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Arquivo mensal: outubro 2010

DEM pagou um preço alto pela oposição ferrenha ao governo Lula

O presidente que for eleito no próximo dia 31 vai se deparar com um Senado com feição renovada. Das 54 cadeiras disputadas (2/3) neste ano, 36 serão ocupadas por novos nomes, uma mudança significativa, conforme frisa o analista político, Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Em entrevista a Terra Magazine, ele avalia a nova composição da Câmara dos Deputados, que sofreu renovação na ordem de 43%, abaixo da média verificada nas últimas cinco eleições. Fala também sobre o desempenho dos partidos de oposição na briga por vagas no Congresso e da estratégia “equivocada” do DEM e do PSDB de colidir frontalmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambas as siglas amargaram derrotas de medalhões, como Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heráclito Fortes (DEM-PI).

Segundo o analista político, o DEM, em especial, “pagou um preço muito alto por fazer uma oposição extremamente agressiva a um presidente muito popular”.

Confira a entrevista.

Das 54 vagas disputadas no Senado, 36 serão ocupadas por novos parlamentares. Como o senhor avalia essa nova configuração?
Antônio Augusto de Queiroz – O Senado teve renovação significativa, embora abaixo da média histórica das últimas eleições em que 2/3 das vagas estavam em disputa. Na eleição de 1994, apenas nove dos 54 senadores que disputavam o mandato foram reeleitos. Em 2002 (quando a renovação foi de 1/3), o número subiu para 14, agora está entre 18 e 19, porque há dúvida sobre o resultado final. De qualquer maneira, houve renovação extremamente significativa. Algo em torno de 45% de toda a composição do Senado.

Nas eleições de 2006 para o Senado, o DEM conseguiu o melhor desempenho nas urnas. Teve ainda a maior bancada, seguido pelo PMDB, que neste pleito foi o grande vitorioso (elegeu 16 senadores). O PT ficou em segundo, com 11 cadeiras (os dois juntos ficaram com metade das vagas). Por que o DEM teve um desempenho tão diferente do de 2006, elegendo apenas dois senadores?
O DEM pagou um preço muito alto por fazer uma oposição extremamente agressiva a um presidente muito popular, que é o caso do presidente Lula. E sem uma sustentação nos governos estaduais e nas assembleias legislativas e mesmo nas câmaras de vereadores e nas prefeituras que lhe dessem esse respaldo indispensável.
O fato é que, na eleição, muito dos seus candidatos não conseguiram renovar seus mandatos exatamente porque não tinham essa estrutura no plano estadual.
Apenas para citar, dois senadores do DEM que foram reeleitos, o Demóstenes Torres (GO) e o José Agripino Maia (RN), focaram nos temas regionais, esqueceram a questão nacional, especialmente a relação com o governo Lula, e se acomodaram em torno de coligação muito ampla, com candidato extremamente competitivo. Então, em certa medida, os dois anularam essas variáveis que foram responsáveis pela derrota dos senadores de oposição que não conseguiram renovar o mandato.

Falando em senadores da oposição que não conseguiram renovar o mandato, há nomes de peso, como Mão Santa (PSC-PI) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). Por que eles foram derrotados nas urnas?
Rigorosamente, aconteceu o mesmo fenômeno. No PSDB, perderam a eleição o Arthur Virgílio (AM), líder do partido, e o Tasso Jereissati (CE), presidente da legenda. Eles disputaram a eleição com candidaturas isoladas, sem estarem vinculados a uma coligação forte, a um candidato ao governo forte. E mesmo a eleição presidencial sem palanque estruturado e com essa condição de terem feito oposição a um presidente popular, em estados onde a popularidade dele é superior à média nacional.
Sem dúvida foi uma estratégia equivocada. Talvez a ideia era fazer um desafio e provar que o presidente não teria condições de convencer os eleitores para que elegessem outros nomes. Até porqu, são senadores que têm serviços prestados a seus Estados, tiveram apoio forte da indústria local.
E tem também outros, como o Mão Santa (PSC), que padeceu do mesmo erro. Continuou batendo em um presidente extremamente popular, num estado onde a média de popularidade do Lula era superior à média nacional.

