o mais falado. Exposição demais para quem se expressa mal é castigo.
Mais do que qualquer outro presidenciável, Dilma respondeu a seis perguntas de adversários e a duas de jornalistas durante o debate, fora suas réplicas, tréplicas e considerações finais. Inexperiente, ela gaguejou, perdeu o fôlego, olhou para a câmera errada, estourou o tempo das respostas.
Dos quatro, foi quem mais empregou palavras longas (“oligopolizados”, “acessibilidade”, “prioritariamente”), usou termos técnicos (“bioma”, “política estruturante”) e abusou das siglas: UPPs, UPAs, SUS, SAMU. Teve uma recaída da mania por cifras: falou “milhões” 12 vezes, e 4 vezes “mil”, mais do que os seus três adversários somados.
Até as considerações finais, Dilma pronunciou 2.100 palavras, mas conseguiu a proeza de citar Lula apenas três vezes. E só a partir do terceiro bloco. Esquecimento ou tentativa de parecer independente? A primeira hipótese é mais lisonjeira para a petista.
Aplicada, Dilma abordou temas que as pesquisas mostram que os eleitores querem ouvir. Foi quem mais mencionou educação/ensino/escola. Também tentou falar de trabalho e emprego, um dos pontos altos do governo Lula, mas acabou arrastada por Serra para uma discussão interminável sobre mutirões, cirurgias e Apaes.
Saúde foi o assunto do tucano. Falou tanto que acabou tachado de hipocondríaco por Plínio.
Serra começou nervoso, a língua ressecada estalando no céu da boca. Acalmou-se vendo Dilma tropeçar. Confrontou a adversária (“você falou”, “você disse”, “você teve responsabilidade”) e ajudou-a a perder a concentração. Ele andava pra lá pra cá no estúdio da Band enquanto as câmeras miravam a petista.
Serra teria sido o menos pior da noite, não houvesse um Plínio no meio do caminho. Ele fez o tucano se embananar, levando o debate para uma área desconfortável para Serra: a rural. O candidato do PSDB acabou qualificando propriedades de 80 hectares (o mesmo que 80 quarteirões) de “chácara de fim-de-semana”.
Aos 80 anos, o presidenciável do PSOL debateu como quem não tem nada a perder, e ganhou. Atazanou os três rivais e conversou com o telespectador, a quem se dirigiu com frequência e tratou por “você”.
Plínio usou frases e palavras mais curtas que os adversários, e concentrou todo o seu discurso em uma ideia: combate à desigualdade. É certo que pela expropriação, socialização e tudo o que mandam os manuais marxistas.
Foi o oposto de Marina. A verde fez uma pergunta para cada adversário. Sorriu. Não levantou a voz. Declamou poema. Foi quem mais falou de meio ambiente. Fez as frases mais longas e desfiou o vocabulário mais amplo. Se a eleição fosse de candidato mais bem comportado, seria favorita disparada. Mas é para presidente.
O desempenho dos presidenciáveis na Band deu uma medida do que serão os próximos debates: UOL, RedeTV!, Record, Estado/Gazeta e Globo. Desgastes e eventuais fugas devem influir nas intenções de voto, num processo de acumulação.
Debate não é luta de boxe. A ideia de que um candidato só ganha quando leva o oponente à lona projeta o desejo mórbido de ver um deles deitado em uma poça de sangue. Ninguém vira eleição com um golpe só, nem aprende a debater do dia para a noite. A vitória de um candidato é sempre por votos, nunca por nocaute.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

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Intenção de voto – gráficos evolutivos – Ibope, Vox Populi e Datafolha

Portal e-band

 
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Internet: o novo ferramental para as Eleições 2010

O convívio em sociedade não é mais o mesmo após a utilização da internet. Em um mundo globalizado as informações repercutem de forma objetiva, precisa e rápida. No Brasil, neste ano de 2010, temos mais uma vez o desafio de escolha do novo governante do país.

