RSS

Arquivo mensal: setembro 2010

Ibope e Datafolha diferem nos números mas concordam nas tendências: Dilma estável

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra estabilidade de Dilma Rousseff (PT). Em relação à sondagem de segunda-feira do mesmo instituto, a petista oscilou um ponto para cima e chegou a 47% do total de votos (o que equivale a 52% dos votos válidos). Isso mostra que não há tendência de queda contínua da candidata de Lula, como a pesquisa anterior do Datafolha parecia sugerir.

Estabilidade foi também o que mostrou a pesquisa Ibope/CNI divulgada na quarta-feira. A diferença é que o Ibope confere a Dilma 50% do total de votos (ou 55% dos votos válidos). No Ibope, a petista não oscilou nenhum ponto vis-a-vis a sondagem anterior, concluída na sexta-feira.
Ainda comparando os dois institutos, o Ibope dá José Serra (PSDB) com 27% do total de votos, contra 28% no Datafolha. Marina Silva (PV) chega a 14% no Datafolha, contra 13% no Ibope. E os candidatos dos pequenos partidos somam 2% no Datafolha, contra 1% no Ibope. As diferenças estão todas dentro da margem de erro, mas, em conjunto, sinalizam cenários distintos.


De acordo com o Ibope, mantido o quadro atual, Dilma seria eleita no primeiro turno. Já os números do Datafolha desenham um quadro mais indefinido: considerada a margem de erro, Dilma teria, no mínimo, 50% dos votos válidos, que é o limite da maioria absoluta necessária para garantir a vitória em turno único.

A pesquisa Sensus ficou no meio do caminho entre Ibope e Datafolha. No total de votos, deu 48% a Dilma, 26% a Serra, 12% a Marina e 2% aos nanicos. Em votos válidos, porém, o resultado ficou igual ao do Ibope: 55% para Dilma.
O tracking diário (pesquisa cuja amostra é uma média móvel que renova 25% das entrevistas por dia) do Vox Populi vem, lentamente, se aproximando do resultado dos outros institutos. Nesta quarta-feira, fechou, no total de votos, com 49% para Dilma, 26% para Serra e 12% para Marina. Nos votos válidos, iguala Ibope e Sensus: 55% para Dilma.
Com maior ou menor margem, as pesquisas indicam uma probabilidade maior de definição da eleição já no primeiro turno, mas há o debate entre os presidenciáveis na noite desta quinta-feira na TV Globo, e isso pode provocar alterações nesses percentuais. Por menores que sejam, podem ser suficientes para levar a balança a pender de um lado para o outro.
Por isso, ao contrário do que imaginava duas semanas atrás, é impossível prever o resultado final da eleição com segurança antes da rodada final de pesquisas. Três sondagens devem ser divulgadas na véspera da eleição: do Ibope, Datafolha e Vox Populi. Talvez essas permitam um prognóstico. Mas dificilmente uma certeza.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

Anúncios
 
Comentários desativados em Ibope e Datafolha diferem nos números mas concordam nas tendências: Dilma estável

Publicado por em 30/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Na média das 4 pesquisas da semana, Dilma tem 53% dos votos válidos: limite do 1º turno

Foram quatro pesquisas presidenciais concluídas esta semana: duas do Datafolha, uma do Ibope e outra do Sensus. A média das quatro aponta Dilma Rousseff (PT) com 53% dos votos válidos. Descontada a margem de erro, de 2 pontos porcentuais, a petista chegaria no mínimo a 51%, o que lhe daria a vitória no primeiro turno.
Embora essa seja a maior probabilidade, não se pode afastar totalmente a chance de um segundo turno. A curva dos votos válidos da petista mostra uma tendência de queda, que parece ter parado, segundo Ibope e Datafolha. Mas uma gafe de Dilma no debate desta noite na TV Globo poderia retomar essa tendência.
Por outro lado, a média é uma composição de duas pesquisas que deram 55% de válidos para Dilma (Ibope e Sensus), com as duas do Datafolha que deram percentuais mais baixos: 51% e 52%. E a mais recente do Datafolha dá mais votos à petista do que a anterior.

