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Métodos de institutos de pesquisa são criticados

13 out

Motivo é resultado fora da margem de erro
em parte das disputas do dia 3

Mauro Paulino, do Datafolha, afirma que técnica usada
hoje é a melhor, mas que precisa de ajustes pontuais

DE SÃO PAULO
Institutos de pesquisas eleitorais admitem que não é possível obter resultados rigorosamente precisos em suas projeções a cada eleição, mas defendem a metodologia utilizada atualmente para apurar as intenções de votos no Brasil.

Eles entendem, no entanto, que são necessários ajustes pontuais a cada pleito para calibrar melhor a apuração das intenções de votos.
Alguns institutos vêm sendo criticados neste ano por não terem acertado, dentro dos limites das margens de erro divulgadas, os percentuais finais de votos válidos de alguns candidatos a presidente, governador e senador.

Jairo Nicolau, professor de ciência política da Uerj, por exemplo, diz que, além de problemas metodológicos, o excesso de pesquisas aumenta as chances de erro e que a mídia, ao dar demasiado destaque aos resultados, acaba gerando uma sensação de “absolutização”.

José Ferreira de Carvalho, professor aposentado da Unicamp, afirma que “os erros observados nas eleições não são casuais”.

“Eles refletem um problema metodológico grave dos institutos, que aplicam à amostragem por cotas [como sexo, idade, escolaridade e renda] uma fórmula que vale apenas para a amostragem probabilística.”

AMOSTRAGEM
Na amostragem probabilística, todos os eleitores têm chances iguais de serem sorteados pelos pesquisadores. Na por cotas, há uma delimitação prévia do total de indivíduos por alguns critérios.

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz ser “inviável” a mudança da amostragem de cotas para probabilística no Brasil. Isso foi feito na Inglaterra a partir de 1992, por exemplo.
“A cobertura de telefonia fixa no Brasil não é suficiente para representar o total da população. Até poderíamos considerar os celulares, mas não existem listas de celulares no Brasil. Por isso, descartamos o método probabilístico, que é o que os estatísticos acadêmicos mais cobram”, diz Paulino.

Para uma pesquisa probabilística pura, face a face, seria preciso que ela fosse domiciliar. Isso levaria pelo menos duas semanas. O início da pesquisa já estaria defasado em relação ao seu final, argumenta Paulino.

Cristiano Ferraz, professor de estatística da Universidade Federal de Pernambuco, admite a dificuldade em realizar pesquisas probabilísticas no Brasil por conta da ausência de uma ampla cobertura telefônica.

Mas afirma que as pesquisas baseadas em cotas “não são científicas”. “Estudos mostram que as flutuações nas estimativas por cotas são bem maiores do que na aleatória (probabilística).”
Apesar da dificuldade em alterar completamente o método (de cotas para probabilístico), os institutos fazem alterações periódicas nos levantamentos após o resultado de eleições e ao constatar falhas nas previsões.

“A cada eleição, sempre que termina um turno, há reuniões de avaliação, e, nos lugares onde houve problemas, o Datafolha avalia o que deu errado”, diz Paulino.

“Estamos reavaliando alguns lugares. São Paulo e Distrito Federal, principalmente, onde haverá segundo turno. Vamos comparar os dados oficiais da eleição com os da pesquisa no detalhe. Onde houver imprecisões, investigaremos o problema.”

O Ibope também afirma que faz esse tipo de revisão. Mas, segundo Márcia Cavallari, diretora do instituto, não são necessárias mudanças na metodologia utilizada.
“Não se trata de problema metodológico, trata-se da complexidade da eleição de primeiro turno com vários cargos, vários candidatos.”

Cavallari concorda que a amostragem probabilística é impraticável no Brasil. “A celeridade do processo eleitoral exige uma metodologia que seja rápida para acompanhar a opinião dos eleitores.”


Por UOL/Fernando Rodrigues

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Publicado por em 13/10/2010 em Uncategorized

 

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