RSS

Arquivo diário: 20/08/2010

complexidade? criatividade!

estudo da IBM com mais de 1.500 líderes dos mais diversos tipos de organizações, inclusive do setor público, em todo mundo, dá conta de uma percepção cada vez maior de aumento da complexidade de fazer [e manter] negócios de qualquer tipo, em qualquer região, especialmente negócios globais e de classe mundial.

os CEOs que participaram da pesquisa não só identificam um aumento de complexidade nos mercados, produtos serviços, competição e nos seus próprios negócios…

…mas uma boa parte deles se sente despreparada para enfrentar o desafio de um significativo aumento da complexidade de suas operações e relações dentro do curto e médio prazos, como mostra a figura abaixo.

traduzindo as duas figuras acima em miúdos, para 3 em cada 5 CEOs a coisa já está bem complicada; para 4 em cada 5, o ambiente de negócios vai ficar ainda mais complexo nos próximos cinco anos. na minha opinião, é bem provável que o 1 em cada 5 que acha vamos continuar como estamos… está enganado e vai levar um algum tipo de susto radical dentro desta meia década, destes que podem transferir sua empresa para o grande cemitério dos CNPJs. finalmente, só 5 em cada 10 CEOs se sente preparado para a complexidade esperada nos seus negócios, mesmo que ela não mude muito em relação à atual.

um dos líderes consultados pela IBM dá uma resposta que parece típica frente a tal cenário: “em relação aos outros, estamos preparados; mas em termos absolutos, vai ser difícil”.

para quem está liderando algum negócio ou está pensando em começar um, o estudo vale a pena, inclusive porque compara tendências desde 2004, quando foi realizado pela primeira vez. uma delas está no gráfico abaixo [difícil de ser visualizado na resolução deste blog; pegue o original, em .pdf], que mostra o aumento da importância de fatores tecnológicos [em roxo] na complexidade dos ambientes de negócios, agora só inferior a fatores oriundos do próprio mercado [em azul], e acima de fatores macroeconômicos [verde] e de capital humano [laranja].

talvez seja interessante acrescentar uma observação sobre o diagrama acima. é bem possível que as mudanças tecnológicas, especialmente das tecnologias de informação e comunicação, que perpassam todas as empresas e negócios, tenham sido percebidas apenas do ponto de vista dos negócios e seu planejamento, operação e gestão, ou seja, “dentro” da empresa.

mas os mercados estão cada vez mais em rede, no sentido em que os usuários e consumidores passaram a determinar boa parte do ciclo de vida de informação sobre produtos e serviços oferecidos pelas empresas, e agora fazem isso completamente fora do controle das empresas. um CEO consultado no estudo disse que “parece que temos mais dados [sobre os clientes] mas nossa informação parece ser pior…” o que é quase certamente verdadeiro.

a maior mudança pela qual as empresas estão passando agora é a transformação do “consumidor” em usuário em rede. esta mudança, por sua vez, vai causar mudanças radicais nos próximos anos, começando por uma abertura cada vez maior das empresas para seus parceiros [parte de sua rede de valor] e clientes [agora, usuários]. neste cenário em rede, liderar não vai ser fácil, pois a dinâmica dos negócios e mercado é determinada, em boa parte, por agentes externos à empresa… qualquer empresa.

boa parte do que líderes de negócios de todos os tipos chama de “complexidade” advém do aumento radical do número de fatores a tratar em todos os tipos de mercado, absoluta maioria dos quais relacionada ao aumento exponencial da participação de usuários em rede nas atividades dos negócios e nas consequências disso para estes novos, digamos, negócios em rede. o blog publicou uma série de artigos sobre o assunto, que começa neste texto, contendo as ligações para todos os outros. vá ver.

pra saber mais um pouco do que estamos falando, a zona de complexidade da matriz de stacey é aquela onde estão os problemas difíceis de enquadrar, para os quais as relações de causa e efeito [ainda] não são claras, onde muita gente é dono da bola e do campo e dá pitaco sobre tudo [quase sempre sem saber porque], quando o problema evolui enquanto está sendo tratado e para o qual, mesmo considerado estático, não há um único conjunto de soluções e, como se não bastasse, quando não é possível estabelecer uma medida objetiva de sucesso para tentativas de solução. bote tudo isso junto e você tem uma boa aproximação do que é complexidade nos negócios.

para liderar em tais ambientes, naturalmente fluidos e agora em rede, onde as mudanças tecnológicas em alta velocidade e intensidade redefinem, constantemente, os cenários para empresas e até países, que característica principal se exigirá dos líderes? a resposta, lógica e confirmada pelos mais de 1.500 executivos mundiais consultados pela IBM, é criatividade. a arte de lidar, o tempo todo e com bom senso [inclusive de risco] com situações que estão lá naquela zona de complexidade.

eu acho que criatividade na liderança de organizações de qualquer tipo é algo que pode ser definido pela combinação de duas expressões que usam apenas tres palavras: consecução [aqui, a combinação de concepção e execução, nem tão longe do original], emergente e estratégia. criatividade na liderança é combinar a consecução emergente de estratégias com a consecução de estratégias emergentes. parece jogo de palavras mas não é; reflita sobre o uso de tais combinações na zona de complexidade da matriz de stacey e um dia destes voltamos ao assunto. enquanto isso, vá ler o relatório da IBM e o texto do blog sobre empresas em rede…

Por Terra Magazine/Silvio Meira

Anúncios
 
Comentários desativados em complexidade? criatividade!