Se incluíssemos, a título de exercício, o resultado mais recente do tracking do Vox Populi no cálculo (esse tipo de pesquisa já é, em si, uma média móvel, por isso fica de fora), a média, agora com cinco sondagens, levaria Dilma a 54% dos votos válidos, aumentando sua chance de vitória no primeiro turno.
As margens, todavia, são apertadas. Um pequeno incidente nesta reta final -como chuva no dia da eleição (aumenta a abstenção) ou um índice de erro do eleitor na hora de votar maior do que o habitual- pode influenciar o resultado e fazer a diferença entre uma definição já ou a necessidade de segundo turno.
Segundo o Sensus, um percentual maior de eleitores de Dilma (4,5%) diz que não vai comparecer para votar em 3 de outubro do que de José Serra (1,5%), por exemplo. Todos esses fatores não são computados nas pesquisas. Juntos, criam uma zona de confusão em torno da linha de 50% dos votos válidos que aumenta o grau de incerteza sobre a eleição.
Por OESP/Jose Roberto Toledo

 
Comentários desativados em Na média das 4 pesquisas da semana, Dilma tem 53% dos votos válidos: limite do 1º turno

Publicado por em 30/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Ibope e Datafolha diferem nos números mas concordam nas tendências: Dilma estável

Três pesquisas sobre a corrida presidencial foram concluídas nesta segunda-feira, com resultados sensivelmente diferentes. Na média das três, Dilma Rousseff (PT) tem 54% dos votos válidos, o que indica vitória ainda no primeiro turno. O cálculo leva em contas as pesquisas Ibope e Sensus (ambas deram 55% dos válidos para a petista) e a Datafolha divulgada ontem (outra será divulgada esta noite), que deu 51% dos válidos para Dilma.

Na média dos três institutos, Dilma tem 48% do total de votos, José Serra (PSDB) tem 27% e Marina Silva (PV) chega a 13%. A soma dos candidatos dos pequenos partidos dá 1%. Excluídos os votos nulos e brancos e os eleitores indecisos, Dilma tem, na média, 54% dos votos válidos, contra 30% de Serra, 14% de Marina e 1% dos nanicos.
Considerada a margem de erro de dois pontos porcentuais, Dilma teria, no mínimo, 52% e no máximo 56%, considerando-se a média das três pesquisas. Isso deveria ser suficiente para definir a eleição no primeiro turno, mas há outros fatores, que não são captados pelos institutos de pesquisa, que podem tornar a eleição mais apertada do que parece. É o chamado erro não-amostral.
Tradicionalmente, o candidato que lidera as pesquisas é mais penalizado pela abstenção e pelo erro do eleitor na hora de votar. Nesta eleição soma-se um terceiro fator, que, por inédito, ninguém sabe avaliar qual impacto terá: a necessidade de o eleitor apresentar dois documentos oficiais, o título de eleitor e outro documento com foto, para poder ir à urna. Esses três fatores juntos criam o que se poderia chamar de “zona de confusão”, que se soma à margem de erro.
No primeiro caso, parte de eleitorado do líder nas pesquisas considera seu candidato praticamente eleito e tem menos disposição de sair de casa para votar, o que aumenta mais a abstenção dos eleitores do favorito do que dos adversários. Esse fenômeno se intensifica quando o candidato tem mais votos entre idosos e analfabetos, que não estão obrigados a votar. Se chover, pior ainda.
O erro na hora de votar é mais comum para eleitores de baixa escolaridade, que podem se confundir com a esdrúxula ordem de votação (primeiro para deputado estadual, depois para federa, senador 1, senador 2, governador e presidente) ou por ignorar o número do candidato de sua preferência. Para ser líder, o candidato tem que ter necessariamente mais votos entre os menos escolarizados, daí correr mais risco de perder votos por erro do eleitor.