Desde o dia 06 e julho, após a definição e registro de todos os candidatos, estamos em plena campanha eleitoral e o horário político gratuito terá início neste próximo dia 17 de agosto, encerrando em 30 de setembro.

As campanhas políticas antes efetuadas através de rádio e televisão, têm agora uma nova ferramenta: a internet, que, sem sombra de dúvidas oportuniza vários benefícios não só aos candidatos, mas também aos eleitores.

Uma das demonstrações de como a campanha eleitoral pela internet possui credibilidade e força pode ser vislumbrado na última eleição nos Estados Unidos, na qual o atual presidente Barack Obama, praticamente um desconhecido, soube explorar a Web, atingindo desde o mais humilde até a maior classe social daquele país, respondendo dúvidas e verificando o anseio da população, o que culminou com um favoritismo até sagrar-se o primeiro presidente negro da história do país.

Diante disto, não só o Brasil, mas outros países também procuram explorar a potência da internet para alastrarem seus ideais a toda a população.

Com a utilização da internet o candidato poderá usufruir dos seguintes benefícios:

– Eliminação de custos com a impressão de documentos, entrega de papéis, gastos com comitês (aluguéis, água, luz, telefone);

– Revisão e atualização de todo o conteúdo quantas vezes for necessário;

– Acesso do público de forma voluntária, onde o mesmo irá externar suas opiniões, efetuar críticas, sugestões, o que só é sentido muitas vezes no trabalho corpo a corpo efetuado pelos candidatos, mas que não abrange a amplitude de pessoas como a internet;

– Rapidez de divulgação das idéias (plataforma política);

– O eleitor poderá acessar a agenda de seu candidato, visualizar notícias sobre o mesmo, acessar fotos, enfim, ter acesso a toda cobertura da campanha;

– Além de espaço para contribuição com a campanha eleitoral, com emissão de recibo e limite para doações.

Portanto, através da internet o candidato poderá veicular mais informações sobre si, como também da sua plataforma política por meio de e-mails, Blogs, chats, redes sociais ou qualquer outro recurso disponível na web. Geralmente, os eleitores que acessam a internet são mais conscientes e exigentes, com bom nível de instrução,
competindo a cada candidato se esmerar em sua campanha.

As doações efetuadas pela internet terão transparência na arrecadação destes fundos, o que não ocorre atualmente, pois constantemente verificamos diversas CPI’s demonstrando envolvimento dos políticos e a famosa “quebra de
favores” em virtude de auxílio nas propagandas eleitorais.

A propaganda eleitoral pela internet também poderá auxiliar aqueles candidatos que tenham horário reduzido nos programas eleitorais.

Logicamente, muitos ajustes terão que ser efetuados, já que esta é a nossa primeira eleição com auxílio deste recurso e os abusos terão que ser coibidos, exigindo da Justiça Eleitoral maior dinamismo e adequação a nova realidade.

Diversos critérios existentes na campanha de rádio e televisão também se enquadram na campanha pela internet, como direito a resposta proporcional a ofensa efetuada, multas impostas em relação ao descumprimento da forma como deve ser a veiculação pela internet. Para que este mecanismo seja coerente e eficiente deverá ocorrer uma integração com toda a campanha do candidato, seja ela veiculada em rádio, televisão ou impressa. O conteúdo tem que
ser sempre atualizado e efetuado por especialistas, a fim de que não ocorra veiculação de má qualidade.

Afirmar que a campanha pela internet importará em diminuição de custos pelos partidos políticos e respectivos candidatos é impossível, pois estamos falando de um mercado pouco explorado, no qual especialistas em marketing nesta área com certeza irão elevar o preço de seus serviços, mas em contrapartida apresentar um trabalho com maior qualidade.

