RSS

Arquivo diário: 25/08/2010

urnas da índia são frágeis. e as do brasil?…

a notícia correu o mundo: o “TSE” da índia mandou prender hari prasad, indiano que participou de um grupo de pesquisadores que quebrou a segurança da urna eletrônica indiana de mais de uma forma, em teste feito juntamente com pesquisadores da universidade de princeton, que tem um nome não trivial no mercado de reputações acadêmicas, sendo nada mais nada menos do que a instituição de einstein e gödel, entre muitos outros.

pra lembrar o contexto local, o blog publicou uma longa série sobre segurança das urnas eletrônicas brasileiras [que são apenas uma parte do sistema eleitoral] em 2008, antes das últimas eleições. a posição de nosso TSE, à época, de que [claro…] as urnas são absolutamente seguras, está neste link [de onde se pode chegar a outros cinco textos sobre a eleição eletrônica no brasil]… ao que se seguiu uma carta aberta de uma das empresas que participaram do processo de fabricação das urnas brasileiras dizendo que claro que não, as urnas são inseguras. e dizendo porque, o que você pode ler neste link. ainda hoje vale a pena ler, vá lá.

mais recentemente, em abril deste ano, o blog chamou atenção para o relatório do CMIND, o comitê multidisciplinar independente que acompanha o processo eleitoral, dando conta de que a… concentração de poderes no sistema eleitoral brasileiro não permite auditoria independente.

e aí apareceram estas notícias da índia e o artigo de halderman et al., do qual prasad participou, mostrando como a urna indiana é susceptível a uma série de ataques capazes de fraudar sua segurança e contaminar todo o processo eleitoral.

pois bem: o blog resolveu perguntar a amílcar brunazo filho, membro do CMIND, o que é que ele acha disso tudo. brunazo, 60, é engenheiro, assistente técnico em perícias em urnas eletrônicas, acompanha o desenvolvimento dos sistemas do TSE desde 2000 e conhece o nosso sistema e suas urnas como poucos.

a pergunta do blog foi… brunazo, face às notícias sobre as falhas de segurança das urnas eletrônicas da índia [e a proximidade de mais uma eleição nacional e estadual, no brasil]… como andam as coisas por aqui? o que a situação da índia tem a ver com a do brasil?

a resposta de brunazo, didática, chegou por emeio e está reproduzida ipsis litteris abaixo, com negritos nossos. leia com calma, para não chegar a conclusões precipitadas; se tiver dúvidas, clique nos links deste texto e nos links que estão nos textos correspondentes a estes links antes de tirar suas conclusões:

O Brasil e a Índia são os únicos países que ainda usam máquinas de votar de 1ª geração em larga escala. Máquinas dessa geração estão sendo abandonadas e até proibidas em outros países, como nos EUA, Rússia, Holanda e Alemanha. Até o Paraguai abandonou as 20 mil urnas brasileiras que tinha recebido de graça.

Máquinas de votar de 1ª geração tem por característica a gravação eletrônica direta do voto e são denominadas DRE (de Direct Recording Electronic voting machines). Estas máquinas (DRE) são consideradas equipamentos de votação de 1ª geração porque não atendem ao “Princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais”, isto é, não possibilitam uma conferência da apuração que seja feita de uma forma independente do próprio software das urnas-e.

Os equipamentos de votação mais avançados, de 2ª e de 3ª geração, atendem ao “Princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais” e possibilitam uma conferência da apuração totalmente independente do próprio software das urnas-e.

A diferença técnica entre as urnas-e brasileiras e indianas é que estas tem software fixo (firmware) gravados em chip soldados na placa-mãe enquanto as brasileiras possuem software variável (modificado a cada eleição) carregados por meio de um soquete externo (flash-card externo “de carga”). Por este detalhe, o modelo indiano dá mais trabalho para ser violado.

Uma demonstração de violação urnas de modelo idêntico ao brasileiro (de carga externa do software) havia sido apresentada em 2006 (veja este link) por uma equipe de Princeton que incluia o Prof. J. Alex Halderman. Agora, em 2010, foi apresentada uma demonstração de violação das urnas indianas (clique aqui para saber mais) pelo mesmo Halderman e pelo ativista indiano Hari Prasad, que conseguiu um exemplar de urna indiana de fonte anônima.

