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voto das mulheres pesa para crescimento de Dilma e queda de Serrra, por Fátima Pacheco Jordão

13 ago

Dados processados pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, e analisados por Fátima Pacheco Jordão, apresentam novos ângulos para explicar a tendência de crescimento da candidata Dilma Rousseff (PT) e de queda do candidato José Serra (PSDB).

VOLATILIDADE DO VOTO CONTINUA ALTA

Quando indagados sobre a intenção de voto presidencial, grande proporção de eleitores não declara voto espontaneamente, o que significa que ainda não há uma forte convicção na preferência por algum candidato. O patamar de volatilidade do voto permanece elevado, assim como a diferença entre os sexos. A maior taxa de indecisão de voto na resposta espontânea para presidente está entre as mulheres. Segundo a pesquisa Datafolha de 23 de julho, 59% das mulheres não citam candidatos; já entre os homens, os indecisos são 39%.

Da mesma forma, na intenção de voto estimulada os homens apontam seus candidatos em uma proporção maior que as mulheres, que mantêm a tendência histórica de definir o voto à medida que o processo eleitoral avança, ancoradas nas informações recebidas em cada estágio da campanha, até o final.

Gráfico 1 – Datafolha 01/07 e 23/07/2010; Ibope 29/07/2010.

No gráfico a seguir, pode-se observar quais são os segmentos de mulheres que menos definem candidato/a espontaneamente: são as eleitoras das regiões Norte/Centro-Oeste (63%), dos estados do Paraná (64%) e Rio de Janeiro (62%) e do Distrito Federal (62%).

Com relação a aspectos demográficos, as que menos indicam espontaneamente sua intenção de voto são as jovens de 16 a 24 anos (64%) e as que apresentam escolaridade fundamental (66%). É interessante verificar que, mesmo no segmento de escolaridade superior, as mulheres também se diferenciam dos homens: 42% delas não apontam candidato/a espontaneamente, contra 25% dos homens. Estes segmentos femininos serão os mais visados pelas campanhas durante a propaganda eleitoral.

Gráfico 2 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

SERRA PERDE VOTOS ENTRE MULHERES, SEGUNDO DATAFOLHA

José Serra –que manteve vantagem entre as mulheres ao longo do primeiro semestre, chegando a cravar uma boa distância de Dilma Rousseff em junho (Serra 45% x Dilma 30%; Datafolha, 1º/7)– no mês de julho foi perdendo força entre o eleitorado feminino, caindo sete pontos, de 45% para 38% (Datafolha, 23/7).

Dilma Rousseff mantém a liderança na intenção de voto do eleitorado masculino, vencendo Serra neste segmento desde maio (Dilma 42% x Serra 36%). Apesar do crescimento de Dilma, persiste a distância de sua votação entre homens e mulheres, como revela o Datafolha.

DILMA EMPATA COM SERRA ENTRE MULHERES, DIZ IBOPE

Esta tendência se acentua na pesquisa Ibope, quando Serra e Dilma aparecem empatados na intenção de voto feminino (Serra 35% x Dilma 35%; Ibope, 29/7 –Gráfico 3).

A perda de patrimônio eleitoral de Serra entre as mulheres coincide com um período de maior desenvoltura de Dilma, na cobertura da sua agenda diária na televisão e nas primeiras entrevistas, que mostram uma candidata mais independente e propositiva. Ao mesmo tempo, a candidatura de Serra deixa em segundo plano o discurso sobre políticas públicas, em especial nas áreas de saúde e educação, para promover ataques mais radicais e de cunho ideológico, após a consolidação da aliança com o DEM e o protagonismo do candidato a vice, Índio da Costa.

Gráfico 3 – Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas entre maio e julho de 2010.

DILMA AVANÇA, MAS AINDA NÃO SUPERA DIFICULDADE COM MULHERES

Mesmo com a melhora do desempenho de Dilma Rousseff entre as mulheres, a dificuldade da candidata no segmento feminino permanece, inclusive nos locais em que ela lidera na intenção total dos votos –com destaque para a Bahia, onde tem alto índice de preferência dos eleitores de forma geral. Essa taxa é semelhante a que é verificada em São Paulo, estado em que Dilma tem intenção total de votos menor, o que significa que a questão de gênero é fator determinante na evolução das candidaturas.

Gráfico 4 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

MARINA E SERRA MANTÊM PEQUENA VANTAGEM ENTRE ELEITORAS

A distribuição por sexo dos eleitores de Serra e Marina continua bem semelhante. São Paulo é o único estado onde Serra mantém uma diferença mais acentuada (10%) entre o voto feminino e o masculino. Vale ressaltar que o eleitorado de Marina tem um viés feminino de 2 a 3 pontos percentuais em vários estados.

Gráfico 5 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Gráfico 6 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 23 de julho de 2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

2º TURNO REVELA TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO DE DILMA ROUSSEFF

A pergunta sobre intenção de voto em um eventual 2º turno capta o potencial total de voto de cada candidato, o seu estoque eleitoral no momento. Tomando-se as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope, observa-se uma tendência ascendente de Dilma. Na última pesquisa Ibope de julho há um descolamento de Dilma acima da margem de erro (Dilma 46% x Serra 40%).

Observa-se nas pesquisas Datafolha e Ibope de julho que a intenção de voto das mulheres tem peso significativo para a queda de Serra no Datafolha e para a dianteira de Dilma no Ibope.

Como na intenção de voto para o 1º turno, em relação ao 2º turno a queda de Serra deu-se particularmente entre as mulheres, aparentemente transferindo votos para Dilma (Gráfico 7).

Gráfico 7 – Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas entre maio e julho de 2010.

Serra perdeu votos em todos os segmentos femininos, principalmente nos seus redutos mais tradicionais, as regiões Sul e Sudeste, e entre eleitoras com mais de 45 anos e com escolaridade fundamental.

O que sugere uma transferência de votos de José Serra para Dilma Rousseff é o movimento das intenções de voto nas regiões Sul e Sudeste, onde Serra perde de 8 a 12 pontos e Dilma ganha de 5 a 6 pontos, e nos segmentos com escolaridade fundamental e com 60 anos ou mais, em que Serra perde 7 e Dilma ganha 4.

Tabela 1 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Gráfico 9 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Assim como o 2º turno define um estoque de votos para cada candidato, a taxa de favoritismo indica o clima das campanhas: presença mais dinâmica, cobertura de mídia, conversas em rodas sociais etc. Neste item –favoritismo– os indicadores de todas as pesquisas publicadas em julho apontam considerável vantagem para Dilma Rousseff.

Ainda mais, a pesquisa Ibope de 30/7, publicada após o Datafolha de 23/7, confirma a tendência apontada nesta análise. A consolidação ou não da vantagem da candidata Dilma, agora líder nas pesquisas de intenção de voto, irá depender de seu desempenho em debates e nos programas de propaganda eleitoral no rádio e TV.

Nesta fase da campanha, a telegenia conta muito – e é importante lembrar que o eleitorado feminino tem grande experiência e repertório para avaliar conteúdos de TV. As mulheres formam há décadas o maior contingente da audiência de televisão do país. Este é um outro fator para se olhar as eleições a partir de um ângulo de gênero. Por isso também as mulheres tornam-se agora o principal foco das estratégias de comunicação dos especialistas de marketing político.

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Gráfico 8 – Datafolha/Agência Patrícia Galvão, 1º/07 e 23/07/2010. Reprocessamento inédito por sexo realizado com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão.

Por Agência Patrícia Galvão

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Publicado por em 13/08/2010 em Uncategorized

 

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