Pode-se dizer que essa nova composição do Senado, a julgar pelo tamanho das bancadas, é mais favorável à candidata petista, Dilma Rousseff.
Na hipótese da eleição de Dilma Rousseff, ela terá no parlamento uma ampla maioria, da ordem de 2/3. Tanto na Câmara quanto no Senado. Na Câmara, cerca de 110, 115 cadeiras ficaram com a oposição, o que é inexpressivo, já que sobrariam algo em torno de 400 cadeiras favoráveis ao governo.
No Senado, a tendência é que a base de sustentação do governo fique em torno de 60 parlamentares, muito além dos 49 indispensáveis para a aprovação de emendas na Constituição.
Houve uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal, de dois anos atrás, determinando que o mandato pertence ao partido. Isso quer dizer que as bancadas futuras, cujos integrantes foram eleitos na atual eleição, e, portanto, depois da decisão do Supremo, tenderão a ser mais coesas. Se estiverem na oposição, votarão 100% contra o governo e, se estiverem na base, votarão integralmente a favor do governo. A tendência, caso Dilma vença, é que haja uma maioria confortável para aprovação de reformas, especialmente, a tributária e a política.
Agora, é preciso dizer também que a oposição, especialmente no Senado, ganha nomes de peso, como Aloysio Nunes e Aécio Neves. Uma curiosidade em relação à composição do Senado: como Collor não foi para o segundo turno da eleição em Alagoas, teremos, pela primeira vez, três ex-presidentes com mandatos no Senado. Além de Collor, teremos Itamar Franco e José Sarney.

E em relação ao novo desenho da Câmara dos Deputados?
A Câmara dos deputados sofreu uma renovação da ordem de 44%, portanto, uma renovação abaixo da média histórica, que tem sido de 50% nas cinco últimas eleições. É verdade que, há duas eleições, a renovação foi de 43%, mas a média é de 50%.
Essa composição da Câmara, assim como no Senado, penalizou os partidos de oposição. O DEM, o PSDB diminuiram muito sua bancada e o PPS também perdeu cadeiras na Câmara dos Deputados. De modo que a nova composição, do ponto de vista da relação governo X oposição, será mais governista. Do ponto de vista ideológico, a tendência é que tenha havido crescimento dos partidos à esquerda do espectro político e uma permanência daquele número de parlamentares ao centro do espectro político.
Então, você teve uma redução mais à direita, uma manutenção do centro e um crescimento à esquerda. Isto fará com que, no interior do governo da presidente Dilma, na hipótese de ela ganhar, haja muita disputa por espaço do ponto de vista do debate do conteúdo da política pública. Porque PDT e PMDB, por exemplo, desta vez, fazem parte do governo da coalizão que poderá elegê-la. Antes, não. Na eleição do presidente Lula, eles entraram após o presidente ter sido eleito, portanto, não fizeram parte da coligação que elegeu. E vão exigir mais espaço. É possível que o PT seja mais aguerrido na defesa de suas posições.

E na hipótese de uma vitória do tucano José Serra?
Na hipótese de eleição do presidenciável do PSDB, José Serra, embora ele tenha condições de levar para sua base boa parte dos atuais partidos que dão sustentação ao governo Lula, ele teria dificuldades grandes em convencer partidos à esquerda do espectro político. Aí, incluídos PT, PSB, PDT, PCdoB, Psol etc. São partidos que reúnem em torno de 200, 200 e poucos votos. E isso pode ser determinante, por exemplo, para impedir o número de 508 votos, que é o número indispensável para aprovar emendas na Constituição.
Num eventual governo Serra, ele teria que convencer esse núcleo ideológico a votar nas suas propostas e, para isso, teria que fazer grandes concessões do ponto de vista do conteúdo.
Então, para a aprovação de medidas que exijam quórum qualificado, quórum de 3/5, como no caso das emendas para a Constituição, encontraria mais dificuldade, mas para as demais matérias, teria condições de levar para sua base, partidos como PR, PTB, PP etc, que, historicamente, têm apoiado governos, independentemente da coloração ideológica.

