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Arquivo diário: 13/08/2010

Homens e mulheres têm visões diferentes do processo eleitoral, por Fátima Pacheco Jordão

Há muitas novidades influenciando o cenário das eleições deste ano, desde as novas plataformas de comunicação na Internet –como o Twitter–, uma nova dinâmica no YouTube, novos sites acompanhando de perto pesquisas, análises de discursos por tags e outros fatos. Na mídia tradicional, uma cobertura mais ativa, sobretudo na imprensa, conferindo promessas de candidatos, promovendo debates e aprofundando entrevistas.

Nunca tantos eleitores inscritos, nunca tantas mulheres candidatas –eram 12% em 2006 e chegam a 20% atualmente. Ainda que abaixo da cota de 30% prevista para os partidos, pela primeira vez há duas mulheres competitivas concorrendo na faixa mais exclusiva, a da Presidência.

42% DOS ELEITORES NÃO CITAM NENHUM CANDIDATO

Portanto, parece perfeitamente compatível com o grau de informações disponíveis um dado da última pesquisa Datafolha, segundo o qual 42% dos eleitores não citam nenhum candidato quando perguntados em quem pretendem votar para presidente em 3 de outubro. Nesta mesma época na eleição de 2006, outra pesquisa Datafolha apontava 36% de eleitores que não tinham um nome pronto para citar.

Trata-se de um indício claro de que, neste ano de 2010, o eleitorado, mais cauteloso, ainda aguarda outras informações para se decidir. Entre as mulheres, são 51% as que não citam candidatos; entre os homens, 33% –uma diferença expressiva de 18 pontos percentuais.

Dados ainda não divulgados anteriormente pelo Datafolha –processados com exclusividade e analisados pelo Instituto Patrícia Galvão– trazem novas luzes para explicar estas diferenças. Seriam as eleitoras mais cautelosas ou menos informadas? Mais indiferentes à movimentação da cidadania? Mais distantes do processo eleitoral ou mais criteriosas na definição de seu voto?

EM TODOS OS SEGMENTOS, MULHERES SÃO MAIORIA DOS QUE NÃO DECLARAM CANDIDATOS ESPONTANEAMENTE

Os novos dados surpreendem e mostram que as diferenças entre eleitores e eleitoras, na declaração espontânea de voto, persistem nas diferentes regiões do país, nas capitais e interior (Gráfico 1). As diferenças são de 18 pontos no Sudeste, 17 pontos no Sul, 22 no Nordeste e 18 no Norte e Centro-Oeste. Nas capitais, 17 pontos; no interior, 21 pontos.

Há variações de menor impacto entre jovens e eleitores de escolaridade superior. No entanto, a tendência é a mesma: em todos os segmentos pesquisados, mais eleitoras do que eleitores não declaram candidatos de forma espontânea.

Entre os eleitores mais velhos, a diferença vai a 30 pontos; entre os mais jovens (16 a 24 anos), a diferença cai para 10 pontos, mas está presente; entre os eleitores de escolaridade baixa, é de 24 pontos; e para aqueles com ensino superior, 11 pontos.

Ou seja, a questão do amadurecimento da escolha eleitoral tem efetivamente um corte de gênero e, em diferentes graus, perpassa geografia, escolaridade e ciclos de vida. O Gráfico 1 nos mostra este fenômeno desdobrado em 14 diferentes segmentos e uma constante: as mulheres aguardam mais informações para se definir. Cresce, portanto, ao longo da campanha, o papel das eleitoras no processo de escolha de candidatos e candidatas.

Gráfico 1 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.
Amostra: 2.658 entrevistas.

VOTO FEMININO EM 2010: DECISÃO PASSO A PASSO

Segundo o Datafolha, 94% dos eleitores indicam algum candidato quando uma lista deles é apresentada e a escolha antecipada para o dia de hoje (“Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes, em quem você votaria?”).

No entanto, entre os que apontam candidato, 31% declaram que, até o dia 3 de outubro de 2010, podem mudar seu voto, sobretudo os jovens e os eleitores de escolaridade superior.

