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Arquivo diário: 10/08/2010

Geração Internet prefere… o mundo real

Tudo o que já existia no mundo antes de nascermos é absolutamente normal; tudo o que surge enquanto somos jovens é uma oportunidade e, com sorte, pode até ser uma carreira a seguir; mas o que aparece depois dos 30 é anormal, o fim do mundo como conhecemos… até que tenha estado aí por uma década, quando começa a parecer normal”.

com maiúsculas nos lugares certos e tudo, o parágrafo acima é uma tradução livre [minha, neste texto da superinteressante] de uma frase de douglas adams sobre como o mundo muda e como a percepção e atitude dos mais velhos é diferente dos mais jovens. o artigo é de setembro de 2009 e fala sobre crianças em rede, no tom do trecho abaixo…

…as crianças estão usando a “rede” como parte essencial de suas redes, como extensão da escola, conexão com familiares distantes, diversão, e por aí vai. Segundo, quem nasce em rede vive em rede; é como aprender a ler: tirante raros casos, ninguém desaprende. No futuro, todo mundo estará em rede, em todo lugar, o tempo todo, para todas as coisas.

a idéia geral é que crianças que nasceram “na” rede, nos tempos e com os meios e ferramentas de rede, vão viver em rede; para elas, a rede será sempre parte essencial da infraestrutura de seu mundo e vida, como a atmosfera, água encanada, eletricidade e esgoto.

isso não significa que quem nasce em lugares onde há rede de verdade [ou seja, onde todos, pelo menos os mais jovens, têm acesso à rede] vai viver o tempo todo “na” rede. este “na” quer dizer fazendo coisas “de” rede e, o tempo todo ou boa parte dele, tendo “a” rede como seu principal foco de atenção ou preocupação.

claro que isso vai acontecer com um número de crianças e jovens, que vão se tornar cientistas e engenheiros “de” redes, assim como um número de pessoas que se interessa por eletricidade e os problemas por trás de sua geração e distribuição se torna engenheiro elétrico. nada mais normal, não?

mas a vasta maioria, quase a totalidade das pessoas, vai estar “em” rede e não “na” rede. o que não deveria surpreender ninguém. mas é bom saber que tal percepção sobre a rede vem sendo confirmada, como mostra o spiegel neste fim de semana, citando estudos variados, inclusive um bastante extenso do hans bredow institut [de 2009; link]. segundo o spiegel, análises de comportamento juvenil em vários países estão descobrindo o que parece óbvio mas que é bom ver confirmado: apesar de passarem o tempo todo conectados, os jovens não acham que a rede “é” a coisa à qual deveriam estar dedicando a maior parte de sua atenção. relevantes, mesmo, são as coisas que a rede possibilita, como melhorar as conexões que levam a passar mais tempo, de melhor qualidade, com os amigos.

mais interessante, de acordo com rolf schulmeister, é que a vasta maioria dos jovens está e se sente “em casa” na rede, mas o nível médio de proficiência no uso das ferramentas da rede é muito baixo… e só uma pequena minoria consegue usar toda a riqueza da rede a seu favor. e olhe estamos falando da alemanha, onde 98% dos jovens entre 12 e 19 anos está “em” rede e online por 134 minutos por dia, em média.

independentemente de idade e lugar, que percentagem da população [ou dos adolescentes] realmente sabe usar google, só pra falar de algo que parece universal? quantos sabem que a busca allintitle: silvio meira retorna somente links que contém as palavras “silvio” e “meira” no título da página? clique aqui para ver parte do que dá para fazer com google, para ter uma idéia do que é preciso aprender para se considerar competente na rede…

o problema [digital] de verdade, para todos [jovens inclusive] parece ser como usar a rede de forma produtiva; este link tem uma boa revisão da literatura sobre o assunto. um deles é um estudo da british library concluindo que…

…the information literacy of young people has not improved with the widening access to technology: in fact, their apparent facility with computers disguises some worrying problems…

…a fluência informacional dos jovens [como um todo] não melhorou com o amplo acesso à tecnologia… e sua aparente familiaridade computacional esconde alguns problemas preocupantes. e isso pode muito bem ser o caso, especialmente no cenário mais específico de aprendizado online tratado pela british library em seu estudo.

seja como for, temos um bom [e velho] problema: os estudos mostram que os mais jovens estão “em” rede e não “na” rede, o que é uma boa notícia; por outro lado, as mesmas análises dizem que, excetuando uns poucos, a vasta maioria tem que estudar e praticar muito para ter a rede como parte de sua infraestrutura essencial de [alta produtividade para] aprendizado.

o bom e velho problema, no caso, é que sempre foi assim. se não fosse, todo mundo que nasceu depois de 1927 saberia tudo de mecânica quântica simplesmente por existir. como sabemos, a vida é um pouco mais complicada do que isso. é preciso tentar, errar e aprender, em teoria e na prática, para saber das coisas. quando funcionam de forma efetiva, os mecanismos sociais para tentar, errar e aprender estão consolidados ao redor do que costumamos chamar de sistema educacional.

na alemanha, na inglaterra e aqui, o que está faltando, no mundo real da escola [“em” rede], em larga escala, são processos estruturantes [e nem tão estruturados…], em larga escala, para as pessoas [jovens e nem tanto] aprenderem “em” rede, “com” e “na” rede. como a olimpíada de jogos e educação, por exemplo, parte do sistema educacional [em pernambuco e no rio de janeiro] que sai da sala de aula para casas e lanhouses, alargando a criação de oportunidades de aprendizado para todas as horas, em todos os lugares. se cada vez mais coisas com essa ocorrerem, a rede, que já é o maior ambiente de aprendizado que já existiu, vai ser muito mais importante e maior que isso.
Por Terra Magazine/ Silvio Meira

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Publicado por em 10/08/2010 em Uncategorized

 

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“Geração N”: estamos criando jovens incapazes?

Rob Asghar, ensaísta e articulista norte-americano, aponta em um artigo recente no Huffington Post o surgimento do que ele chama de “geração N”, formada por jovens narcisistas. Para ele, os pais norte-americanos, atormentados pela culpa por trabalhar muito ou por optar pelo divórcio, estão criando filhos sem limite algum. Inseguros, eles temem que o filho não goste deles, cedem a qualquer pedido das crianças e celebram toda e qualquer “conquista” do filho – até uma formatura de pré-escola.

O resultado é uma geração que se sente no direito de tudo, sem precisar trabalhar duro por nada. Rob cita uma pesquisa desenvolvida em conjunto pela San Diego State University e pela University of South Alabama, que concluiu que o narcisismo dos jovens norte-americanos cresceu nos últimos 15 anos – e que os Estados Unidos podem passar por problemas sociais quando estes jovens chegarem à idade adulta e assumirem cargos de poder.

O estudo, que envolveu dezenas de milhares de jovens universitários, detectou traços de “auto-respeito exagerado” e de um “infundado senso de merecimento”. Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que a crise econômica mundial recente, desengatilhada por decisões de alto risco, já seja um resultado do narcisismo da geração.

Para Maria Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial, esse cenário é comum aqui no Brasil também. Os pais que temem perder o amor dos filhos representam uma inversão absoluta de papéis. “Na minha época – eu tenho 57 anos e minha filha, 32 – eram os filhos que temiam perder o amor dos pais”, contrapõe. Hoje, este temor influencia até na transmissão de valores.

Oprimidos pela culpa ou afundados no próprio narcisismo, os pais temem colocar limites em seus filhos e criam crianças que serão eternamente dependentes deles. Sem parâmetros claros, as crianças crescem sem valores: não sabem respeitar os pais, pois nunca ouviram uma repreensão simples como “enquanto uma pessoa fala, a outra escuta”. Se alimentam mal e só comem quando querem, pois jamais os pais foram firmes e exigiram que ela se sentasse à mesa durante uma refeição. “Limite é a ética em ação”, explica Maria Irene. “Pais e mães narcísicos criam fracos”, resume.