Após a propaganda eleitoral via internet nunca mais as propagandas políticas serão as mesmas, pois teremos eleitores e candidatos mais exigentes e preocupados em demonstrar melhor suas idéias. Ao contrário do que ocorre nas veiculações de rádio e televisão, em que os eleitores desligam no horário político, o mesmo não
ocorrerá na internet, com usuários que buscam as informações por estarem mais comprometidos com os rumos do país; uma demonstração de cidadania e, principalmente, da democracia, conforme preconiza nossa Constituição Federal e, portanto, uma independência-política.

Aquele que estiver mais bem preparado ganhará as eleições, independentemente de coligações partidárias ou de altos gastos em campanha. Que este novo marco nas eleições brasileiras venha para amenizar as desigualdades, bem como tentar coibir os abusos. Para isto, faz-se necessário que cada um de nós adote nova postura exigindo dos candidatos não só melhor conduta, mas acima de tudo maior comprometimento com a população. Quando todos estiverem
engajados neste ideal, o preconizado na bandeira nacional, através das palavras: “ORDEM E PROGRESSO” estará por fim colocado, na integra, em prática.

*Gislaine Barbosa de Toledo é advogada do escritório Fernando Quércia Advogados Associados.

 

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Estudo desvenda perfil de usuário de cartão de débito

Oportunidades podem ser encontradas ao se aplicar estratégias de “crédito” a programas de débito; fraude e aumento na regulamentação são vistos como ameaças ao crescimento; maior inovação em mercados emergentes

Cotidiano Digital – Da Redação

Os bancos devem aplicar mais firmeza e inovação ao desenvolver seus programas de débito para fazer do uso do débito uma proposta mais valiosa, de acordo com um estudo multinacional divulgado ontem, 02, pela First Data Corporation, empresa de comércio eletrônico e processamento de pagamento.

“Oportunidades para débito no mundo” (do original em inglês, “Worldwide Opportunities for Debit”) é um dos primeiros estudos para analisar o crescimento do débito no mundo e avaliar os acionadores por trás desse aumento e as implicações para o setor bancário.

O relatório incorpora dados de entrevistas de 34 bancos através de uma combinação de 10 mercados maduros e emergentes em todo o mundo. As entrevistas foram conduzidas para a First Data pelo TowerGroup, com participantes da Austrália, Brasil, Alemanha, Grécia, Índia, México, Polônia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. Além disso, analistas do setor na Ásia-Pacífico, Europa e Américas contribuíram com projeções e percepções.

Além de confirmar a emergência do débito como principal instrumento para pagamento de contas, o Oportunidades para débito no mundo também recomenda estratégias de crescimento que os bancos devem adotar e alerta sobre as iminentes ameaças à capacidade de se obter total vantagem do que representam os programas de débito.

“Os bancos podem capitalizar quanto à mudança para débito dos consumidores se desenvolverem um sofisticado entendimento da economia de suas ofertas de débito e colocarem energia inovadora apoiando o débito da mesma forma que fazem com o crédito”, afirmou Paul Stanley, vice-presidente sênior de Serviços Financeiros na região EMEA, First Data. “No entanto, nosso estudo adverte que fraude e maior regulamentação podem refrear a experiência de débito tanto para bancos como para seus clientes.”

Confira as principais tendências do estudo:

Crescimento
• Em mercados emergentes, os bancos precisam de uma abordagem mais vigorosa na informação ao cliente e na cooperação com varejistas para aumentar o uso de cartões de débito, principalmente no ponto de venda (PDV). O uso do cartão de débito no ponto de venda é tão baixo como 10% em alguns mercados emergentes, em comparação com 70-80% em bancos participantes nos Estados Unidos.

• Existem oportunidades reais de melhorar a rentabilidade de programas de débito através do uso de novos canais de pagamento, como telefones móveis, pré-pagos, sem contato e comércio eletrônico. E estes são especialmente importantes para o mercado jovem.

• Soluções móveis e pré-pagas serão fundamentais ao levar o pagamento eletrônico a populações sem serviços bancários e sem atendimento em mercados emergentes – e já estão sendo introduzidos para este fim por bancos no Brasil, México e Turquia.