O terceiro fator que pode aumentar o erro não-amostral, a necessidade de dois documentos para o eleitor votar, dá um poder inédito para os mesários, que serão os responsáveis pela decisão de aceitar ou não os documentos apresentados pelo eleitor.
Um mesário com preferência partidária, pode, em tese, barrar eleitores que identifica como de oposição a seu candidato com base em discrepância nas assinaturas ou na foto (em caso de o documento ser velho). Mas esse é um fator inédito, que não se sabe se pode prejudicar um candidato mais do que outro.
Juntando-se todos os potenciais erros não-amostrais, pode-se, com base em eleições anteriores, projetar de um a dois pontos de incerteza além dos dois pontos da margem de erro. Na prática, um candidato com, por hipótese, 53% dos votos válidos, já estaria dentro dessa zona de confusão. Sua probabilidade maior é vencer no primeiro turno, mas não há certeza de vitória.

Por OESP/ Jose Roberto Toledo

 
Comentários desativados em Ibope e Datafolha diferem nos números mas concordam nas tendências: Dilma estável

Publicado por em 30/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Dilma é favorita e reta final é imponderável

patamar apurado pelo Datafolha exige mais sondagens para previsão do desfecho

Assim como na semana passada o solavanco sentido pela campanha de Dilma Rousseff (PT) precisava ser mais bem aferido, agora a interrupção da sangria de votos da petista requer outro levantamento para haver mais certeza sobre a tendência do processo.

Explica-se. Na semana passada, Dilma deslizou nas pesquisas um pouco para baixo, na margem de erro. Seus adversários, um pouco mais ou um pouco menos, oscilaram positivamente também na margem de erro. Tudo somado, a diferença entre a petista e os demais deu uma encolhida.

Em seguida, na última segunda-feira, dia 27.set.2010, uma nova pesquisa Datafolha mostrou novamente o mesmo movimento, próximo da margem de erro –desfavorável para Dilma, favorável para Marina Silva (PV) e neutro para José Serra (PSDB).

Agora, nova pesquisa Datafolha nos dias 28 e 29.set.2010 indicam que foi estancado movimento negativo para a petista. Ela tem 52% dos votos válidos contra 48% dos demais somados (Serra pontua 31%; Marina, 15%).

Mas a diferença dela para os demais é de apenas 4 pontos. Ou seja, é necessário mais um levantamento para que seja possível afirmar com segurança que Dilma estabilizou-se nesse patamar. Até lá, a julgar pela pesquisa Datafolha de 28 e 29.set.2010, continua a haver uma possibilidade de segundo turno na sucessão presidencial.

O que este blog acha: a chance de segundo turno é menor do que a de Dilma vencer no primeiro turno, dia 3 de outubro.

O que a campanha de Serra acha: que as chances de 2º turno são mínimas. E que se tiver 2º turno a derrota também é quase inevitável.

O que a campanha de Dilma acha: que ela vai vencer no primeiro turno com 56% a 57% dos votos válidos. Essa é a previsão oficial com a qual a candidata trabalha. Se essa profecia for cumprida, a petista terá sido a mais bem votada candidata a presidente da República em um primeiro turno na atual fase democrática do Brasil (FHC tem no momento o recorde, em 1994, com 54,3% dos votos válidos).

Por Uol/Fernando Rodrigues

 
Comentários desativados em Dilma é favorita e reta final é imponderável

Publicado por em 30/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Pesquisa da Associação Brasileira de Marketing e Negócios avalia hábitos de consumo de homens e mulheres entre 14 e 25 anos das classes A e B. Eles valorizam família, sustentabilidade e postura crítica

A Associação Brasileira de Marketing e Negócios (ABMN), em parceria com o Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC), divulga pesquisa feita com os jovens paulistanos das classes A e B a fim de entender seus valores e características como consumidor. Foram entrevistados, entre abril e março, 456 homens e mulheres entre 14 e 25 anos, uma amostra correspondente a um universo de 400 mil jovens. Dentre os entrevistados, 54% eram do sexo masculino e 46% do feminino.

