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Arquivo diário: 30/08/2010

Nordeste dita a tendência do eleitor na sucessão 2010

As tendências costumam partir dos centros em direção à periferia. É assim no vestuário, na tecnologia, no design. O que é moda em Milão hoje, será moda em São Paulo amanhã, e em Xiririca da Serra no dia seguinte. E na hora de votar? Onde fica o centro e quem está na periferia?
Na eleição 2010, quem dita a tendência é o Nordeste. Quando José Serra (PSDB) ainda liderava sozinho as pesquisas sobre a sucessão presidencial, os eleitores nordestinos já preferiam Dilma Rousseff (PT). À época, era comum atribuir esse comportamento ao assistencialismo do governo Lula na região.
O tempo mostrou que essa explicação é reducionista e insuficiente. Reducionista porque desde sempre a preferência por Dilma incluiu os nordestino ricos e pobres, escolarizados ou não, com e sem bolsa federal. E insuficiente porque ela não explica o fato de essa tendência ter extrapolado as fronteiras do Nordeste.
A mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo dá pistas importantes para se entender melhor o porquê de a “onda vermelha” ter se espalhado de lá para o Norte/Centro-Oeste, para o Rio de Janeiro, depois para Minas Gerais, para São Paulo e finalmente chegar ao Sul do Brasil.
Tudo aponta para a ideia da continuidade. Mas por que o eleitor quer mais do mesmo, em vez de variar um pouco? A fila andou e incluiu dezenas de milhões no mundo do consumo. Mas, tão importante quanto, os eleitores avaliam que ela continua andando. Principalmente no Nordeste.
Na era Fernando Henrique, o controle da inflação trouxe estabilidade e evitou a corrosão da renda de praticamente todos os brasileiros. O efeito lhe rendeu duas eleições presidenciais, mas acabou se esgotando. A economia voltou à letargia. Após oito anos, o eleitor preferiu a ruptura à continuidade.
As políticas sociais e de crédito massificados no governo Lula dão a impressão de que o movimento de inclusão é persistente. Coincidência ou não, o ritmo da economia como um todo se acelerou. Ao gosto nordestino, saiu de um arrastado bolero para um rápido xote.
Na semana passada, o CEO de um dos maiores bancos brasileiros exortava, em um seminário para os principais executivos da instituição: “Precisamos olhar para o Nordeste. O crescimento lá é mais rápido. É onde estão as oportunidades”.
Como exemplo, ele contou a história de um dono de supermercado no Piauí que montou 60 lojas, comprou 300 caminhões e fundou sua própria construtora para garantir a expansão da rede. Tudo nos últimos anos. É um novo mercado se formando. Novos atores emergindo.
Esse movimento foi traduzido pelo marqueteiro João Santana no “seguir mudando”, o mote e o xote da campanha de Dilma. É o gerúndio no poder, mas parece ser também o ritmo da eleição. Como diriam em Milão, o Nordeste é “trendsetter”.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

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Publicado por em 30/08/2010 em Uncategorized

 

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Continuidade, poder de compra e prestígio do Brasil são motivos do voto em Dilma

Por que 51% dos eleitores declara voto em Dilma Rousseff (PT)? Principalmente porque, entre todos os candidatos a presidente, ela é vista como “a que tem mais condições de dar continuidade ao governo Lula”. Mas não só por isso.
Segundo a maioria absoluta do eleitorado, Dilma é a melhor presidenciável para manter o poder de compra da população, assegurar o prestígio do Brasil no exterior e cuidar dos mais pobres.
O Ibope testou oito temas junto aos eleitores. Em apenas um deles, “melhorar a qualidade da saúde e dos hospitais do país”, José Serra (PSDB) se equiparou à petista como o mais apto a realizar a tarefa. Nos outros sete, a petista foi apontada por mais eleitores como a mais indicada.
A pesquisa também deixa claro que não é pelos atributos pessoais de Dilma seduz tantos eleitores. Dois em cada três votos vêm explicitamente da transferência de prestígio do presidente.
Nada menos do que 54% dos eleitores de Dilma citam como principal razão desse seu voto a continuidade do governo Lula, e outros 12% falam que votam nela porque é a candidata de Lula.
Apenas 8% creditam seu voto ao fato de ela ter “mais capacidade para governar o país”. Outros 5%, por sua história de vida, e 4% por ela ser mulher.
Entre os eleitores de Serra, o motivo mais citado para votar nele (34%) é porque ele tem mais condições de avançar na saúde, segurança e educação. Outros 27% citam sua capacidade para governar o país.
Assim como mais eleitores votam na petista, é esperado que, aos olhos do eleitorado, Dilma supere os adversários também na capacidade de realizar as tarefas listadas. Mas em três dos temas, ela se destaca mais do que em outros, pois atinge maioria absoluta.
Para 54% do total do eleitorado e 89% dos seus eleitores, Dilma é a melhor para “manter a nossa economia forte e o crescimento do poder de compra da população”. Só 26% apontam Serra, e 4%, Marina Silva (PV).
Surpreendentemente, 53% dos eleitores (e 89% dos dela) dizem que Dilma é a melhor para “manter o prestígio do Brasil no exterior”. Finalmente, 52% do eleitorado (e 87% dos que votam nela) aponta Dilma como a mais indicada para “dar atenção à população mais pobre”.
Como era de se esperar, o tema no qual Marina se sai melhor é “melhorar a preservação do meio ambiente”, com 19% das citações dos eleitores, contra 22% de Serra e 40% de Dilma.
Nos outros itens, os percentuais dos que apontam Dilma como a melhor presidenciável para realizar a tarefa variam de 44% (“melhorar o combate à corrupção”) a 49% ( “melhorar a qualidade da educação e das escolas públicas”), passando por 47% no caso de “melhorar a situação da segurança pública e do combate à violência”.