• Há pouca evidência de que os bancos estão usando as boas práticas desenvolvidas no suporte ao cartões de crédito para atender ao crescimento e desempenho do débito. Os bancos que estão fazendo isso estão obtendo sucesso.

“Descobrimos uma decepcionante falta de inovação e análise de produto no débito, mesmo entre instituições que são sofisticadas quanto a cartão de crédito”, disse Brian Riley, diretor de pesquisa de Cartões Bancários, TowerGroup. “Em economias emergentes, há mais enfoque nas oportunidades e na inovação.”

Entendendo a economia do débito

• Empacotar ofertas de débito com outros produtos torna difícil para os bancos realmente entender os aspectos econômicos de seus programas de débito.

• Maior conscientização do relacionamento entre canais e produtos, o alinhamento de crédito e estratégias de débito e maior pacote de conta, são todos essenciais para incentivar um rentável comportamento do cliente.

• Bancos que terceirizaram o processamento de débito parecem ter uma visão mais clara dos custos e receitas do débito e, portanto, a melhor oportunidade de voltar seus esforços para incentivar um crescimento rentável.

Maximizar rentabilidade

• Segmentação e programas de prêmios se tornarão mais importantes para promover a fidelidade do cliente, mas provavelmente serão rentáveis apenas quando integrados a outras ofertas de bancos de varejo, ou em parceria com varejistas e terceiros.

• O aumento do uso do débito no ponto de venda é uma prioridade clara para bancos da Europa e em mercados emergentes onde saques em caixas eletrônicos são responsáveis por até 90% das transações com cartão de débito. Na Índia, os bancos relataram que um aumento de 1% em ativação de débito pode levar a um aumento de 20% em volume de transação, demonstrando o potencial lucro para os bancos.

• Loterias, prêmios instantâneos, propaganda e promoções internas estão sendo usados para promover cartões no ponto de venda em diversos mercados. Grandes varejistas também podem ajudar a impulsionar o débito nas economias emergentes ao socializar o uso de cartões no PDV.

O impacto da regulamentação

• As normas para uso de débito estão aumentando em quase todos os mercados incluídos no estudo e estão desafiando os atuais modelos de negócios de débito.

• Em muitos mercados, a regulamentação ameaça reduzir as oportunidades de rendimento e aumentar os custos de programas de débito.

• A regulamentação pode ameaçar a capacidade de os bancos financiarem os próprios programas que tornariam o débito uma experiência melhor para seus clientes – e mais rentável para os bancos.

Administrar fraude

• Margens apertadas de débito significam que níveis de fraude podem fazer a diferença entre lucro e perda.

• “Chip e PIN” são uma eficiente arma contra a fraude para transações com cartão, embora a pouca aceitação do comerciante enfraqueça o caso de negócios nos Estados Unidos.

• O uso inovador dos canais de cartão-não-presente para débito aumentavam o risco de fraude. Os bancos precisam considerar a tecnologia de criptografia e uso de token para ajudar a manter em segurança os dados de cartão de pagamento nesses ambientes.

Por cotidiano digital

 
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Publicado por em 09/08/2010 em Uncategorized

 

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O momento de Lula

A poucos meses de deixar o governo e com uma popularidade que, mostram as pesquisas, beira a unanimidade, Lula concede à ISTOÉ uma entrevista histórica, em que fala de seu legado e de seu papel na política, hoje e amanhã.

DE BEM COM A VIDA
No gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil,
Lula tem agenda cheia até o último dia de governo

Diz a tradição, ao descrever os últimos dias no poder, que a solidão dos políticos é tanta que até o cafezinho passa a ser servido frio. Definitivamente esse não é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos 21 anos, desde que o Brasil se redemocratizou e voltou a eleger diretamente seu presidente, Lula protagonizou todas as eleições. Depois de dois mandatos consecutivos, este ano seu nome não estará na urna eletrônica. Mesmo assim, Lula termina seu governo com a agenda cheia e como o personagem central da própria sucessão..