Apesar de ser muito informada, essa geração vinha sendo apontada como jovens alienados e sem compromissos com virtudes e valores. Batizado de “Nem tudo é o que parece ser”, o trabalho apontou que essa é uma impressão equivocada. “Com a pesquisa, o que vemos é que não é interessante analisar este grupo de jovens fazendo comparação com outras gerações. É importante enxergá-lo dentro de seu contexto”, afirma Valéria Luz, superintendente da ABMN.

Certas características já eram esperadas pelos pesquisadores, como o baixo índice de leitura e a internet como principal meio de informação. Mas outras respostas chegaram a surpreender. Foi constatado que, mesmo com a grande maioria considerando o celular como uma extensão de si mesmo, os jovens das classes A e B não têm interesse em pagar pelos serviços mobile, como acesso a internet e promoções.

Outro ponto de destaque diz respeito às marcas. Constatou-se que 55% dos entrevistados consideram importante a marca de um produto, enquanto 18% acham muito importante. Nesse recorte, há uma predominância do sexo masculino: 62% consideram as marcas importantes.

Para o contexto de reconhecimento espontâneo das marcas, foram usados 11 atributos como “marca que simboliza o brasileiro”, “marca cool” e “líder de mercado”. Marcas como Apple e Nike foram as mais citadas, com a primeira tendo sido lembrada em dez atributos e a segunda em nove. A Apple, inclusive, foi a marca mais citada da pesquisa, com 209 menções no atributo “modernidade & inovação”, contra 18 citações da segunda colocada, Sony.

Sobre bebidas alcoólicas, foi feito um trabalho direcionado aos maiores de 18 anos. A grande maioria (75%) afirmou não ter preferência em relação à marca de cerveja – índice empatado com a marca mais citada pelos consumidores, a Brahma.

Para Valéria, os resultados trazem um sinal para as marcas, que podem entender e agir melhor em relação a esse grupo. “A pesquisa é importante também para as marcas, uma vez que ao adotarem essas características elas são passíveis de uma maior identificação neste grupo”, observa.

Em relação aos valores deste universo, o tema “sustentabilidade” apareceu com alta relevância, despertando o interesse de 83% dos entrevistados. Outro assunto, os alimentos orgânicos, chamou atenção de 15% dos entrevistados, sendo que 68% são do sexo feminino.

Família

Mas a grande novidade ficou por conta de alguns valores que estão sendo resgatados, como a valorização da família. Dentre os jovens ouvidos, 76% afirmaram comer freqüentemente na companhia de sua família. “Enxergamos que a dinâmica do contexto familiar se realiza como uma variante híbrida, uma vez que tradição e modernidade se misturam, com valores antigos sendo resgatados num contexto moderno”, explica Valéria.

Segundo a pesquisa, o jovem paulistano das classes A e B tem também uma convergência de interesses com a família. Sinal disso é que pais e filhos têm assistido aos mesmos programas juntos. Além disso, mães e pais, respectivamente, são os maiores exemplos de heróis para essa geração. Isso revela uma contraposição a uma visão nem tão antiga assim, quando os jovens tendiam a ir contra as ideias e os gostos dos pais.

Nelson Mandela e Ayrton Senna também foram citados como heróis (logo após os pais), mostrando que o arquétipo de herói para esse público é uma pessoa batalhadora, mas pacífica. Justiça e coragem também são características com as quais eles mais se identificam.