Falando em Câmara dos deputados, o que o senhor achou da vitória do humorista Tiririca, com votação recorde (1.353.820, 6,35% do total)?
Foi um misto de ignorância política do eleitor e voto de protesto. Trata-se de uma celebridade e as pessoas se identificam muito com a graça que ele faz como palhaço. Só que ele não foi eleito como palhaço, foi eleito como deputado federal. Se não se comportar como tal, não dura seis meses no mandato. A Câmara se encarregará de afastá-lo do convívio dos demais deputados se sentir que ele compromete a imagem da instituição. Espero que ele faça jus aos votos, à votação expressiva que recebeu, se cerque de bons assessores e nos brinde com um excelente mandato.

Terra Magazine

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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

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Mais de 93% dos deputados se elegeram com votos da coligação

Menos de 7% dos novos deputados federais foram eleitos exclusivamente graças aos votos que receberam. Em números absolutos, significa dizer que, num total de 513, 35 atingiram, sem a ajuda da legenda ou da coligação a que pertencem, o quociente eleitoral, conforme demonstrou levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

À primeira vista, a quantidade parece pequena, mas, segundo o analista político, Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Diap, ela pode ser considerada “curiosamente alta”.

– Na outra eleição, houve apenas 32 deputados. Esse número de 35 ainda pode subir, porque não está contabilizado o (Paulo) Maluf (PP/SP). É possível que tenha ainda mais um ou dois deputados e, portanto, a média deve ser maior.

Queiroz explica que, no sistema proporcional – adotado para eleger vereadores, deputados estaduais e federais -, são raros os casos em que um candidato consegue sozinho ultrapassar a cláusula de barreira, o quociente eleitoral.

Ele é calculado pela divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras disputadas. Definido o quociente eleitoral, é calculado o quociente partidário (proveniente da divisão dos votos válidos de cada legenda ou coligação pelo quociente eleitoral), que estabelecerá quantas vagas cada sigla ou coligação terão direito.

A representação proporcional visa tornar o processo mais democrático, possibilitando que partidos menores consigam espaço no parlamento. Mas, na prática, ela favorece também distorções.

– Você tem como exemplo a Luciana Genro (Psol/RS), que teve mais de 100 mil votos. Ela não se elegeu, porque não atingiu o quociente eleitoral. Ela teve uma votação expressiva, mas, mesmo somando com os colegas dela do Psol, não conseguiu atingir o quociente eleitoral. O colega de partido dela Jean Wyllys, do Rio de Janeiro, com 13 mil votos virou deputado em razão da sobra do Chico Alencar.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Levantamento do Diap mostrou que 35 dos 513 deputados foram eleitos com os próprios votos. À primeira vista, parece um número considerado baixo?
Antônio Augusto de Queiroz – Curiosamente não é. É considerado alto. Na outra eleição, houve apenas 32 deputados. Esse número de 35 ainda pode subir, porque não está contabilizado o (Paulo) Maluf (PP/SP). É possível que tenha ainda mais um ou dois deputados e, portanto, a média deve ser maior.

Por que ocorre essa distância tão grande entre os eleitos com votos próprios e os eleitos graças aos votos do partido ou coligação?
Não é fácil, numa eleição proporcional, alguém sozinho ultrapassar a cláusula de barreira, que é o chamado quociente eleitoral. Ou seja: ter voto correspondente ao número de vagas no parlamento. Funciona mais ou menos assim: temos, por exemplo, 800 mil votos, 8 vagas. Não é uma tarefa fácil o sujeito atingir 100 mil votos num universo de 800 mil eleitores. Realmente, atingir o quociente eleitoral não é fácil.
Houve circunstâncias no passado em que um candidato sozinho teve mais votos do que todos os eleitos, mas não foi eleito porque não atingiu o quociente eleitoral no seu partido.

Era sobre isso que eu pretendia perguntar. O sistema proporcional foi criado para aumentar a representação no parlamento dos partidos menores, mas ele acaba permitindo distorções.
É verdade. Você tem como exemplo a Luciana Genro (Psol/RS), que teve mais de 100 mil votos. Ela não se elegeu, porque não atingiu o quociente eleitoral. Ela teve uma votação expressiva, mas, mesmo somando com os colegas dela do Psol, não conseguiu atingir o quociente eleitoral. O colega de partido dela Jean Wyllys, do Rio de Janeiro, com 13 mil votos virou deputado em razão da sobra do Chico Alencar. Essas são as distorções do nosso sistema proporcional.

Na sua avaliação, apesar disso é o sistema mais justo. Quais são as vantagens e desvantagens?
O sistema proporcional tem vantagens enormes. Uma delas é permitir que representantes de minorias possam ter espaço no parlamento, o que no sistema majoritário, do tipo voto distrital puro, é praticamente zero. A possibilidade de alguém que representa um determinado segmento conseguir se eleger é quase impossível. Imagina o seguinte: um representante da comunidade gay. A eleição é majoritária, tem que ter 50%. Ele vai enfrentar o poder econômico local, a celebridade etc. A chance é basicamente zero.

O que seria mais apropriado?
O sistema proporcional de lista fechada é outro problema. O partido escolhe e você estabelece a ordem na lista e as vagas que a legenda tiver… Você não vota mais em pessoas, mas nos partidos. Se não definir na legislação que, por exemplo, para cada representante do sexo masculino há um feminino ou para cada dois, para cada três… Se não estabelecer isso, a presença feminina no parlamento vai ser, certamente, menor. Como ficam as minorias? Se não tiver essa garantia na legislação, dificilmente vão constar entre os possíveis eleitos.
Então, sempre tem problemas. Talvez o que pudesse fazer é, primeiro: proibir doação de pessoa jurídica. Só pessoa física pode doar e com um valor determinado. Segundo: considerar, para efeito de preenchimento de vagas, num sistema de sobra, porque nunca nenhum partido consegue, redondo, preencher as vagas que lhe cabem. Pegando aquele exemplo dos 800 mil votos. O partido teve 415 mil, portanto, elegeu 4 deputados. Os votos que sobraram ficam reservados para depois fazer nova rodada, para depois distribuir uma ou duas vagas, já que não se consegue preencher na primeira rodada.
No Brasil, se pratica a maior média. Logo, os grandes partidos se beneficiam. O interessante era mesmo assim permitir que os partidos que não atingiram o quociente eleitoral pudessem participar da disputa dessas vagas.

Seria uma forma de diminuir as distorções?
Exatamente.

Essa possibilidade chegou a ser aventada?
Não. Imagina-se exatamente o contrário. Aumentar a cláusula de barreira, ou seja, além do quociente eleitoral, passar por uma cláusula de desempenho, que já chegou a ser aprovada, mas o Supremo (Tribunal Federal) considerou inconstitucional, porque foi aprovada por intermédio de lei e o Supremo entende que só com mudança na Constituição isso seria possível.
Pela regra, o partido só teria representação no parlamento se atingisse essa cláusula de barreira. Significa dizer que, dos 22 partidos que vão ter representação no parlamento, se ficarem sete, ficam muito. Ficaria tudo em torno dos grandes partidos. Quem ultrapassar 5% do eleitorado, muito bem, tem representação. Quem não ultrapassar fica fora do parlamento.

Para você, compromete a democracia?
Pois é. Há alguns países que praticam esse sistema. Só tem funcionamento parlamentar, partido que tiver um percentual do eleitorado nacional. Se isso vier a ser adotado, retira da disputa representantes de segmentos importantes. É verdade que elimina, em vários casos, o fisiologismo, mas prejudica mais do que ajuda.