Até os candidatos da oposição fazem questão de exaltar as realizações de seu legado. Na manhã da quinta-feira 5, um presidente muito bem-humorado recebeu a reportagem de ISTOÉ em seu gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil (o Planalto está em reforma). O café continua na temperatura correta e nada indica que irá esfriar, mesmo depois de passada a eleição. Na entrevista de quase duas horas, o presidente mostrou que tem planos para o Brasil e também para manter a liderança internacional que conseguiu construir nos últimos oito anos.

Quando perguntado sobre seu destino depois de passar adiante a faixa presidencial, Lula inicialmente argumenta com a necessidade de um tempo para reflexão, longe dos holofotes. A “promessa” de um período sabático, no entanto, tem pernas curtas e não resiste à metáfora que Lula usa para explicar o papel de um ex-presidente. “Ele deve ter cuidado para não ser tratado como um vaso chinês. Grande, bonito e que passa a ser um incômodo. Ninguém sabe onde colocá-lo.” Ou seja, o ex-presidente, segundo Lula, deve impor sua presença não pelo que fez no passado, mas, sim, por suas ideias e seus projetos. Em outra metáfora, desta vez relacionada ao futebol, Lula faz uma referência velada à derrota do Brasil na Copa do Mundo. “O que eu jamais faria como técnico é marcar um gol, correr para a retranca e ficar esperando o adversário vir para cima de mim.” A cinco meses do final de seu governo, o presidente está feliz, vai continuar em campo e quer jogar no ataque.

É quase certo que será criada uma fundação, nos moldes americanos, para dar respaldo e consequência às ações do ex-presidente Lula. Ele acredita que a maior parte de sua popularidade está relacionada aos acertos nas políticas sociais de seu governo e quer fazer com que elas sejam “socializadas”. A ideia do presidente é levar as experiências sociais do Brasil para países da América do Sul, do Caribe e da África. “Já tenho muitos convites de países africanos para ir lá e mostrar o que e como fizemos”, revela. Lula ainda não sabe exatamente o que fará nesse sentido, mas admite repetir o formato das caravanas da cidadania, que percorreram o Brasil em suas campanhas ao Planalto. “Pretendo construir uma equipe de companheiros que acumularam oito anos de experiência no governo e 30 anos de experiência na oposição, para a gente colocar as ideias em prática”, diz Lula. Na frente interna, a prioridade absoluta é a reforma política. “Eu sonho com a construção de uma frente ampla no Brasil. Juntar as forças políticas, construir um programa comum e fazer a reforma partidária. Essa é uma condição sine qua non para a gente poder mudar o Brasil em definitivo”, afirma o presidente. “Precisamos qualificar nossos políticos e nossas instituições e isso é uma tarefa que compete aos partidos políticos e não ao presidente.”

Lula reconhece que a promoção de uma reforma política não será uma tarefa fácil, mas promete que ouvirá gente de todos os partidos, numa espécie de seleção brasileira da política. Mas adverte, porém, que uma legenda certamente ficará de fora da frente ampla: “Acho que acabou o tempo da ilusão de que a gente poderia trabalhar com o PSDB. Eu acreditei nisso e muitos petistas também, mas acabou”. Na opinião de Lula, os tucanos escolheram um outro projeto para o País. À direita.

A ONU critica a aproximação de Lula com Ahmadinejad, mas o
brasileiro acredita que pode conseguir o perdão à iraniana Sakineh Ashtiani

A exemplo do desafio político nacional, o presidente Lula também tem um projeto ambicioso para a América do Sul. Conta que já foi convidado para assumir um posto na Internacional Socialista, mas considera que a entidade tem a cara da Europa. ‘Eu seria um estranho no ninho”, diz. Missões especiais ou cargos de relevo na ONU ou no Banco Mundial, como vem sendo cogitado no Brasil e até no Exterior, o presidente Lula descarta com veemência. Essas instituições, a seu ver, devem ser dirigidas por burocratas, e não por estadistas. Seus olhos, portanto, estão voltados para a política latino-americana. Segundo Lula, a cara política da América Latina mudou, mas os partidos continuam os mesmos. Isso vale para a Venezuela, de Chávez, e para a Argentina, dos Kirchner. “Precisamos juntar essa coisa toda e começar a elaborar uma nova doutrina da criação de uma instituição política que uniformize determinados princípios na América Latina.” Mas, por favor, antecipa o presidente, nada de dogmatismo. E muito menos de manifestos marxistas.

Quanto ao papel da ONU na resolução de conflitos internacionais, o presidente Lula entregou os pontos, depois do fogo cerrado que se abateu sobre ele ao tentar uma saída para a crise nuclear do Irã. E, apesar de ser tratado como “o cara” pelo presidente americano, Barack Obama, Lula não esconde a decepção profunda com o líder americano. Segundo ele, “não haverá solução para o Oriente Médio enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz”.

No Brasil, a popularidade de Lula impulsiona a candidatura de Dilma
e no Exterior o presidente se contrapõe a Obama

A frustração com as grandes potências internacionais não é suficiente, no entanto, para empanar o clima de festa nesses últimos meses de governo. E o principal motivo para isso está nos rumos que vem tomando a sucessão. Durante a entrevista, Lula recebeu das mãos de Gilberto Carvalho, seu fiel chefe de Gabinete, o resultado da última pesquisa CNT/Sensus. “Olha o resultado da pesquisa para vocês: Dilma, 41,6%; Serra, 31,6%; e Marina, 8,5%”, disse um sorridente Lula. O avanço da ex-ministra Dilma Rousseff, escolhida pelo próprio presidente para sucedê-lo, era mais do que esperado por Lula. “Um governo que tem 76% de bom e ótimo nos últimos cinco meses de mandato, um presidente da República que tem 86% de bom e ótimo e se colocar o regular vai a 98% em alguns Estados é um governo com forte possibilidade de fazer a sucessão”, observa.

Apesar da confiança absoluta na vitória de Dilma, o presidente é complacente com seus adversários. “Essa é uma eleição engraçada. Três candidatos da oposição foram do meu partido. E tem o Serra, que é uma pessoa com quem tenho uma relação de respeito antiga. Ou seja, não tenho nenhum inimigo”, constata, com generosidade. No mesmo tom, Lula convive muito bem com o fato de ter se tornado o objeto de desejo da grande maioria dos candidatos na atual campanha. “Eu fico feliz em saber que ninguém quer fazer campanha falando mal de mim. É uma coisa agradável”, afirma, mas ressalva que tem “um lado, um partido e um candidato”. É inegável que o desempenho eleitoral da ex-ministra está umbilicalmente ligado à popularidade do presidente e, a cinco meses de se despedir de Brasília, a agenda de Lula continua abarrotada de compromissos. Na semana passada, por exemplo, o presidente empenhou-se em convencer o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a conceder o perdão à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento. “Quero trabalhar até o dia 31 de dezembro. Terei agenda até o dia que entregar a faixa para quem for eleito presidente da República”, diz Lula.

Mas algo deixou de ser feito, há algum arrependimento, presidente? Sim, responde Lula, faltou aprovar a reforma tributária, apesar de todos os projetos enviados ao Congresso Nacional. Por quê? Para explicar, o presidente recorre a Jânio Quadros, que renunciou em 1961 e atribuiu o gesto às “forças ocultas”. “Tem um desgraçado de um inimigo oculto que está trancado em algum armário e não permite que se vote a reforma tributária”, explicou o presidente Lula. Como se vê, no ambiente de festa do CCBB, até mesmo as dificuldades são recebidas com bom humor. Ou então são atribuídas a seres fictícios. Lula, hoje, não tem inimigos.

Por Istoé

 
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