Em vez de reconhecer a inevitável fragilidade das máquinas de votar de 1ª geração e proceder a migração para uma geração mais avançada e segura, a Comissão Eleitoral da Índia (equivalente do nosso TSE) laborou para prender o Hari Prasad para que ele revele a fonte que lhe forneceu uma urna para teste. Enfim, optaram por “retirar o sofá da sala” quando descobriram que o “Ricardão estava confraternizando com a mulher no dito sofá”.

E há mais alguns pontos em comum nos procedimentos das autoridades eleitorais da Índia e do Brasil: 1. ambos afirmam repetidamente que seus equipamentos são 100% seguros contra fraude; 2. em julho de 2009, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou que permitiria um teste de segurança público em suas urnas; 3. imediatamente depois (ago/2009) o nosso TSE fez o mesmo anúncio; 4. como as condições de ambos testes eram muito restritivas, ninguém se apresentou para os testes públicos, nem lá, nem cá. No Brasil, os partidos que haviam previamente solicitado o teste desistiram diante das restrições impostas.

Aí surgiram umas diferenças: 1. em ago/09, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou o “sucesso” de seu equipamento já que ninguém se apresentou para tentar violá-lo; 2. em out/09, observando a repercussão negativa do “teste sem testadores” na Índia, o nosso TSE enviou convites-convocações para uma porção de repartições públicas para que enviassem pretensos “hackers” para participar de seus testes. Os funcionários públicos enviados e outros convidados não tinham nenhuma capacitação para tal serviço e não tiveram sucesso; 3. em mar/10, o Hari Prasad conseguiu um exemplar da urna indiana e levou-a para ser testada pelo pessoal de Princeton. Como os “testadores”, agora, eram capazes para o serviço, o teste teve sucesso.

Eu tenho certeza que as urnas brasileiras também não resistiriam a um ataque realizado por gente capaz.

Por Terra Magazine/Silvio Meira
Leia mais neste blog sobre o assunto: tag Eleições 2010

Anúncios
 
Comentários desativados em urnas da índia são frágeis. e as do brasil?…

Publicado por em 25/08/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Jornais resistem, no papel

A morte anunciada dos jornais não deu em nada. Não que tudo tenha voltado a ser como antes. Há mudanças no negócio de se fazer jornal. Mas a catástrofe prevista, nas considerações de Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entrou para o rol das profecias que não se cumprem. Os sinais estão por toda a parte. No Brasil, assim como nos países emergentes, a leitura e os títulos disponíveis no mercado crescem. Nos EUA, um dos maiores mercados, parou de cair. Na Alemanha e no Japão seguem sendo um bom investimento. Mas a melhor notícia, em termos de futuro, está nas perspectivas do veículo. E elas são boas. Há jovens lendo jornais. E, em papel.

Da França vem uma das sinalizações mais otimistas. A Editora La Play Bac, dedicada a um público entre 6 e 18 anos, mantém três títulos específicos para esse target com 150 mil exemplares diários, para assinantes, de segunda a sábado. No Japão, o mais conectado dos países entre os absorvidos pelo potencial da era digital, detém cinco dos dez maiores jornais em circulação no mundo. Vende cerca de 28 milhões de exemplares impressos todos os dias _ e não são apenas os vetustos senhores que lêem.

Na agência de propaganda Talent, uma pesquisa encomendada para entender o que desperta o interesse de homens na faixa etária de 28 a 35 anos, solteiros, sem filhos e que haviam decidido por comprar um modelo de carro sedan (tido como desejo de tiozinho), revelou que eles cultivam símbolos de maturidade. Entre os hábitos que passam a desenvolver está a leitura de jornais. “Eles apontam que o impresso oferece uma curadoria que lhes dá a segurança de ter as informações que as pessoas com mais experiência têm”, explica a responsável pelo estudo, Mari Zampol, diretora de planejamento da agência. “A rede social desse jovem, a dinâmica da busca da informação na web, não necessariamente cumpre esse papel de curadoria das informações”.