Falávamos de distorções. Há o caso, já emblemático, do humorista Tiririca (PR/SP), deputado federal eleito, que foi o grande puxador de votos das eleições. Para você, esse sistema atual acaba estimulando que partidos recrutem celebridades e até que ponto esse expediente não coloca em xeque a credibilidade do processo?
É verdade. Há partidos que adotam essa política de recrutar pessoas com grande apelo popular para que elas possam puxar outros integrantes do partido. Isso é uma distorção do sistema. O caso do Tiririca é um exemplo típico. Não coloco na mesma categoria, por exemplo, o Romário, que também foi buscado pelo PSB. Talvez, no caso dele, tenha havido uma razão específica. O fato de ter no Brasil uma olimpíada e uma copa do mundo, ter um atleta no parlamento, podendo propor medidas, parece factível.

Por Terra Magazine

 
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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

Indecisos provocam diferença entre Ibope e Sensus

As diferenças entre os resultados obtidos pelas últimas pesquisas do Ibope e do Sensus podem ter intrigado alguns eleitores, mas para o cientista político Marcus Figueiredo, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a explicação está na captação dos indecisos.

Na sondagem do Sensus, Dilma Rousseff (PT) aparece com 47% das intenções de voto contra 42% de José Serra (PSDB). Já na realizada pelo Ibope, a petista abre uma vantagem maior em relação ao opositor, ficando com 51%, enquanto o tucano abarca 40%. Os percentuais são referentes ao total de votos.

– O percentual de indecisos que aparece na Sensus é maior do que no Ibope.Isso quer dizer que o Ibope, com a sua amostra, está captando mais eleitores com voto definido. Por isso os resultados são distintos.

Figueiredo enfatiza que as variações entre os números apresentados pelas sondagens não estão relacionadas com os tamanhos das amostras. “São pequenas diferenças de procedimentos amostrais, que refletem basicamente na captação de indecisos. As duas últimas pesquisas Sensus são coerentes, porque seguem o mesmo padrão de captação de indecisos. O mesmo ocorre com o Ibope”.

O cientista político chama a atenção para a estabilidade dos percentuais de votos brancos e nulos na comparação com o primeiro turno, o que, afirma ele, indicaria uma migração dos eleitores de Marina Silva (PV) na direção da candidata do PT.

– Como brancos e nulos permanecem relativamente estáveis em relação ao primeiro turno, então há uma movimentação entre os eleitores da Marina. E os eleitores da candidata do PV, que eram previamente da Dilma, estão fazendo o caminho de volta.

Com base na comparação entre as duas últimas pesquisas feitas pelo Ibope, Figueiredo afirma ainda que a petista estaria recuperando parte dos eleitores que foram para o presidenciável tucano no início do primeiro turno.

– O percentual de indecisos entre as duas últimas pesquisas do instituto é praticamente o mesmo. E o que acontece com a intenção de voto? Dilma sai de 49 e ganha dois pontos. Serra perde três pontos. Você tem aumento de 1% de indecisos e 2% para a Dilma. Ou seja, dos eleitores que estavam Serra, 1% vai para indecisos e 2% voltam para a Dilma.

Para o professor, a recuperação de Dilma nas pesquisas estaria ligada ao posicionamento da presidenciável quanto ao aborto, tema que provocou arranhões na candidatura dela durante a transição do primeiro para o segundo turno.

– Quando ela diz que não vai assumir compromisso de produzir legislação liberando o aborto, ela assume uma postura republicana de que questões religiosas não são questões do Estado. Isso produz uma diminuição da ansiedade do eleitor. Quando um debate como esse aparece, o eleitor fica ansioso na sua decisão, sem certeza em relação às posições com as quais o candidato vai se comprometer. No momento em que ela se compromete com isso, baixa a ansiedade do eleitor e diminui a incerteza sobre o candidato. O movimento da igreja, evangélica principalmente, em relação ao aborto está sendo neutralizado, o que significa que as mulheres religiosas mais fundamentalistas se tranquilizam em relação à questão do aborto.

Isso explicaria também, na avaliação do cientista político, o crescimento de Dilma entre o eleitorado feminino, demonstrado na última sondagem do Ibope. Na pesquisa anterior, feita pelo instituto, ela aparecia empatada com Serra. Ambos tinham 46%. Na atual, a petista alargou a vantagem sobre o tucano, que agora é de 7 pontos (48% contra 41% dos votos totais).

– O fato de ser a primeira mulher candidata à presidência também é um fator que atrai o eleitorado feminino.

De acordo com o professor da UERJ, a tendência é que as próximas sondagens apresentem patamares semelhantes aos obtidos nas últimas pesquisas. “Isso só muda se houver algum acontecimento dito imprevisível”.

Por Terra Magazine

 
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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

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Sensus: Tendência do segundo turno é crescimento de Dilma

Apesar das diferenças entre os dados dos institutos de pesquisa, todos apontam para uma possibilidade de crescimento da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, neste segundo turno, analisa o diretor do Sensus, Ricardo Guedes.

A pesquisa CNT/Sensus foi divulgada nesta quarta-feira (20), um dia depois da Vox Populi e no mesmo dia que os dados novos do Ibope. A Sensus foi a que deu a menor diferença de Dilma para seu adversário, José Serra, do PSDB. No total das intenções de voto, a Sensus dá cinco pontos de vantagem a Dilma enquanto Vox Populi aponta 12 pontos de diferença e o Ibope, 11.

“Embora as diferenças possam ser significativas, os números em si formam uma série bastante compatível”, justifica Guedes. Ele analisa que um traçado com os dados das diferentes pesquisas aponta para o aumento da diferença entre Dilma e Serra. “É claro que a gente não sabe o que vai ser notícia e se um novo caso pode mudar isso”, ressalta. O pesquisador Marcus Figueiredo, do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) desenhou um gráfico que explica a tendência.

A pesquisa Sensus foi realizada em 18 e 19 de outubro. Sua divulgação havia sido adiada para esta quinta (21), mas acabou sendo publicada na noite de quarta. Na internet, a mudança provocou suspeitas de alteração nos dados, o que Guedes nega. “O que a gente mede é o que a gente mede”.

Regiões

Para o diretor, uma das razões para a melhora no desempenho de Dilma é o crescimento no Sul e no Sudeste. Na pesquisa Sensus anterior, de 11 a 13 de outubro, Dilma tinha 36,4% das intenções de voto no Sul contra 56% de Serra. Na pesquisa mais recente, a petista tem 38,2% no Sul contra 45,1% do tucano.

Para Guedes, o dado pode mostrar que diminui, primeiro nestas regiões, o impacto de polêmicas que afetaram a candidatura petista mais fortemente no primeiro turno como a questão do aborto e as denúncias de corrupção na Casa Civil.

Ele acredita que isso possa se mostrar também no Norte e Nordeste a medida em que Serra também sofre com acusações de desvio de verba na campanha. “Com a campanha do PT também entrando na linha da desconstrução de imagem, ou seja, quando há desconstrução recíproca das imagens, a questão sai do campo dos valores”, conclui.

Por Terra Magazine

 
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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

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Na média das pesquisas, Dilma tem 55% a 45% sobre Serra

Na média das pesquisas, Dilma Rousseff (PT) tem 55% dos votos válidos contra 45% de José Serra (PSDB). Na margem, a vantagem média da petista aumentou de oito para dez pontos.

O cálculo da média móvel considera sempre as quatro pesquisas divulgadas mais recentemente. No caso, compõem a nova conta as sondagens do Datafolha (15/10), do Vox Populi (18/10), do Sensus (19/10) e do Ibope (20/10).

Mais importante do que os números, são as tendências. Segundo Sensus e Datafolha, a distância entre Dilma e Serra estabilizou. Para Vox Populi e Ibope, a distância entre os dois candidatos aumentou esta semana.
Na média dos quatro institutos, há uma leva tendência de aumento da distância da petista sobre o tucano. A 10 dias da votação, a vantagem de Dilma é muito semelhante à que ela tinha na mesma época no 1º turno. A diferença é que naquela vez ela estava em queda e agora, em leve ascensão.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

 
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A cor do voto

José Serra (PSDB) tem mais chances entre brancos e amarelos. Dilma Rousseff (PT) vai melhor entre pretos e pardos. Se cor da pele equivale a origem étnica, o tucano ganha por 5 pontos nos caucasianos/orientais. Entre os negros, a petista tem 15 pontos de vantagem.
A divisão do eleitorado por cor obedece às mesmas categorias do IBGE. Como no Censo 2010, os entrevistados se auto-classificaram aos pesquisadores do Ibope. Os dois grupos correspondem a 46% (brancos/amarelos) e 53% (pretos/pardos) do eleitorado pesquisado.
A variável não havia sido analisada até agora nesta eleição. Foi incluída na pesquisa pelo Ibope a pedido de grupos militantes do movimento negro.
Uma das conclusões mais importantes dessa análise é que a preferência de pretos/pardos por Dilma e de brancos/amarelos por Serra sobrevive ao controle dos resultados pela renda e escolaridade dos eleitores.
Negros que ganham mais e/ou que cursaram mais séries na escola continuam votando até 30% mais na petista. É um comportamento eleitoral muito diferente dos caucasianos e orientais das mesmas faixas de renda e escolaridade, que votam até 44% mais no adversário.
Considerando-se apenas os eleitores que frequentaram o ensino médio ou superior, Dilma tem 38% entre brancos/amarelos e 51% entre pretos/pardos. Serra tem praticamente os porcentuais inversos: 52% e 42%, respectivamente.
Entre os eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, o topo da pirâmide eleitoral, a divisão do voto por cor segue na mesma proporção. Dilma tem 36% entre os brancos (contra 52% de Serra) e 51% entre os negros (contra 40% do adversário).
Há, portanto, fatores que diferenciam o voto dos dois grupos que vão além das condições sócio-econômicas em que vivem. A explicação parece ser tampouco a identificação entre eleitores e candidatos da mesma cor. Tanto Dilma quanto Serra são brancos e filhos de imigrantes europeus.
A sondagem do Ibope fornece pistas, mas não todos os elementos para explicar a clivagem do voto em função da auto-definição do eleitorado. O conjunto de pesquisas deixa claro, porém, que a cor não é o único fator, nem sequer o principal, para a escolha do presidenciável.
O voto é uma combinação da cor, religião, renda, escolaridade, ocupação e local de moradia do eleitor -não necessariamente nessa ordem. Essas variáveis têm pesos diferentes para cada um.
O religioso dá mais importância à opinião do candidato sobre o aborto, por exemplo. Mas se esse eleitor for beneficiário do Bolsa-Família a opção por um ou outro presidenciável será mais complexa: a balança penderá às vezes para o bolso, às vezes para a orientação religiosa.
Esses pesos e contra-pesos matizam a importância da cor do eleitor na decisão do voto. Nos segmentos intermediários de renda e escolaridade, Serra ainda vai melhor do que Dilma entre brancos/amarelos, embora sua vantagem não seja tão grande quanto entre os mais ricos e escolarizados da mesma cor.
Já entre os mais pobres (renda até 2 salários mínimos), o tucano apenas empata com a petista no eleitorado branco (45% a 47%), e perde por 20 pontos no negro: 36% a 56%.
A divisão do eleitorado segundo a cor de sua pele encontra um paralelo na geografia do voto nas metrópoles brasileiras. Em São Paulo, os candidatos a presidente do PSDB em 2006 e 2010 obtiveram vantagens maciças nas zonas centrais, mais ricas e tradicionais da cidade.
Em bairros como os Jardins e Pinheiros, onde a grande maioria dos moradores é branca, Geraldo Alckmin (PSDB) obteve até 79% dos votos válidos em 2006. Serra ficou em 68%, mas porque parte desses eleitores optaram por Marina Silva (PV) -uma candidata que, dependendo dos olhos de quem a vê, poderia ser enquadrada em qualquer uma das categorias étnicas.
Substitua-se esses bairros por Copacabana, Leblon e Gávea e o quadro se repete no Rio de Janeiro. A única diferença é que o voto petista não fica limitado à periferia. Está também encastelado nas zonas eleitorais dos morros da Zona Sul, como Rocinha e Vidigal, onde Dilma teve maioria absoluta de votos no primeiro turno.
Os dados sugerem pauta para novas pesquisas e investigações. Por ora, indicam que os que ascenderam recentemente a condições sócio-econômicas melhores mas ainda moram nas mesmas áreas onde viviam seus pais votam majoritariamente em presidenciáveis do PT.
Será curioso observar o comportamento desses emergentes ao longo das próximas eleições. Será que eles se manterão fiéis aos partidos que reivindicam tê-los ajudado a melhorar de vida, ou assimilarão a preferência eleitoral dos novos vizinhos?