As diferenças entre homens e mulheres se atenuam, mas ainda permanecem em quase todos os segmentos da amostra. Ou seja, as mulheres, mais do que os homens, dizem de forma indireta que, no momento, sua decisão depende de outras informações e de outro patamar de convicção. As mulheres, mais que os homens, estão dispostas a um olhar mais crítico a cada estágio das eleições. Não se trata aqui de indecisão por parte das eleitoras, mas de cautela e meticulosidade na escolha.



* Intenção de voto estimulada; mas entrevistados declaram que podem mudar. Representam 31% dos que declaram intenção de voto estimulado.
Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

VOTO FEMININO NO 2º TURNO: SERRA 54% E DILMA 37%

As diferenças de consolidação de votos acabam por ter impacto nas escolhas de candidatos. Tomando-se, por exemplo, as taxas de intenção de voto no segundo turno, os candidatos Dilma Rousseff e José Serra estão, segundo o Datafolha, empatados no conjunto dos eleitores. Dilma, no entanto, recolhe entre os homens 53% de intenção de voto, contra 40% de Serra –13 pontos de diferença. O candidato tucano tem 54% entre as mulheres e Dilma, 37% –17 pontos de diferença.

Tomando os vários segmentos, percebe-se que as diferenças de intenção de voto entre os sexos não são simétricas na comparação Dilma e Serra.

Dilma Rousseff (Gráfico 3) crava as maiores diferenças entre eleitores e eleitoras com ensino fundamental e os mais velhos (60 anos ou mais), em ambos 20 pontos de diferença; no Nordeste e entre eleitores de 35 a 59 anos, são 18 pontos.

Gráfico 3 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

As maiores diferenças para Serra (Gráfico 4) de intenção de voto entre os sexos estão no Sul e Sudeste (17 e 18 pontos percentuais), 45 a 59 anos (18 pontos percentuais) e escolaridade média (16 pontos percentuais).

Gráfico 4 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

GÊNERO NAS ELEIÇÕES: UM ASPECTO FUNDAMENTAL DE ANÁLISE

Estes novos dados mostram que a questão de gênero impacta efetivamente os resultados das eleições e que homens e mulheres têm visões diversas nos diferentes estágios do processo eleitoral. As análises de mídia e de articulistas têm deixado esta questão de lado, mas já se vislumbram novos enfoques, tendo em vista os dados empíricos que emergem das novas pesquisas e de dados do TSE.

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Análise realizada a partir de reprocessamento inédito da pesquisa Datafolha de julho de 2010. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha, com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.

Por Instituto Patrícia Galvão/ Fátima Jordão Pacheco

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voto das mulheres pesa para crescimento de Dilma e queda de Serrra, por Fátima Pacheco Jordão

Dados processados pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, e analisados por Fátima Pacheco Jordão, apresentam novos ângulos para explicar a tendência de crescimento da candidata Dilma Rousseff (PT) e de queda do candidato José Serra (PSDB).

VOLATILIDADE DO VOTO CONTINUA ALTA

Quando indagados sobre a intenção de voto presidencial, grande proporção de eleitores não declara voto espontaneamente, o que significa que ainda não há uma forte convicção na preferência por algum candidato. O patamar de volatilidade do voto permanece elevado, assim como a diferença entre os sexos. A maior taxa de indecisão de voto na resposta espontânea para presidente está entre as mulheres. Segundo a pesquisa Datafolha de 23 de julho, 59% das mulheres não citam candidatos; já entre os homens, os indecisos são 39%.

Da mesma forma, na intenção de voto estimulada os homens apontam seus candidatos em uma proporção maior que as mulheres, que mantêm a tendência histórica de definir o voto à medida que o processo eleitoral avança, ancoradas nas informações recebidas em cada estágio da campanha, até o final.

Gráfico 1 – Datafolha 01/07 e 23/07/2010; Ibope 29/07/2010.