Outros valores apontados como importantes pelos entrevistados são imparcialidade, integridade, perseverança, postura crítica e inteligência social.
Por MMonline

 
Comentários desativados em Pesquisa da Associação Brasileira de Marketing e Negócios avalia hábitos de consumo de homens e mulheres entre 14 e 25 anos das classes A e B. Eles valorizam família, sustentabilidade e postura crítica

Publicado por em 30/09/2010 em Uncategorized

 

Tags: ,

O que os juízes devem e o que não devem decidir

Poucas decisões podem ser tão frustrantes quanto aquelas que não decidem nada.

É esse o sentimento que se tem com o julgamento da Lei da Ficha Limpa, no STF.

No Supremo, não há prorrogação; tampouco disputa por pênaltis.

A proclamação incompleta do resultado gerou um grande vazio. Para muitos, seguiu-se de enorme alívio, com a renúncia de quem interpôs o recurso.

Nesta quarta, o STF pode arquivar o processo de Joaquim Roriz, julgando-o prejudicado, pois o próprio interessado desistiu de sua candidatura, terceirizando-a à esposa, como se fosse um negócio de família.

Poderá também prosseguir no julgamento, a vingar o princípio da repercussão geral, uma vez que sua decisão se estenderia aos outros processos ainda válidos. Enquanto não o fizer, a eleição se manterá sub judice, em relação a todos os impugnados.

O empate era tão previsível que nos dias que antecederam o julgamento, chegou a ser anunciado em jornais. Dizia-se, então, que o STF já estava pensando na fórmula do desempate. Mas os ministros, como se sabe, são ilhas que pouco se comunicam fora das sessões.

O presidente Cezar Peluso se recusou a usar o voto de minerva.

Disse que não tinha vocação para déspota. E como pretendia sepultar a Lei da Ficha Limpa, teria de carregar essa decisão quase nos ombros.

Se se tratasse de um processo criminal, a regra de ouro para o desempate seria o ‘in dúbio pro reo’: na dúvida, a favor do réu. No empate, em habeas corpus, por exemplo, considera-se vitorioso quem busca a liberdade.

Por outro lado, nas ações declaratórias de inconstitucionalidade, quando o que está em julgamento é a própria lei, a regra é ‘in dúbio pro lex’. Na dúvida, prevalece íntegra a lei.

Para dificultar as coisas, o recurso julgado não era um nem outro.

Mas o que se discutiu naqueles dois longos dias de julgamento não foi a conduta específica de Joaquim Roriz ou os fundamentos fáticos do indeferimento de sua candidatura. O que esteve em discussão durante todo o tempo, foi a própria lei.

Se cinco ministros entenderam a lei válida e cinco ministros consideraram a lei inconstitucional, por equiparação ao procedimento das ações próprias para o julgamento de leis, era possível tê-la considerada válida.

Mas tira-se de vencido aí o fato de que a maioria dos ministros não entendeu inconstitucional a lei por si só, pela violação ao princípio da presunção da inocência, o ponto mais sensível e frágil do novo diploma.

A não-decisão, de toda a forma, expôs o Supremo.

Sem decidir, é como se o principal tribunal do país abrisse mão de seu poder. Embora o fato dificilmente se repita, pois em breve a composição ímpar de ministros estará completa, o episódio vai pairar como uma assombração por sobre os ombros da justiça.

Mas isto nem de longe significa que se deve demonizar os ministros que votaram contra a Ficha Limpa, numa espécie de macarthismo social.

Seria simples demais dizer que são “inimigos da sociedade”, ou que usam a lei em prejuízo da democracia. Simples e equivocado.

O Congresso tinha plena ciência de que a lei deveria ser votada um ano antes das eleições para que pudesse valer para esse pleito. Ao aprová-la sem atentar para este fato, os parlamentares simplesmente jogaram a discussão para o Judiciário, sem explicar à sociedade que havia grande chance de frustrar suas expectativas.

Princípios constitucionais devem ser cumpridos, mesmo quando aparentemente indesejáveis.

Se o intuito do projeto era justamente impedir o acesso aos cargos públicos a quem viola a lei, ela jamais poderia ser construída sobre uma violação.

É mais fácil e mais cômodo julgar para a platéia. Mas um juiz que decide exclusivamente conforme pensa a opinião pública não cumpre sua função. O fato de que a lei seja um anseio da população não a transforma em mais legal -fosse assim, passaríamos por cima das diversas cláusulas pétreas e estaríamos jogando fora a lei mais importante de todas, a Constituição.

Mérito indiscutível da Ficha Limpa foi seu efeito mobilizador. Os eleitores demonstraram a preocupação com o caráter e a probidade de quem vai ser eleito. Isso é indispensável e insubstituível para uma boa escolha. A queda de Joaquim Roriz nas pesquisas antes do julgamento deixou indícios de que os eleitores já estavam suficientemente esclarecidos.

Mas o demérito da lei, e não se deve escondê-lo, é a preocupação exageradamente paternalista que sugere. Precisamos de alguém que nos impeça de votar nos ruins, porque não seríamos capazes de fazer isso por conta própria.

É ilusão achar que alguém poderá fazer a democracia pelo povo.

Se partirmos do princípio que o povo não sabe votar e, portanto, precisamos de quem decida por nós, estaremos esvaziando e não fortalecendo a democracia.

Hoje os juízes decidem quem tem e quem não tem ficha limpa. Amanhã, decidem quem tem ou não tem capacidade para legislar. Mais tarde, vamos esperar que escolham por nós quem são os melhores.

A lei da Ficha Limpa aumenta enormemente o poder dos juízes, ainda que boa parte das pessoas não tenha se dado conta disso.

Na democracia, no entanto, cada um deve exercer a sua própria competência, e a eleição é de competência do povo.

Dos juízes, não se pode esperar que escolham ou decidam em nosso lugar.

Mas, pelo menos, que decidam quando for a sua hora de fazê-lo.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

 
Comentários desativados em O que os juízes devem e o que não devem decidir

Publicado por em 29/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

Os mágicos cinco pontos que decidem a eleição presidencial

Feitas as contas do mais recente tracking Vox/Band/iG, a candidata do PT, Dilma Rousseff, teria 55% das intenções de votos válidos, ou seja, cinco pontos de folga para levar a eleição no primeiro turno. Desde que o brasileiro reconquistou o direito de votar para presidente, a eleição se decide pela falta ou excesso desses mágicos cinco pontos.

Em 1989, Fernando Collor ficou com 53% dos votos válidos no segundo turno. Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994 com 55% e foi reeleito com 53%. Lula ficou a menos de quatro pontos de ganhar no primeiro turno de 2002 e a menos de dois pontos percentuais da reeleição no primeiro turno de 2006. Agora, os mágicos cinco pontos vão decidir a vitória de Dilma Rousseff em 3 de outubro. Ou vão lhe dar uma passagem para o segundo turno em 31 de outubro contra o adversário do PSDB, José Serra — a menos que haja uma reviravolta nunca vista em relação às tendências de opinião e Marina Silva, do PV, surpreenda todo mundo.

A primeira vista, está aí um país coerentemente dividido, oscilando entre governo e oposição, entre PT e PSDB e sobretudo entre Lula e anti-Lula desde a redemocratização. De fato, nada regeu mais essas duas décadas de política do que a presença de Luiz Inácio Lula da Silva.

A coesão das forças anti-Lula foi elemento estabilizador de dois críticos anos da redemocratização: do processo de impeachment de Collor em setembro de 1992 ao lançamento do Plano Real, em julho de 1994, passando pelo plebiscito, que poderia mudar tanto a República quanto o presidencialismo, e o instável governo Itamar Franco. Se não houve espaço para aventuras golpistas é porque do outro lado havia Lula e seu capital de mais de 40% de votos válidos. Se o Plano Real foi o primeiro a dar certo depois de cinco tentativas anteriores de estabilização, é porque, entre outros motivos, a coesão política e empresarial se fazia necessária para evitar os riscos de uma vitória de Lula naquele ano.