Por OESP/José Roberto Toledo

 
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Peso dos colégios eleitorais

Quase todos os dias os jornais trazem cálculos feitos por políticos e especialistas sobre a o volume de votos dos candidatos neste segundo turno de disputa presidencial. As contas são difíceis de fazer, pois envolvem uma série de fatores: o total de abstenção, a taxa de votos brancos e nulos, a capacidade de os governadores eleitos (e dos que ainda estão concorrendo no segundo turno) ajudarem o candidato a presidente, o reconhecimento de existência de pisos e tetos de votos nos Estados.

Apresento a seguir um método simples para calcular o peso dos principais colégios eleitorais do País na votação final de Dilma e Serra no segundo turno. O primeiro desafio é agregar os Estados em um número menor de colégios eleitorais. Minha sugestão é que eles sejam agregados em seis unidades: Região Norte/Centro-Oeste, Região Nordeste, Região Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os votos do Espírito Santo foram somados aos do Rio de Janeiro.

O passo seguinte é dimensionar o peso dos votos de cada um destes colégios no total de votos do País. A tarefa não é simples, pois a taxa de comparecimento e de votos nulos e em branco de cada uma destas unidades é variável. A melhor opção é lidar com os votos exclusivamente recebidos pelos candidatos.

A partir da análise dos resultados do segundo turno das eleições de 2002 e 2006, e do primeiro turno das eleições deste ano, cheguei aos valores abaixo. A vantagem é que pouco importa o total de abstenção ou votos em branco de cada colégio eleitoral

O próximo passo é simples: multiplicar a porcentagem de votos válidos de cada um dos candidatos de um dado colégio eleitoral pelos valores apresentados na tabela 1. Por exemplo, para um candidato que aparece com 60% dos votos válidos na pesquisa no Rio de Janeiro a operação é a seguinte: 0,60 x 10,5 = 6,3. Este número mostra que o Rio de Janeiro contribui com 6,1 pontos porcentuais para o computo final do candidato.

Para efeitos de apresentação, utilizo os valores da última pesquisa Ibope (13 de outubro) da disputa para o segundo turno nas Regiões Nordeste, Sul e Norte/Centro-Oeste. Infelizmente, ainda não temos resultados divulgados para os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro; para estes Estados os números são arbitrários.

O mesmo procedimento deve ser repetido para todas as votações de Dilma e Serra em cada colégio eleitoral. Após o cálculo do total de pontos porcentuais obtidos pelos candidatos chegamos à tabela 2. Ela deve ser lida da seguinte maneira: Dilma obtém no Nordeste 15,6 pontos porcentuais do total nacional de 52,2; já Serra obtém 10 pontos do total nacional de 47,8.

O dado mais impressionante deste exercício é a diferença de pontos entre Dilma e Serra no Nordeste. Para compensar os 5,6 pontos de vantagem da candidata petista, o candidato tucano provavelmente teria que vencer com margem expressiva em São Paulo e, em mais um grande colégio eleitoral do Sudeste: Rio de Janeiro ou Minas Gerais.

Minha sugestão é que o leitor use o método acima para simular possíveis cenários eleitorais, utilizando os dados de cada nova pesquisa. Para os que preferem os números absolutos, cada ponto porcentual do exemplo acima corresponde algo em torno de 1 milhão de votos.

Bom deixar claro: o método serve apenas para fazer simulações e captar tendências. Longe de mim tentar fazer qualquer previsão sobre os resultados de uma eleição.
Por OESP/Jairo Nicolau

 
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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

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