Por OESP/ Jose Roberto Toledo

 
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“Onda vermelha” já molha os candidatos às eleições para governador e Senado

Cruzamentos da pesquisa Ibope mostram que a “onda vermelha” que empurra Dilma Rousseff começa a molhar os pés dos outros candidatos apoiados pelo presidente Lula. Em São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) cresceu nove pontos e chegou a 23% das intenções de voto para governador.
Mercadante ainda está longe de Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 47%. Mas a comparação com a eleição de 2006 indica uma evolução mais rápida do petista. Há quatro anos, nessa mesma fase da campanha, ele tinha 18%, contra 46% de José Serra (PSDB).
O crescimento de Mercadante se deu principalmente entre os eleitores de Dilma (ele foi de 31% para 46% nesse grupo) e entre os que acham o governo Lula ótimo ou bom (foi de 17% para 29%).
Ainda em São Paulo, os candidatos da coligação apoiada por Lula lideram a corrida pelas duas vagas no Senado: Marta Suplicy (PT) e Netinho (PC do B). Embora este último esteja tecnicamente empatado com Orestes Quércia (PMDB), ele cresceu e o adversário não.
No Distrito Federal, o candidato de Lula, Agnelo Queiroz (PT), empatou com Joaquim Roriz (PSC). Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB) ampliou em mais 13 pontos a sua vantagem sobre o principal adversário.
No Rio de Janeiro, o aliado de Lula, o governador Sergio Cabral (PMDB), mantém 42 pontos de dianteira sobre o rival mais próximo. A novidade é que o candidato lulista ao Senado, Lindberg Farias (PT) chegou a 24% e encostou em Marcelo Crivella (PRB), que caiu de 37% para 30%.
A exceção é Minas Gerais, onde o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) agora divide a liderança com o herdeiro político de Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB). Entre os mineiros, parece prevalecer a aliança informal “Dilmasia”.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

 
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O perfil do eleitorado

Na média, o eleitor tem um seio e um testículo. A velha piada dos estatísticos revela as limitações do uso da média para retratar um conjunto complexo de informações. O resumo minimalista está sempre arriscado a virar uma caricatura.
Por isso é desafiador traçar um perfil do eleitor de cada candidato. Os presidenciáveis favoritos atraem votos de vários tipos, por vezes contraditórios entre si. Marina Silva (PV) mistura em seus índices evangélicos e agnósticos. José Serra (PSDB) atrai patrões e empregados.
Além disso, alguns estratos são tão maiores que todos os candidatos acabam extraindo a maior parte de seus votos dali. É o caso do Sudeste, onde vive quase metade do eleitorado. Mesmo Dilma Rousseff (PT), que tem 2 de cada 3 votos nordestinos, tem maior número de eleitores no Sudeste do que do Nordeste.
Descrever o perfil do eleitorado da petista destacando apenas as partes mais volumosas implica dizer que seu eleitor está majoritariamente no Sudeste, não participa de nenhum programa social do governo Lula, e mora nos maiores municípios do país.
Mas esse não é o eleitor médio de Serra? Também é. Ou seja, esse tipo de análise espelha onde há mais eleitores, e apenas isso. É o mesmo que sublinhar no perfil de um candidato que seu corpo tem 75% de água. O dele e o de todos os adversários.
Se quisermos saber o que o eleitorado de um candidato tem de particular, de diferente, de característico, devemos comparar a intenção de voto em cada segmento, confrontando os percentuais de um presidenciável com o dos rivais.
O resultado está no quadro que ilustra esta coluna. As características destacadas para cada candidato refletem não onde ele tem mais votos, mas onde seus eleitores mais se distinguem da média.

A despeito de ter 51% das intenções de voto e de, portanto, estar bem em todos os segmentos, Dilma vai ainda melhor entre quem vive com até 2 salários mínimos, entre os que cursaram até o ensino médio, e entre os moradores do Nordeste e das pequenas cidades.
Ela também se destaca entre os homens, entre eleitores com mais de 30 anos, entre os trabalhadores por conta própria, entre os católicos, entre os participantes dos programas sociais do governo federal e, acima de tudo, entre os simpatizantes do PT.
Embora 85% dos seus eleitores digam que navegam na internet pelo menos uma vez por semana, esse percentual é ligeiramente abaixo da média. O mesmo ocorre entre os assinantes de jornais.
A petista vai pior onde Serra vai melhor. Com 27% de intenção de voto, o tucano está acima da média entre os eleitores com nível superior, entre quem vive com mais de 5 salários mínimos, entre os simpatizantes do PSDB e do PMDB, entre os jovens de 18 a 24 anos e no Sul.
O eleitor de Serra assina jornais acima da média, mas não tanto quanto o de Marina. Os 7% que compõem o eleitorado da candidata do PV têm uma maior concentração nas grandes cidades e nas capitais, entre patrões e empregados, entre quem ganha melhor e quem estudou mais.
Apesar de esse perfil se aproximar muito dos eleitores de Serra, há duas diferenças fundamentais: ela vai proporcionalmente melhor do que o tucano entre os eleitores evangélicos e entre os moradores da região Norte/Centro-Oeste. Ela é evangélica e nasceu no Acre.
E quem não vota em ninguém ? Os 5% de eleitores que preferem anular ou votar em branco aparecem com mais frequência entre os com mais de 40 anos. Eles vivem nas grandes cidades do entorno das capitais do Sudeste, ganham entre 1 e 2 salários mínimos e cursaram até o nível médio.
O perfil dos 9% de indecisos tem mais pontos em comum com o dos eleitores de Dilma do que com os de seus principais adversários. Quem não sabe ainda em quem vai votar é notoriamente do sexo feminino, tem mais de 40 anos, não passou da 4ª série do Fundamental, mora em pequenas cidades e vive com menos de 2 salários mínimos.
A principal diferença entre esses indecisos e os eleitores de Dilma é geográfica. Eles estão mais concentrados no Sul e no Sudeste. Há outros pontos que não seguem o perfil típico de quem vota na petista: essas mulheres tendem a ser evangélicas, trabalhar apenas em casa e não participarem dos programas sociais do governo Lula.
Esse perfil é característico de quem deixa para decidir o voto em cima da hora, nas vésperas da eleição. Embora se aproxime mais do eleitor de Dilma do que dos de Serra, o histórico mostra que os indecisos tendem a se dividir proporcionalmente entre os candidatos.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

 
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Entre os que aprovam o presidente, há ainda 10% sem decisão tomada

Por que um eleitor que considera o governo Lula “bom” ou “ótimo” continua resistindo e não declarando seu voto para Dilma Rousseff (PT) na sucessão presidencial? As repostas podem ser várias, mas é aí que o candidato de oposição, José Serrá (PSDB), tem sua última chance de tentar levar a disputa para o segundo turno.

Daí a razão pela qual Serra adotou a estratégia de ser muito comedido ao fazer críticas ao governo Lula e ao presidente propriamente.

Lula tem hoje 79% de aprovação popular. É o presidente da República mais bem avaliado entre todos os eleitos pós-ditadura militar (aqui, todas as séries históricas). Esse eleitorado vai decidir quem será o próximo ocupante do Palácio do Planalto.

Até março deste ano, Dilma e Serra estavam empatados entre os eleitores lulistas: 35% para cada um (no universo dos que acham Lula “ótimo”ou “bom”). Agora, a situação é muito diferente: 58% para Dilma e só 23% para Serra. Eis os dados:

O curioso é verificar que Serra não apenas mantém esses 23% como também notar que Marina Silva (PV) continua sendo a preferida de 8% dos que acham Lula “ótimo” ou “bom”. E há ainda 3% desses que votam em branco, nulo ou em nenhum. E 7% que dizem ainda não saber em quem votar.

Esses indecisos e os que votam em branco, nulo e nenhum, segundo estudos estatísticos, tendem a se dividir no dia da eleição proporcionalmente entre todos os candidatos, respeitando já o quanto cada um tem de intenção de votos nas pesquisas. Se isso ocorrer, a disputa termina no primeiro turno, em 3 de outubro.

O desafio de Serra é tentar inverter essa lógica: convencer eleitores lulistas de que ele, Serra, é o melhor para presidir o Brasil. Para dizer o mínimo, trata-se de tarefa dificílima.

Por UOL/ Fernando Rodrigues

 
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