O reconhecimento do valor do jornal impresso e a sua resistência acima dos prognósticos iniciais, na opinião de Pedreira, tornam evidentes que o seu poder é muito maior do que se imaginava. “Trata-se de algo intangível, que fica claro na necessidade dos leitores por contextualização, edição e também pela linha editorial da marca jornalística que adotam. Ouço pessoas falarem dos seus jornais como se fossem um amigo e companheiro diário, com quem gostam compartilhar o dia”.

Júlio Ribeiro, presidente do Grupo Talent, insiste que a experiência física proporcionada pelo jornal não é substituível, nem mesmo por um iPad, o tablet que o bilionário das comunicações Rupert Murdoch festejou como sendo o futuro nos jornais, ao apresentar os bons resultados semestrais se sua companhia para analistas na quinta-feira. “Nós vivemos de sensações e folhear o jornal é uma delas. Isso sem falar que ali está organizado um material que a internet oferece em quantidades que acabam estressando as pessoas”, diz Ribeiro ao lembrar ainda que “sempre que uma tecnologia chega, prenunciasse a morte de outra. Mas o mundo segue multimídia e todas acham seus espaços”.

Reconhecido frasista, o publicitário Nizan Guanaes, sócio do Grupo ABC, resume a atual fase se ressurreição do veículo: “Jornal é como uma instituição bancária. É crédito. O anúncio publicado no jornal ganha credibilidade. E isso não vai acabar, só porque as pessoas estão num momento de fascinação pela descoberta da internet”.

Os apocalípticos estipularam datas para o fim dos noticiários impressos. Entre eles, em 2006, figurou a revista britânica The Economist, respeitada por sua seriedade editorial. Há duas semanas a publicação se redimiu e publicou matéria em que reconhece que se precipitou. O negócio dos jornais tem bem mais saúde do que tinha avaliado. Diz, entretanto, que a sobrevivência de longo prazo não está garantida, uma vez que fortes ajustes foram feitos nos últimos três anos, como, por exemplo, a extinção de 13,5 mil empregos na área só nos EUA.

O professor Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas University of Texas at Austin, acho mesmo que o jornal impresso vai resistir por muito tempo. “Trata-se de uma ótima interface, portátil, flexível, etc. Algum dia, no entanto, ela poderá se tornar obsoleta. Mas não e pra já. Faz três anos, que fui um dos 23 especialistas consultados pela Associação Mundial de Jornais (WAN em inglês) para escrever sobre como víamos o jornal em 2020. Eu disse naquela ocasião, e continuo achando, que haverá jornal em papel em 2020, mas a edição em papel será secundaria na operação da empresa jornalística. Mais importante do que achar que o jornal impresso esta resistindo é observar o quanto as empresas de jornal estão mudando, transformando-se de monomídia em multimídia, adaptando-se ao novo ecossistema midiático da era digital, que é bem diferente daquele que tínhamos na era industrial”.

No Brasil, em particular menos afetado pela crise econômica mundial, de janeiro a junho de 2010, os investimentos publicitários no meio jornal Brasil cresceram para R$ 7,492 bilhões ante R$ 6,314 bilhões no mesmo período em 2009, segundo dados do Ibope Monitor. O meio jornal ocupa o segundo lugar na preferência dos anunciantes, após a televisão aberta, com participação de 21,4% no bolo publicitário. A oferta de produtos cresce com novos lançamentos e expansão de títulos. No domingo, chegou ao mercado o diário esportivo Campeão, do grupo português Ongoing, que havia lançado, no final do ano passado, o jornal Brasil Econômico. O seguimento de populares e gratuitos ganhou nos últimos meses as publicações: Mais, Exclusivo, MTV na Rua e a Grana.

A circulação também segue em curva ascendente. Houve aumento de 2% na circulação das publicações no primeiro semestre de 2010, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC). E, entre as dez maiores publicações no mercado nacional, o jornal O Estado de S.Paulo obteve o melhor resultado com uma variação positiva de 7,69% quando comparado volume total de circulação no primeiro semestre deste ano em relação aos seis meses do mesmo período no ano anterior.

Por OESP/Marili Ribeiro

 
Comentários desativados em Jornais resistem, no papel

Publicado por em 25/08/2010 em Uncategorized

 

Tags:

 
%d blogueiros gostam disto: