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Supor vitória de Dilma no 1º turno foi precipitado

05 out

Para o sociólogo e consultor político-estratégico Antonio Lavareda, o crescimento de Marina Silva (PV) na véspera e no dia da votação foi o grande responsável pelas diferenças entre o que apontavam a maioria das pesquisas de intenção de voto e o resultado da eleição presidencial, que indicou a ocorrência de segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Segundo ele, os números apresentados pelas sondagens – a maioria dava como quase certa a vitória da petista já no primeiro turno – não podem ser considerados pouco precisos. Na análise de Lavareda, o equívoco pairou sobre os prognósticos precipitados.

– O que dá para falar é que, com base nas pesquisas de intenção de voto foram divulgados prognósticos muito conclusivos enquanto transcorria a campanha eleitoral. No final do mês de agosto, já havia quem afiançasse, baseado nas pesquisas, que a eleição já estava definida, seria resolvida no primeiro turno. Nessa direção, até diretores de institutos de pesquisas cometeram o equívoco de supor que a campanha eleitoral não poderia ter consequência por ela própria, como se todo o mês de setembro não tivesse nenhuma possibilidade de propiciar algumas surpresas.

O sociólogo chama a atenção também para as diferenças entre a boca de urna e os números apurados.

– É preciso saber qual foi o problema com a amostra do Ibope, porque Dilma tinha 51, com a margem de erro de dois pontos, então poderia ser tanto 49 quanto 53, mas ela não chegou sequer a 47% na apuração final. Como é uma pesquisa de boca de urna, na qual não se mede a intenção, mas voto efetivo, em geral, as pesquisas de boca de urna são as que menos erram. Ainda assim, houve essa discrepância na votação da ex-ministra Dilma.

Confira a entrevista

Terra Magazine – A maioria dos institutos de pesquisa indicava que eram grandes as chances de Dilma vencer no primeiro turno. Para o senhor, o resultado pode ser considerado surpresa?
Antonio Lavareda – Deve ser levado em conta que houve um movimento importante na direção da candidatura da Marina nesta reta final. Ela cresceu nesses últimos dias. Provavelmente, cresceu na véspera e no dia da eleição. Então, isso dificultou que os institutos captassem esse quadro de evolução nas suas amostras. O que chama mais atenção é que a votação concreta da Dilma discrepou da boca de urna para além da margem de erro.

Por que isso ocorreu?
Não sei. É preciso saber qual foi o problema com a amostra do Ibope, porque Dilma tinha 51, com a margem de erro de dois pontos, então poderia ser tanto 49 quanto 53, mas ela não chegou sequer a 47% na apuração final. Como é uma pesquisa de boca de urna, na qual não se mede a intenção, mas voto efetivo, em geral, as pesquisas de boca de urna são as que menos erram. Ainda assim, houve essa discrepância na votação da ex-ministra Dilma.

O movimento que o senhor apontou de migração de votos da Dilma para Marina se confirmou?
Com certeza. Como o Serra ficou estável e parecido com que as pesquisas lhe atribuíram na última semana da campanha, é muito provável supor que o crescimento final da Marina foi, praticamente, todo ele construído na subtração de intenção de voto da Dilma.

É possível fazer projeções para o segundo turno?
Não dá para fazer projeção. É preciso ficar atento às pesquisas dessa próxima semana. Olhando o resultado do eleitorado, a primeira coisa a se perceber é que quem vai decidir é a distribuição dos votos dos eleitores da Marina no segundo turno. A ex-ministra Dilma tem a tarefa conseguir, pelo menos, atrair 20% dos eleitores de Marina. O desafio do Serra é maior. Ele tem que atrair 80%.

Nas eleições em São Paulo, o resultado da disputa pelo Senado também surpreendeu.
Todas as pesquisas apontavam crescimento acelerado, contínuo e ininterrupto do Aloysio Nunes. Ainda assim, às vésperas da eleição, o apontavam nominalmente no terceiro lugar. Mas se você leva em conta a tendência, e a dele era o tempo todo em viés de alta, se você leva em conta que o voto para o Senado é o último voto que a maioria dos eleitores decide, porque é o objeto eleitoral menos importante para eles… Tudo isso nos ajuda a entender a distância entre pesquisas e resultado eleitoral, especialmente em relação ao Senado.

A disputa para o governo paulista também foi mais equilibrada do que sinalizavam as pesquisas.
Isso também é verdade. Agora, os movimentos de última hora explicam também. A pontuação do Aloizio Mercadante (PT) ficava sistematicamente abaixo dos 30 pontos em todas as pesquisas realizadas até três, quatro dias antes do pleito. E ele ultrapassou a marca. Ele alcançou 34% dos votos, que foi o que ele teve em 2006. Ou seja, de alguma forma, havia um potencial no histórico do partido, que praticamente se repetiu.

Dá para falar que os números dos insitutos foram pouco precisos?
O que dá para falar é que, com base nas pesquisas de intenção de voto foram divulgados prognósticos muito conclusivos enquanto transcorria a campanha eleitoral. No final do mês de agosto, já havia quem afiançasse, baseado nas pesquisas, que a eleição já estava definida, seria resolvida no primeiro turno. Nessa direção, até diretores de institutos de pesquisas cometeram o equívoco de supor que a campanha eleitoral não poderia ter consequência por ela própria, como se todo o mês de setembro não tivesse nenhuma possibilidade de propiciar algumas surpresas.
Na verdade, são essas análises equivocadas, esses prognósticos apressados, divulgados com base em pesquisas, que refletiam situações conjunturais, é que dão margem hoje para que se confunda, o erro das pesquisas. Na realidade, não houve grandes erros, salvo a distorção do boca de urna. No meu entendimento, o que houve foram prognósticos precipitados.

Por Terra Magazine

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Publicado por em 05/10/2010 em Uncategorized

 

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