Publicado por em 20/08/2010 em Uncategorized

 

Tags: ,

Militância virtual no Brasil é redundante, diz especialista

Barack Obama não foi o pioneiro no uso da internet como aliada na busca de votos e de apoio financeiro para a campanha eleitoral, mas, certamente, soube utilizá-la com eficiência nunca antes vista. O sucesso das táticas adotadas, em 2008, pela equipe de mídia digital do então candidato à presidência dos Estados Unidos foi tão arrebatador que associar o nome Obama à grande rede mundial de computadores se tornou quase uma obviedade.

As estratégias dele viraram modelo, estudo de caso e inspiração para candidatos políticos brasileiros, que, neste pleito, com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de flexibilizar as regras para divulgação de campanhas na internet, decidiram surfar – alguns meio desequilibrados na prancha – para valer na onda virtual.

Especialista em mídia digital, o publicitário Pedro Sorrentino destaca que os mares daqui não são exatamente como os mares de lá. Portanto, é preciso se adaptar à realidade local. Em entrevista a Terra Magazine, ele comenta as diferenças entre os cenários norte-americano e o brasileiro, fala sobre doações de campanha pela internet e sobre o trabalho digital desenvolvido pelas equipes dos três presidenciáveis mais bem colocados nas pequisas.

Sorrentino, que é um dos autores do documentário Obama digital, afirma que, diferentemente do que ocorreu na última corrida presidencial dos Estados Unidos, a internet não terá tanto poder de decisão nestas eleições. O publicitário critica, ainda, a atuação da militância virtual no Brasil, que considera “redundante”.

– Nós que trabalhamos com internet vivemos em uma microbolha tecnológica, em especial, no Brasil. Para esses caras é a mesma coisa. Militantes devem se comunicar ou buscar engajar pessoas comuns, que usam a web, mas não estão envolvidas com a causa política. Repetir a mesma mensagem ou atacar a oposição não me parecem ser os melhores caminhos.

Confira a entrevista.

A campanha digital do presidente norte-americano Barack Obama, em 2008, acabou se transformando numa referência para políticos brasileiros. A questão é que são duas realidades distintas. O número de pessoas com acesso à internet nos Estados Unidos, por exemplo, é bem superior ao daqui. Quero que você comente essas diferenças de cenários.
Pedro Sorrentino – Acredito que o cenário é muito diferente. Não apenas por conta dos números. O comportamento do eleitor e a maturidade do processo democrático são muito importantes também. Hoje não temos nem 70% da população com acesso a internet em casa e o voto no Brasil é obrigatório.
Quem irá comandar essa eleição é a televisão e não a internet, em especial para a campanha presidencial. O que mudou é o fato de ser indispensável a presença digital de um candidato, quem não estiver na web em 2010 deixará de ganhar muito. O engajamento tem se mostrado diferente também. A maturidade da nossa democracia, com a soma das leis eleitorais e o tipo de participação online que tem acontecido no pleito também são aspectos bem diferentes. Aqui, temos uma bolha de pessoas que já estão com suas ideias formadas, os militantes digitais. Nos Estados Unidos, muitos indecisos formaram a sua opinião por conta dos meios digitais.

Quais as principais estratégias usadas na campanha de Obama, em 2008, e o que seria aplicável à realidade brasileira? O que não funcionaria, por exemplo?
O e-mail marketing foi usado de forma brilhante. Em tempo real e com mensagens muito relevantes, aliado a links para landing pages (páginas de destino) que eram customizadas para a mensagem específica, ao invés de mandar o usuário para a home do website do candidato. Contudo, o que fez da campanha de Obama algo brilhante foi mesmo a capacidade de adaptar as mensagens (valores e missão) para diferentes mídias. Não foi a web que o elegeu. A inteligência de mídia, que resultou em um movimento de base no mundo real, fez a grande diferença.
A web vai servir muito no Brasil para candidatos a Deputado Estadual,Federal e Senadores. Em especial, os desconhecidos ou que apoiam uma causa de nicho.
Mas há leis muito limitantes, como a campanha ter uma data específica para começar. Isso é um grande contra senso na era da informação que vivemos. Nenhum candidato começa uma campanha (em especial online) a partir da 12h01. Nos Estados Unidos, Obama começou seu trabalho online (junto com Hillary e John Edwards) dois anos antes. Isso muda tudo. Na web você não estoura de um dia para o outro sem um bom trabalho de base. Seja com conteúdo ou comprando mídia.

Neste pleito, os candidatos, especialmente os presidenciáveis, estão demonstrando uma notada preocupação com as mídias sociais, uma possível consequência do “efeito Obama”. O investimento tem sido alto. Qual análise você faz das campanhas dos presidenciáveis na internet?
O investimento tem sido alto e isso é bom para todos. Havia muita expectativa de todos os lados (candidatos e estrategistas) para que as coisas acontecessem como o que rolou com o Obama. Contudo, nossa realidade é diferente. Em várias esferas. Como a democracia, o perfil dos candidatos e adoção da população a causas políticas online. Acredito que o trabalho digital dos três principais presidenciáveis tem sido muito bom.
Alguns estão mais bem preparados do que outros, pois independente do estrategista que você tiver, o interessante das mídias sociais é que elas são uma porta aberta e honesta. Se o candidato não entender a dinâmica da rede, rodar scripts ou mostrar que é tudo engessado demais, o sucesso será pequeno. Apesar de que Obama nunca tuitou pelo seu perfil. O ideal é manter os candidatos usando as ferramentas e interagindo com um nível mínimo de moderação para afastar os trolls (no jargão da internet, pessoa que tenta provocar polêmica, desestabilizando uma discussão) e manter o debate saudável. Obama entendia a dinâmica da rede e aparecia publicamente usando seu Blackberry e MacbookPro.

Grande parte das doações de campanha recebidas por Obama veio por meio da internet. No Brasil, este tipo de artifício para arrecadar verba ainda é muito incipiente. Por que isso acontece?
Desde 2002, já havia a possibilidade de receber doações online no Estados Unidos. Howard Dean (pré-candidato pelo partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, nas eleições de 2004), que foi o primeiro candidato digital americano, arrecadou U$22 milhões com a web. Em uma época que não existia Social Media como hoje.
No Brasil, para você doar, precisa de cartão de crédito, o que limita muito o público alvo. Somado isso, você tem uma questão cultural. Poucas pessoas físicas acham interessante ou têm fé nesse tipo de atitude, tanto que um dos candidatos resolveu nem abrir essa possibilidade.
A equipe de Obama desenvolveu um ecossistema de doação competitiva muito interessante. Souberam explorar a cultura meritocrática e competitiva dos Estados Unidos. No Brasil, só há doações de quem precisa fazer lobby, além de alguns gato pingados que não farão a diferença como o que aconteceu por lá. Quem sabe em 2014 não veremos mais participação. É importante os canais continuarem abertos.

Com a decisão do TSE de flexibilizar as regras de uso da internet, esta é a primeira eleição em que a rede mundial de computadores está sendo usada de forma mais efetiva e regulamentada. Como você avalia a atuação da militância ,virtual brasileira? Quais os principais erros e acertos?
Acho que a militância virtual é importante, mas muitas vezes redundante. Nós que trabalhamos com internet vivemos em uma microbolha tecnológica, em especial, no Brasil. Para esses caras é a mesma coisa. Militantes devem se comunicar ou buscar engajar pessoas comuns, que usam a web, mas não estão envolvidas com a causa política. Repetir a mesma mensagem ou atacar a oposição não me parecem ser os melhores caminhos.

Quais as vantagens e desvantagens da campanha feita pela internet?
A vantagem é o baixo investimento inicial, em especial, se você comparar com os preços de mídia impressa ou televisiva. Você tem mais liberdade criativa, pois não se trata apenas do que acontece para quem está atrás de um computador ou celular, o jogo de sucesso é transferir a lógica da organização online para eventos e reuniões offline. Só que a realidade de qualquer empreitada digital é dura. Para ter sucesso, você precisa aliar conhecimento técnico com inteligência. Isso tem um preço, que acaba equivalendo com o valor das outras mídias.

Um dos recursos usados na campanha de Obama foi a comunicação via SMS. Quero que você fale um pouco mais sobre a estratégia.
O uso do SMS nos Estados Unidos é um pouco diferente, pois você paga para receber as mensagens, não só para enviar. Sendo assim, quem estava inscrito no Opt-In da lista de Obama eram pessoas altamente engajadas, interessadas, que reverberariam as mensagens. Ele entendeu quem era esse público-alvo especial e soube tratar isso. A divulgação de Joe Biden em primeira-mão para essas pessoas foi um ótimo exemplo. Tratar com prioridade os influenciadores de sua campanha. Mesmo a CNN furando a notícia, a iniciativa foi tão inovadora que teve ótima receptividade.

 
Comentários desativados em Militância virtual no Brasil é redundante, diz especialista

Publicado por em 20/08/2010 em Uncategorized

 

Tags:

 
%d blogueiros gostam disto: