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Peso dos colégios eleitorais

22 out

Quase todos os dias os jornais trazem cálculos feitos por políticos e especialistas sobre a o volume de votos dos candidatos neste segundo turno de disputa presidencial. As contas são difíceis de fazer, pois envolvem uma série de fatores: o total de abstenção, a taxa de votos brancos e nulos, a capacidade de os governadores eleitos (e dos que ainda estão concorrendo no segundo turno) ajudarem o candidato a presidente, o reconhecimento de existência de pisos e tetos de votos nos Estados.

Apresento a seguir um método simples para calcular o peso dos principais colégios eleitorais do País na votação final de Dilma e Serra no segundo turno. O primeiro desafio é agregar os Estados em um número menor de colégios eleitorais. Minha sugestão é que eles sejam agregados em seis unidades: Região Norte/Centro-Oeste, Região Nordeste, Região Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os votos do Espírito Santo foram somados aos do Rio de Janeiro.

O passo seguinte é dimensionar o peso dos votos de cada um destes colégios no total de votos do País. A tarefa não é simples, pois a taxa de comparecimento e de votos nulos e em branco de cada uma destas unidades é variável. A melhor opção é lidar com os votos exclusivamente recebidos pelos candidatos.

A partir da análise dos resultados do segundo turno das eleições de 2002 e 2006, e do primeiro turno das eleições deste ano, cheguei aos valores abaixo. A vantagem é que pouco importa o total de abstenção ou votos em branco de cada colégio eleitoral

O próximo passo é simples: multiplicar a porcentagem de votos válidos de cada um dos candidatos de um dado colégio eleitoral pelos valores apresentados na tabela 1. Por exemplo, para um candidato que aparece com 60% dos votos válidos na pesquisa no Rio de Janeiro a operação é a seguinte: 0,60 x 10,5 = 6,3. Este número mostra que o Rio de Janeiro contribui com 6,1 pontos porcentuais para o computo final do candidato.

Para efeitos de apresentação, utilizo os valores da última pesquisa Ibope (13 de outubro) da disputa para o segundo turno nas Regiões Nordeste, Sul e Norte/Centro-Oeste. Infelizmente, ainda não temos resultados divulgados para os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro; para estes Estados os números são arbitrários.

O mesmo procedimento deve ser repetido para todas as votações de Dilma e Serra em cada colégio eleitoral. Após o cálculo do total de pontos porcentuais obtidos pelos candidatos chegamos à tabela 2. Ela deve ser lida da seguinte maneira: Dilma obtém no Nordeste 15,6 pontos porcentuais do total nacional de 52,2; já Serra obtém 10 pontos do total nacional de 47,8.

O dado mais impressionante deste exercício é a diferença de pontos entre Dilma e Serra no Nordeste. Para compensar os 5,6 pontos de vantagem da candidata petista, o candidato tucano provavelmente teria que vencer com margem expressiva em São Paulo e, em mais um grande colégio eleitoral do Sudeste: Rio de Janeiro ou Minas Gerais.

Minha sugestão é que o leitor use o método acima para simular possíveis cenários eleitorais, utilizando os dados de cada nova pesquisa. Para os que preferem os números absolutos, cada ponto porcentual do exemplo acima corresponde algo em torno de 1 milhão de votos.

Bom deixar claro: o método serve apenas para fazer simulações e captar tendências. Longe de mim tentar fazer qualquer previsão sobre os resultados de uma eleição.
Por OESP/Jairo Nicolau

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Publicado por em 22/10/2010 em Uncategorized

 

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