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Arquivo diário: 12/08/2010

Nossas elites

De tempos em tempos, a crítica às “nossas elites” volta a frequentar o discurso petista. Não fica claro quem são elas. Sabe-se, contudo, como denunciou recentemente o presidente Lula, que são capazes de muitos crimes contra o povo e contra o País, até mesmo de assassínio de quem morreu de morte morrida, como o ex-presidente Jânio Quadros. Getúlio Vargas – latifundiário, deputado estadual, deputado federal, governador do Rio Grande do Sul, ministro da Fazenda do presidente Washington Luís, 20 anos na Presidência da República (15 dos quais com poderes ditatoriais) -, classificado por Lula como uma das vítimas das “nossas elites”, obviamente delas não poderia fazer parte.

Mas a referência às pérfidas elites antipovo, ainda que contenha incorreções históricas, tem um objetivo político-eleitoral. Não deve ser apreciada pela consistência teórica, com a qual, aliás, o ex-sindicalista não está preocupado. O importante é criar, na imaginação popular, um inimigo perigoso, de feições nebulosas, que não se sabe exatamente quem é. Repetida à saciedade, a acusação cria uma verdade.

Se aumentar a tensão social e/ou os cargos públicos correrem risco de passar para os adversários, uma nova categoria política poderia ser criada pelas alas petistas mais à esquerda: a de inimigo do povo. Mas para os novos-ricos que ascenderam sob as asas do ex-metalúrgico agitar a bandeira antielite traz a vantagem suplementar de ocultar a própria ascensão, isto é, fazer parte da elite sem parecer, sonho de todo político nesta época de democracia de massas.

Acontece que a popularização da composição da classe política e da elite no poder, ou seja, a ascensão de lideranças originárias das camadas médias, está fazendo menos convincentes e eleitoralmente pouco rendoso culpar as “nossas elites”. Uma larga parcela dos ricos e poderosos está aliada ao PT. O presidente Lula poderia chamá-los de companheiros. A elite política brasileira, a alta cúpula do governo, dos que mandam e ocupam posições estratégicas na máquina governamental, é formada hoje pelos políticos, intelectuais de esquerda, apparatchiks, militantes e sindicalistas do PT. A maioria entrou para a política pelo trampolim de poderosos sindicatos da estrutura corporativa fascista, do catolicismo “progressista”, das igrejas evangélicas, das ONGs e de outras organizações que servem de passagem para a classe política e dela para as instâncias de poder e ampliação do patrimônio. Na Câmara dos Deputados, para dar um exemplo, os ex-sindicalistas têm ocupado, nas últimas eleições, cerca de 10% das cadeiras.

Do ângulo socioprofissional, os componentes da nova classe ascendente dos políticos profissionais vêm dos segmentos das classes médias de nível relativamente alto de escolaridade, em que avultam os professores do ensino elementar e médio da rede pública, os bancários e técnicos, os servidores públicos e empregados do Estado, setores que poderíamos incluir – com a imprecisão habitual do conceito – nas classes médias-médias, a classe C. Não vêm tipicamente das camadas mais pobres que não dispõem de nível educacional que lhes possibilite passar de eleitor a eleito, ou seja, “entrar para a política”. Seriam as classes D e E, com as quais os políticos da classe C, na disputa pelo voto dos pobres, têm mais facilidade de comunicação do que os das classes A e B.

Para captar o fenômeno da popularização da classe política e do declínio das elites tradicionais basta considerar os três principais competidores ao cargo máximo de presidente da República (duas mulheres). Todos vieram de fora da elite política tradicional. Marina Silva é quem veio mais de baixo. O pai era seringueiro. Alfabetizou-se aos 16 anos. José Serra é filho de feirante, imigrante italiano. Dilma Rousseff vem de uma família de classe média alta, mas não tradicional: o pai era engenheiro, nascido na Bulgária. Todos os três obtiveram diploma de nível universitário. Embora hoje possam ser classificados como membros da elite política, nenhum teve origem na própria elite. Entraram na política pela porta da esquerda, como é comum ocorrer com os pré-políticos de classe média e baixa que estão procurando entrar para a vida pública.