No gráfico a seguir, pode-se observar quais são os segmentos de mulheres que menos definem candidato/a espontaneamente: são as eleitoras das regiões Norte/Centro-Oeste (63%), dos estados do Paraná (64%) e Rio de Janeiro (62%) e do Distrito Federal (62%).

Com relação a aspectos demográficos, as que menos indicam espontaneamente sua intenção de voto são as jovens de 16 a 24 anos (64%) e as que apresentam escolaridade fundamental (66%). É interessante verificar que, mesmo no segmento de escolaridade superior, as mulheres também se diferenciam dos homens: 42% delas não apontam candidato/a espontaneamente, contra 25% dos homens. Estes segmentos femininos serão os mais visados pelas campanhas durante a propaganda eleitoral.

Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

SERRA PERDE VOTOS ENTRE MULHERES, SEGUNDO DATAFOLHA

José Serra –que manteve vantagem entre as mulheres ao longo do primeiro semestre, chegando a cravar uma boa distância de Dilma Rousseff em junho (Serra 45% x Dilma 30%; Datafolha, 1º/7)– no mês de julho foi perdendo força entre o eleitorado feminino, caindo sete pontos, de 45% para 38% (Datafolha, 23/7).

Dilma Rousseff mantém a liderança na intenção de voto do eleitorado masculino, vencendo Serra neste segmento desde maio (Dilma 42% x Serra 36%). Apesar do crescimento de Dilma, persiste a distância de sua votação entre homens e mulheres, como revela o Datafolha.

DILMA EMPATA COM SERRA ENTRE MULHERES, DIZ IBOPE

Esta tendência se acentua na pesquisa Ibope, quando Serra e Dilma aparecem empatados na intenção de voto feminino (Serra 35% x Dilma 35%; Ibope, 29/7 –Gráfico 3).

A perda de patrimônio eleitoral de Serra entre as mulheres coincide com um período de maior desenvoltura de Dilma, na cobertura da sua agenda diária na televisão e nas primeiras entrevistas, que mostram uma candidata mais independente e propositiva. Ao mesmo tempo, a candidatura de Serra deixa em segundo plano o discurso sobre políticas públicas, em especial nas áreas de saúde e educação, para promover ataques mais radicais e de cunho ideológico, após a consolidação da aliança com o DEM e o protagonismo do candidato a vice, Índio da Costa.

Gráfico 3 – Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas entre maio e julho de 2010.

DILMA AVANÇA, MAS AINDA NÃO SUPERA DIFICULDADE COM MULHERES

Mesmo com a melhora do desempenho de Dilma Rousseff entre as mulheres, a dificuldade da candidata no segmento feminino permanece, inclusive nos locais em que ela lidera na intenção total dos votos –com destaque para a Bahia, onde tem alto índice de preferência dos eleitores de forma geral. Essa taxa é semelhante a que é verificada em São Paulo, estado em que Dilma tem intenção total de votos menor, o que significa que a questão de gênero é fator determinante na evolução das candidaturas.

Gráfico 4 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

MARINA E SERRA MANTÊM PEQUENA VANTAGEM ENTRE ELEITORAS

A distribuição por sexo dos eleitores de Serra e Marina continua bem semelhante. São Paulo é o único estado onde Serra mantém uma diferença mais acentuada (10%) entre o voto feminino e o masculino. Vale ressaltar que o eleitorado de Marina tem um viés feminino de 2 a 3 pontos percentuais em vários estados.

Gráfico 5 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Gráfico 6 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

2º TURNO REVELA TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO DE DILMA ROUSSEFF

A pergunta sobre intenção de voto em um eventual 2º turno capta o potencial total de voto de cada candidato, o seu estoque eleitoral no momento. Tomando-se as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope, observa-se uma tendência ascendente de Dilma. Na última pesquisa Ibope de julho há um descolamento de Dilma acima da margem de erro (Dilma 46% x Serra 40%).

Observa-se nas pesquisas Datafolha e Ibope de julho que a intenção de voto das mulheres tem peso significativo para a queda de Serra no Datafolha e para a dianteira de Dilma no Ibope.

Como na intenção de voto para o 1º turno, em relação ao 2º turno a queda de Serra deu-se particularmente entre as mulheres, aparentemente transferindo votos para Dilma (Gráfico 7).

Gráfico 7 – Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas entre maio e julho de 2010.

Serra perdeu votos em todos os segmentos femininos, principalmente nos seus redutos mais tradicionais, as regiões Sul e Sudeste, e entre eleitoras com mais de 45 anos e com escolaridade fundamental.

O que sugere uma transferência de votos de José Serra para Dilma Rousseff é o movimento das intenções de voto nas regiões Sul e Sudeste, onde Serra perde de 8 a 12 pontos e Dilma ganha de 5 a 6 pontos, e nos segmentos com escolaridade fundamental e com 60 anos ou mais, em que Serra perde 7 e Dilma ganha 4.

Tabela 1 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Gráfico 9 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Assim como o 2º turno define um estoque de votos para cada candidato, a taxa de favoritismo indica o clima das campanhas: presença mais dinâmica, cobertura de mídia, conversas em rodas sociais etc. Neste item –favoritismo– os indicadores de todas as pesquisas publicadas em julho apontam considerável vantagem para Dilma Rousseff.

Ainda mais, a pesquisa Ibope de 30/7, publicada após o Datafolha de 23/7, confirma a tendência apontada nesta análise. A consolidação ou não da vantagem da candidata Dilma, agora líder nas pesquisas de intenção de voto, irá depender de seu desempenho em debates e nos programas de propaganda eleitoral no rádio e TV.

Nesta fase da campanha, a telegenia conta muito – e é importante lembrar que o eleitorado feminino tem grande experiência e repertório para avaliar conteúdos de TV. As mulheres formam há décadas o maior contingente da audiência de televisão do país. Este é um outro fator para se olhar as eleições a partir de um ângulo de gênero. Por isso também as mulheres tornam-se agora o principal foco das estratégias de comunicação dos especialistas de marketing político.

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Gráfico 8 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Por Agência Patrícia Galvão

 
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Dilma ganha voto feminino após dizer que é mãe, diz pesquisa

Carolina Oms
Especial para Terra Magazine

A pedido do Instituto Patrícia Galvão, o Datafolha e o Ibope aplicaram um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres em suas pesquisas. Analisados pela socióloga e especialista em pesquisas de opinião, Fátima Pacheco Jordão, os dados demonstram o peso que o eleitorado feminino terá nestas eleições.

A Terra Magazine Fátima afirmou que, historicamente, o eleitorado feminino no Brasil demora mais para definir seu voto: “A mulher é muito mais seletiva, mais crítica, espera mais tempo para agregar informações”.

Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas entre maio e julho de 2010 (Fonte: Instituto Patrícia Galvão)

A comparação entre as pesquisas mostra que a candidata do PT, Dilma Rousseff, cresceu na intenção de voto feminino, empatando segundo o Ibope e diminuindo a diferença segundo o Datafolha.

Na análise da socióloga, isso ocorreu porque, nos dias que antecederam a pesquisa, Dilma começou a adquirir uma personalidade própria e “um discurso voltado para certos segmentos femininos, de que ela cuida, que ela é mãe. Aumentou a identificação entre ela e as mulheres”.

Apesar do avanço, segundo a análise de Fátima, a dificuldade da candidata no segmento feminino permanece. A diferença entre intenções de votos entre homens e mulheres varia de 7 a 13%, inclusive nos locais em que Dilma tem alto índice de preferência dos eleitores de forma geral, como na Bahia

