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Ipea mostra uma revolução na família brasileira

13 out

Aumenta o número de lares em que mulheres e idosos são os principais provedores. Estudo tem como base a Pesquisa de Amostra de Domicílios

O envelhecimento da população e o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho estão provocando uma revolução nas famílias brasileiras. O aumento da proporção de mulheres e idosos – homens e mulheres – chefes de família é o principal fenômeno apontado pela análise apresentada nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a partir de dados da última Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD). O estudo do IPEA mostra que, entre 1992 e 2009, as famílias com e sem filhos chefiadas por mulheres passaram de 0,8% para 9,4% do total. Em números absolutos, isso significa que, em 2009, 4,3 milhões de domicílios brasileiros encontravam-se nessa categoria. No mesmo período, as famílias formadas por mães e filhos (portanto, chefiadas por uma mulher) passaram de 12,3% para 15,4%.

Essa mudança confirma a inserção do Brasil numa realidade mundial, e está estreitamente relacionada à crescente presença feminina no mercado de trabalho. A divisão tradicional de homem provedor/mulher cuidadora vai, aos poucos, virando coisa do passado. Algo confirmado também pelo impressionante crescimento da contribuição das mulheres à renda familiar. No total, essa participação passou de 30,1% para 40,9%. Mas quando se analisa o universo das mulheres cônjuge é que se tem ideia do tamanho da mudança. Em 1992, 39,1% das mulheres participavam do orçamento familiar junto com seu marido ou companheiro. Em 2009, esse percentual era de 65,8%.

Revolução semelhante acontece na população idosa, que vem aumentando por dois motivos: a alta taxa de fecundidade registrada no passado e o aumento da expectativa de vida. No Brasil, a população com menos de 15 anos de idade passou de 33,8% do total em 1992 para 24% em 2009, enquanto na população idosa (com mais de 60 anos) houve crescimento: de 7,9%, essa faixa etária passou a representar 11,4%.

Ao mesmo tempo, a participação dos idosos na renda familiar cresceu. E não só pelos ganhos de aposentadorias e pensões, mas também pelos rendimentos vindos do trabalho. O que é uma boa notícia, porque mostra uma população menos dependente de filhos e netos. O número de idosos chefes de família aumentou, passando a ser a condição predominante inclusive para as mulheres. Em 2009, aproximadamente 13,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos eram chefes de família. Destes, 42.7% eram mulheres. Em cerca de seis milhões de famílias em que o idoso era chefe ou cônjuge, havia filhos adultos, e em 2,3 milhões de famílias, havia netos. Nesses famílias, os idosos contribuíam com mais da metade da renda familiar, invertendo uma tradicional relação de dependência.

São, no geral, boas notícias. Mostram o Brasil cada vez mais próximo do padrão demográfico dos países desenvolvidos. Por outro lado, são números que encerram um desafio nas próximas décadas. O país terá que estabelecer novas prioridades em suas políticas públicas, principalmente na saúde e na geração de empregos. Pelas projeções do IPEA, a partir de 2030, só continuarão a aumentar sua participação na população os grupos de pessoas de mais de 45 anos de idade.

Por Veja

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Publicado por em 13/10/2010 em Uncategorized

 

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