Não seria necessário ressaltar que grandes empresas e políticos de alta renda continuam a ter muito peso no interior dos órgãos de poder e da classe política. Ainda que o espaço que ocupavam no sistema decisório se tenha reduzido, as camadas empresariais continuam sendo uma peça importante na arena política. Talvez estejam mais participantes do que nunca, por meio, também, do financiamento dos candidatos de classe média e classe popular empenhados em ascender. Acontece que a popularização e a democratização marcham junto com a elevação astronômica dos custos das campanhas eleitorais. Esses custos se tornaram muito mais elevados do que na época do poder oligárquico, em que poucos votavam. Os ex-plebeus recém-chegados à classe política são, pois, forçados a recorrer às doações dos grandes financiadores de campanhas. A democracia de massas não elimina a influência do grande capital, das grandes empreiteiras e do sistema financeiro, particularmente. Expulsos pela porta, voltaram pela janela.

O resultado hoje é uma elite política heterogênea. Políticos das velhas oligarquias, que seriam a expressão mais típica das “nossas elites”, confraternizam com os ex-plebeus ascendentes, os primeiros geralmente nos partidos ditos de direita, os segundo nos partidos ditos de esquerda.

Assim, a denúncia demagógica contra as nossas elites, mesmo que continue a habitar o discurso petista, tende a soar cada vez mais falsa, não só porque as classes altas tradicionais não têm mais o monopólio do poder político, como também porque as altas chefias petistas passaram a fazer parte da elite.

Por OESP/ Leôncio Martins Rodrigues EX-PROFESSOR TITULAR DOS DEPARTAMENTOS DE CIÊNCIA POLÍTICA DA USP E DA UNICAMP, É AUTOR DE “DESTINO DO SINDICALISMO”


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Publicado por em 12/08/2010 em Uncategorized

 

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Menção a Lula dá vantagem a Dilma em pesquisa, diz analista

As pesquisas eleitorais em que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, está mais bem colocada são as que provocam que o eleitor a veja como “candidata do presidente Lula”, comenta o cientista político da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa. Este pode ser o caso das medições do CNT/Sensus, que pergunta sobre a popularidade do governo além da intenção de voto. Na última pesquisa do instituto – divulgada no dia 5 – Dilma abre dez pontos à frente de José Serra (PSDB) enquanto pesquisa Ibope do mesmo período mostrou diferença de cinco pontos.

– O Sensus pode ter antecipado o efeito que a propaganda eleitoral vai produzir. Se o Lula influencia, não é uma distorção, mas mostra o que aconteceria se a população associar mais a imagem do presidente à eleição.

O especialista do Centro de Estudos de Opinião Pública diz que a diferença entre pesquisas de vários institutos nestas eleições é surpreendente. Na pesquisa do Datafolha de julho, Dilma e Serra estavam empatados. “Esse é um problema que surgiu nessa eleição mais que em outras porque a maioria dos eleitores ainda não sabe quem são os candidatos”, explica.

Ele afirma que apenas 10% da população acompanham o andamento das campanhas por enquanto, o que faz com que a maioria oscile muito dependendo do método usado ou de qualquer fato recente.

Para Costa, os candidatos usam a diferença de resultados politicamente e acusam as pesquisas de fraude, mas essa hipótese é difícil. “São poucos institutos no país e acho difícil que eles se arrisquem no mercado, arrisquem sua credibilidade. Pode haver um erro, mas não uma fraude”.

Fla-Flu

Nas últimas semanas, o debate com os presidenciáveis na Rede Bandeirantes e a sequência de entrevistas no Jornal Nacional foram as primeiras aparições de peso dos candidatos na TV. Costa, porém, acredita que elas não vão impactar as pesquisas de opinião.

– A população que acompanhou o último debate, por exemplo, é cerca de 5% do eleitorado e isso são pessoas que já se definiram. Vira um Fla-Flu, uma briga de torcidas e cada um vê o debate em função da sua preferência.

Segundo o pesquisador, é uma característica das eleições brasileiras que tudo se defina mais perto do dia da votação.

– A maioria das pessoas não está preocupada com a eleição agora ou nem sabe qual eleição vai ter. Isso vai pegar fogo no último mês, mas até agora foi treino.

Por Terra Magazine/

 
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Publicado por em 12/08/2010 em Uncategorized

 

Hacia la interfaz entre Ciencia y Política

Los procesos de formulación, implementación y monitoreo de políticas pueden ser mejorados mediante la aplicación de los resultados de las investigaciones científicas, que a su vez deberían enfocar maneras de aportar soluciones para el desarrollo de los pueblos.

En los últimos años, diversas investigaciones científicas incluyen en sus textos de divulgación algún apartado para tomadores de decisiones, lo que considero un paso importante para el casamiento entre la comunidad científica y la clase política. Por mucho tiempo y todavía en diversas áreas, los resultados de trabajos científicos han sido de acceso circunstancialmente restringido a especialistas e investigadores, normalmente por la poca divulgación (como tesis cuyos ejemplares se quedan en las universidades y con sus autores), así como por su publicación sólo en revistas científicas a las que los tomadores de decisiones no tienen acceso y cuyo lenguaje les impediría entender los textos si pudieran encontrarse con ellos.

Entiéndase que no pretendo que los términos científicos sean reducidos, ni cuestiono la importancia de la profundidad de los estudios, la aplicación de metodologías complejas propias de sus áreas, el uso de gráficos, modelos matemáticos y otras herramientas a través de las cuales se logra un mejor acercamiento a las realidades que se trata de explicar gracias a las virtudes de la Ciencia. Igualmente, comprendo que no todo conocimiento científico tiene su relación directa con los procesos de toma de decisiones. Creo que los temas útiles a un determinado público meta también son adaptables a su lenguaje.

La Ciencia tiene muchos retos que enfrentar y uno ellos es precisamente enamorar la Política para que esa imprescindible unión se consume. No puede seguir siendo cierto que por un lado la Ciencia conoce problemas vitales y solubles de diversa índole y los engavete, mientras por el otro los políticos toman decisiones empíricas que, lejos de contribuir con la solución a esos problemas, terminan agravándolos como externalidades. No puede seguir siendo tan paradójico que ocupen las posiciones de poder personas con poca capacidad de entender la realidad y encontrar soluciones apropiadas mientras los conocedores rehuyen de esos puestos y procesos. Es cierto que una medida técnicamente correcta no siempre es aplicable a la realidad del territorio donde se aplica, pero lo podrá ser cada vez más si su formulación se fundamenta en el conocimiento del contexto y si los problemas son enfrentados con un alto entendimiento por parte de los tomadores de decisiones.

Es necesaria una interfaz entre el conocimiento y las decisiones, entre la Ciencia y la Política. Varios componentes son parte de la solución y entre ellos es muy importante que la Ciencia sea comunicada en los momentos, a la personas y de las maneras apropiadas. Los medios de comunicación populares (como radio, televisión y periódicos) deben ser utilizados en ese proceso, adaptando la información al lenguaje del público meta en cada caso. Los informes de política (policy briefs) que contextualizan en breve las investigaciones para la toma de decisiones son una buena medida, sobre todo si llegan a las entidades que pueden hacer utilidad de ellas y, mejor aún, si las investigaciones son realizadas en conjunto con ellas.

Por otro lado, el establecimiento de plataformas para la discusión, formulación, implementación, monitoreo y evaluación de las políticas puede servir como puente y espacio de participación, fortaleciendo la democracia. Esas plataformas han de involucrar representantes de la comunidad científica, de instituciones del gobierno central existentes en la localidad, el gobierno municipal, organizaciones juveniles y estudiantiles, organizaciones comunitarias de base, agencias de cooperación, denominaciones religiosas y gremios empresariales. De esa manera las políticas podrán ser contextualizadas al territorio y contribuir de modo sostenible a la generación de bienestar para la sociedad, que es tan diversa como sus prioridades e inquietudes.

Por Cristino Alberto Gómez (República Dominicana)

 
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Publicado por em 12/08/2010 em Uncategorized

 

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