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Os números das pesquisas mostram que o percentual de mulheres que votam em Dilma cresceu e o de José Serra (PSDB) diminuiu. Por alguns meses, Serra manteve grande vantagem entre as eleitoras. O que mudou?
Fátima Pacheco Jordão – Tem que avaliar como foram os dias que antecederam a pesquisa (Datafolha): ela foi feita em um momento que os telejornais cobriam os candidatos e a Dilma começou a adquirir uma personalidade própria e entrou com um discurso voltado para certos segmentos femininos, de que ela cuida, que ela é mãe. Aumentou a identificação entre ela e as mulheres.
Simultaneamente, houve um protagonismo do vice do Serra, que foi crítico, contundente. Ele elevou a temperatura da campanha e o grande eleitorado, sobretudo as mulheres, está muito preocupado com o que vai acontecer com políticas públicas e tem uma percepção de que, quando o candidato fica agressivo com o outro, deixa de olhar para o eleitor. A postura de antagonismo precisa ser muito bem dosada. É possível que a campanha Serra tenha surpreendido as eleitoras, porque até então o Serra vinha fazendo uma campanha muito voltada para as políticas públicas. Ele não contestava aspectos da economia, da política externa do Lula e provavelmente esse tom de crítica não foi bem dosado.
Isso é uma hipótese. O que ocorreu efetivamente foi a Dilma mais voltada para um discurso que agrada as mulheres e a campanha Serra adquirindo um tom mais agressivo, talvez o timing dessa crítica não tenha sido adequado.

A pesquisa também mostra que a volatilidade do voto feminino é maior. Essa é uma característica dessa eleição ou da política no Brasil como um todo?
Como um todo e há muitas eleições. A mulher é muito mais seletiva, mais crítica, espera mais tempo para agregar informações. Na véspera da eleição, as pesquisas mostram que as mulheres são maioria entre os indecisos. Provavelmente, elas querem ouvir mais, ler mais e são mais desconfiadas. Além do que, a campanha, nessa fase final, adquire um repertório de assuntos muito mais próximo das mulheres: no horário eleitoral, fala-se, sobretudo de políticas públicas, políticas sociais, saúde, educação, transporte, segurança. Até agora, a campanha política, até poucas semanas atrás, é jogo de poder. Agora as campanhas entram na fase de “como vamos falar pro eleitor?” e o eleitor entende de cotidiano. A fase da campanha em que as mulheres entendem o que os políticos estão dizendo vem agora.
Os homens estão mais preocupados com salário, com emprego, com capacidade de ascensão. Eles não vão à reunião de pais e mestres, ele não levam filho pra vacinar, eles frequentam menos o sistema público de saúde. Essa é uma fase que a campanha se feminiza, vai pra dentro de casa, vai pra televisão… E a mulher tem muito traquejo em TV, ela assiste mais do que o homem. É uma fase que há uma maior sensibilização entre as mulheres.

Há resistência do eleitorado feminino em votar em mulheres?
Ficou provado que não. Isso é um mito. Na verdade, é maneira de interpretar erroneamente uma situação que é desigual, não há paridade política: o Brasil elege 12 a 13% de mulheres. Não havendo essa paridade, a interpretação é que as mulheres são a maioria do eleitorado, então mulher não vota em mulher. Nessa eleição isso foi francamente confrontado, nós temos duas candidatas mulheres. Nunca o Brasil teve candidatas competitivas para a presidência, mas várias mulheres foram eleitas em governos e prefeituras, como em São Paulo.

A candidata Marina Silva, no entanto, possui distribuição de eleitores por sexo semelhante a de Serra. Dilma pode ter alguma qualidade que o eleitorado feminino rejeita?
É provável, porque só agora a candidatura Dilma está vencendo essa barreira. Ela conseguiu empatar, no eleitorado feminino, com o Serra em alguns itens, como intenção de voto. Mas eu tenho a impressão que é uma questão de campanha, de comunicação. Há vários segmentos de mulheres, é difícil falar “as mulheres”. Alguns segmentos rejeitam pelo segmento ideológico, outras rejeitam por ainda não enxergarem nela qualidades que justifiquem a continuidade, outras por não saberem direito o que ela pensa sobre saúde, educação, porque a campanha ainda não esclareceu isso.

Por Terra Magazine/Carolina Oms

 
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