Idade da influência

O psicólogo Caio Feijó, autor de “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (editora Novo Século), ressalta a importância do papel de pais e mães nas expectativas e na autoimagem da criança – e alerta que esse poder é limitado pelo tempo. “Os pais só têm uma influência grande sobre os filhos até antes da puberdade, por volta dos 10 ou 11 anos. Depois disso, vem o resultado”, diz.

“Dependendo de como os pais conduzem essa influência, eles criarão expectativas nos filhos sobre o que eles podem ou não alcançar”, continua. E o estímulo em excesso pode prejudicar tanto quanto chamar seu filho de “burro” ou de “inútil”, especialmente quando este estímulo indica uma projeção – por exemplo, aquele pai que é dentista e sempre comenta que o filho “vai ser um dentista genial, igual ao papai”, ou aquela mãe que sempre quis ser bailarina, mas não pôde estudar quando pequena, então matricula a filha em aulas diárias da dança, ainda que a menina não mostre o menor talento ou interesse pelas sapatilhas. “A superproteção traz consequências tão graves quanto o abandono”, finaliza.

Características da “Geração N”:

– Não têm noção de limite
– Acham que são merecedores de tudo
– Não sabem se esforçar para conseguir algo
– Não sabem como agir em situações adversas
– São criados por pais narcisistas, que competem entre si
– Não respeitam os outros

Por IG/Delas

 
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Publicado por em 10/08/2010 em Uncategorized

 

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Conclusões sobre a “Geração Y” podem ser tendenciosas e equivocadas

Tentar definir o personagem de uma geração pode ser um exercício controverso e, segundo alguns, presunçoso. Quem pode dizer se 50 milhões de americanos devem ser chamados de Geração do Eu, ou Preeminente? Quem pode decidir exatamente quando termina a Geração X e quando começa a Y?

Nunca deixe dizerem que pesquisadores de psicologia fogem de um desafio. Nos últimos anos, alguns delinearam um retrato da safra atual de pessoas de vinte e trinta e poucos anos, que demonstram pouca grandeza e esbanjam narcisismo e direitos adquiridos. A Geração Y também pode ser um tanto insensível: numa conferência de psicologia em maio, pesquisadores apresentaram dados sugerindo que os estudantes universitários de hoje possuem uma “preocupação empática” significativamente menor que os estudantes da década de 1980.

Cientistas sociais têm estudado os jovens há décadas, buscando tendências de pensamento e comportamento que possam ser atribuíveis a mudanças na cultura mais ampla. Acompanhar comportamentos e atitudes é algo relativamente objetivo. Comparados a gerações anteriores, por exemplo, membros da Geração Y são mais tolerantes com pessoas de outras raças e diferentes orientações sexuais, sugere a pesquisa. Eles também parecem ser mais inclinados a trabalhos voluntários. Centenas de milhares deles se alistaram para servir no Iraque e Afeganistão.

Porém, avaliar seus motivos e traços – sua personalidade coletiva – é um território bem mais instável. Por isso a discussão a respeito do personagem da Geração Y, e se as gerações chegam a possuir personagens distintos.

Ela gira em torno de uma recente descoberta de que, em questionários de personalidade, pessoas nascidas depois de 1970 apresentam maior probabilidade de ver a si mesmos como “pessoas importantes”, de dizer que são confiantes e de classificar sua autoestima como mais alta. “A pesquisa converge nisso: que o individualismo está aumentando, que o foco em si mesmo é mais aceitável na cultura, e que não é preciso se preocupar muito com normas sociais”, disse Jean M. Twenge, psicólogo da San Diego State University. Num livro de 2006, “Generation Me” (Geração do Eu, em tradução livre), ele descreve a tendência, seu possível lado positivo (mais oportunidades para aqueles sem tanta autoconfiança) e lado negativo (maiores níveis de ansiedade e depressão).

Porém, uma recente edição da revista “Perspectives on Psychological Science” trouxe uma oposição a esse argumento, com psicólogos discutindo sobre metodologia e oferecendo interpretações alternativas de dados de pesquisa.

Num relatório, dois psicólogos analisaram uma pesquisa com alunos universitários que atravessou décadas e concluiu haver “poucas evidências de uma mudança significativa” em questões relacionadas a autoestima, individualismo ou satisfação com a vida. “Acho que nós, nessa profissão, precisamos ser cuidadosos para não estereotipar ou rotular um vasto número de pessoas, a menos que as evidências sejam muito fortes”, disse M. Brent Donnellan, da Michigan State University, co-autor do artigo com Kali H. Trzesniewski, da University of Western Ontario.

Em outro artigo crítico, pesquisadores da University of Illinois relataram dados sugerindo que o narcisismo atinge seu pico na jovem maioridade, “não por mudanças culturais, mas graças a tendências de desenvolvimento relacionadas à idade”.

Twenge e outros refutaram ponto a ponto, e a discussão não deve ser resolvida em breve. Por um lado, os próprios testes de personalidade são suspeitos. “Devemos ter em mente que os testes de personalidade são documentos culturais, produtos exclusivos de indivíduos particulares que dizem mais sobre seus criadores do que a respeito das pessoas submetidas a eles”, afirmou Annie Murphy Paul, autora de “The Cult of Personality Testing” (Free Press, 2004).

Por outro lado, pesquisadores tendem a trabalhar com amostras, como alunos universitários, que não são representativas da geração como um todo. Nem mesmo está claro que acontecimentos externos possam alterar muito os traços fundamentais de uma pessoa. “Encontramos muito poucas mudanças nos resultados em diferentes culturas, ou até mesmo após grandes mudanças históricas” como guerras ou revoluções, disse Antonio Terracciano, psicólogo do National Institute on Aging.

Em resumo: a personalidade coletiva da Geração Y, se é que isso existe, não será muito distinta das personalidades de outras gerações. Ainda assim, pequenas diferenças podem ser importantes e existe algum acordo em descobertas de psicólogos em ambos os lados deste debate. Em sua própria pesquisa, Terraciano descobriu um leve declínio na confiança através das gerações e um leve aumento em algo chamado “ascendência”, ou “competência” – uma confiança autodeclarada para fazer as coisas acontecerem.

Veja também:
“Geração N”: estamos criando jovens incapazes?
Essa característica é similar a um traço medido por um questionário amplamente usado, chamado de Inventário de Personalidade Narcisista, que pergunta às pessoas se elas concordam com afirmações como “Eu serei um sucesso” e “Eu sempre sei o que estou fazendo”. Esse teste não é uma ferramenta diagnóstica para o transtorno da personalidade narcisista, uma grave condição psiquiátrica; ele é simplesmente um medidor bruto de autoconfiança, vaidade e autoimportância, características que todos possuem em algum grau. E os resultados se elevaram significativamente, ao menos em algumas amostras universitárias.

“Isso é especialmente verdadeiro para mulheres”, explicou Twenge. “É com elas que observamos as mudanças mais drásticas”.

Porém, nenhuma característica é boa ou ruim em seu sentido absoluto. Cada uma se esbarra em outros traços de personalidade, expressando-se diferentemente em cada contexto. A percepção de auto-importância pode fazer uma pessoa se passar por pretensiosa e irritante. Mas também pode tornar outra pessoa decidida o bastante para se alistar no exército, se tornar líder de uma causa social ou se aventurar numa carreira contra todos os conselhos de amigos e parentes.

Por Benedict Carey/IG

 
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