Mas então chegou 2002 e os mágicos cinco pontos mudaram de lado e assim permanecem nessa eleição, sugerindo o mesmo e coerente corte. No anti-lulismo de 2002 e, sobretudo em 2006, houve quem traçasse um país separado entre Norte e Sul (especialmente Nordeste e São Paulo), pobres e ricos, periferia e centro, povo e elite, Bolsa-Família e carteira assinada. Nada mais ilusório.

Os mágicos cinco pontos não têm dono. Eles oscilam, em primeiro lugar, ao sabor de uma onda nacional capitaneada pelo discurso do que representa o novo. Em 1994, o novo era a estabilidade econômica trazida pelo Real. Em 1998, novo era o medo de perdê-la. Em 2002, o novo era a necessidade de redistribuir renda e provar o avanço institucional. A Carta ao Povo Brasileiro foi o símbolo dessa mudança e a clássica frase de Lula, de que “a esperança venceu o medo”, talvez seu diagnóstico.

Cinco pontos mágicos, que representam 10% do eleitorado porque o que soma para um é tirado do outro, são compostos também por pequenas circunstâncias locais. Em 1994, FHC se elegeu perdendo em dois Estados (um deles o Rio Grande do Sul que depois ficaria com Geraldo Alckmin e contra Lula no segundo turno de 2006). Quatro anos depois, a derrota se ampliou para 11 Estados, alguns de eleitorado grande, como Rio de Janeiro e Ceará. Sempre por causas diversas, como a quantidade de aposentados no Rio, após uma reforma previdenciária que taxou aposentadorias e pensões, ou a presença de Ciro Gomes na disputa, levando 34% do Ceará.

Vencendo em todos os Estados, menos em Alagoas, Lula fez 61,2% dos votos válidos do segundo turno contra José Serra em 2002. E perdendo em sete estados, incluindo São Paulo, fez 60,8% dos votos contra Geraldo Alckmin em 2006. A maior vantagem proporcional de Alckmin se deu em Roraima, onde o governo sofria o desgaste de apoiar a Reserva Raposa do Sol, que não dá votos.

A onipresença de Lula (com o seu oposto, o anti-Lula), a instituição do segundo turno e, depois, da reeleição, além da força dos dois principais partidos, PT e PSDB, deram ao Brasil essa face polarizada. Vista de longe, as duas metades são semelhantes como na sobreposição de imagens de gêmeos: social democrata, moderna, urbana, tolerante, democrática. E isso explica em grande parte o avanço institucional dos últimos anos.

Mas vista de perto, no detalhe do que motiva esses 10% do eleitorado a oscilar entre um ou outro lado, ela é mais complexa, dependente de fatores regionais, de lideranças locais, da capacidade de mobilização e convencimento de cada campanha ou candidato. Se houvesse uma regra geral para entender esse eleitorado flutuante, ela não estaria nos candidatos nem nos partidos. Mas no discurso desse “novo” que sempre vence. O Collor de 1989 era o novo da direita, contra nomes como Paulo Maluf ou Aureliano Chaves. E seu discurso representava isso pela proposta de abertura econômica e reforma do Estado. O Lula de 1989 era o novo da esquerda, contra nomes como Leonel Brizola ou partidos como o PCB. E o eleitor dessa velha esquerda foi às urnas na mesma semana em que o Muro de Berlim caiu.

O Brasil colhe agora a maior safra de notícias positivas vividas por uma geração que cresceu ou nasceu na chamada década perdida. O fato de que a eleição de 2010 ainda não esteja totalmente decidida mostra apenas a incerteza do que efetivamente representa o novo a partir do pós-Lula.

Por IG/Luciano Suassuna

 
Comentários desativados em Os mágicos cinco pontos que decidem a eleição presidencial

Publicado por em 29/09/2010 em Uncategorized

 

Tags:

 
%d blogueiros gostam disto: