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Arquivo diário: 01/11/2010

Números e impressões

Analistas políticos passarão dias debruçados sobre os resultados eleitorais da disputa presidencial deste ano tentando encontrar recorrências e resultados inusitados. Poucas horas depois de encerradas as eleições, compartilho algumas observações que me chamaram a atenção:

1 As eleições do segundo turno de 2010 praticamente repetiram o padrão territorial que começou no primeiro turno de 2006, manteve-se no segundo turno de 2006 e no primeiro turno de 2010. Observe nesta edição um mapa dos estados com a cor dos vitoriosos: o país ficou territorialmente dividido; a contiguidade das cores no território só não é perfeita por causa das vitórias de Serra no Espírito Santo e em Roraima.

2 A votação final de Dilma foi menor do que a obtida por Lula em 2006 em todas as regiões do país, com exceção da região Sul onde ela manteve o mesmo patamar de Lula em 2006: 44% dos votos. Dilma perdeu 4 pontos porcentuais no Centro-Oeste; 9 pontos no Norte; 6 pontos no Nordeste e 5 pontos no Sudeste.

3 Comparativamente à Alckmin em 2006, Serra cresceu em quatro regiões: 3 pontos porcentuais no Centro-Oeste (onde o PSDB passou a vencer); 9 pontos no Norte; 3 pontos no Sudeste. Na região Sul, Serra obteve (51%) e repetiu a votação de Alckmin em 2006 (50%).

4 A diferença entre PT e PSDB na região Sudeste vem se reduzindo desde 2002: 25 pontos em 2002, 12 pontos e 2006 e 4 pontos em 2010.

5 As eleições foram muito disputadas na região Sul (diferença de 6 pontos); Centro-Oeste (diferença de 2 pontos) e Sudeste (diferença de 4 pontos). A vantagem de Dilma deveu-se à diferença obtida no Nordeste (38 pontos) e Norte (15 pontos).

6 Dilma perdeu, no total, em 11 estados. Nunca um presidente eleito perdeu em tantos estados.

7 Se considerarmos os votos brancos e nulos, a votação de Serra (41%) não é muito inferior à obtida por Fernando Henrique em 1994 ( 44%) e 1998 (43%).

8 Apesar de muita especulação sobre os eventuais efeitos do feriado, a abstenção seguiu o padrão de eleições anteriores e cresceu levemente em relação ao primeiro turno; passou de 18% para 21%.

Por OESP/José Roberto Toledo

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Ibope tem 100% de acerto nas 10 eleições do 2º turno

 
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Publicado por em 01/11/2010 em Uncategorized

 

Continuidade do consumo é motor da eleição de Dilma

A eleição de Dilma Rousseff (PT) expressa o desejo do eleitor pela continuidade do atual governo. Com economia e consumo em alta, a maioria dos eleitores votou para não mudar. É também uma vitória rara na política brasileira: a de um projeto, e não a de uma pessoa física.
A nova presidente, ao contrário de seu antecessor, não é uma líder carismática com canal direto de comunicação com o eleitorado. Apontada pessoalmente por Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo, foi eleita exclusivamente pela transfusão de votos do atual presidente.
O PT entrou de carona no processo. Embora tenha sido importante para consolidar suas chances eleitorais no início da campanha, o partido não participou do processo decisório sobre a candidatura de Dilma. Foi uma decisão solitária do presidente.
As pesquisas Ibope mostram que Lula conseguiu transformar 4 em cada 5 fãs de seu governo em eleitores de Dilma. São aqueles que avaliam a atual administração como “ótima”. Além disso, o presidente conseguiu transferir para sua candidata metade dos que acham seu governo “bom”.
O cruzamento das pesquisas de véspera e dos resultados da urna indica que cerca de um terço desses votos veio de beneficiados pelos programas assistenciais do governo federal, principalmente o Bolsa Família. Mas a maior parte de quem votou em Dilma não recebe nenhum tipo de bolsa ou auxílio.
Esses eleitores optaram por Dilma porque a economia, de modo geral, vai bem. É a expansão da renda, do emprego e, especialmente, do crédito que alavancou eleitoralmente a candidatura da petista em Estados onde o Bolsa Família importa menos, como no Rio de Janeiro.
Isso foi fundamental também para evitar que José Serra (PSDB) abrisse uma vantagem muito grande em São Paulo e no Sul do país. O tucano conseguiu 2 milhões de votos a mais do que a rival no maior colégio eleitoral do país, que ele governou até abril. Em compensação, Dilma abriu 10 milhões de votos no Nordeste, por exemplo.
O desejo de continuidade que elegeu Dilma foi responsável também pela eleição da maioria dos governadores, de oposição e da situação, que tentaram voltar ao cargo. Da mesma maneira, a taxa de reeleição dos deputados federais foi muito alta: 70%.
No final, o consumo e economia pesaram mais do que as questões morais e religiosas. Para ter governabildidade, Dilma precisará ser capaz de manter o bolso dos eleitores como estão: cheios.

Por OESP/José Roberto Toledo

 
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Intensidade da vitória de Dilma no Nordeste faz a diferença

O mapa abaixo mostra as vitórias de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) em cada município brasileiro, representados na proporção do peso de seu eleitorado. Cidades com mais eleitores aparecem maiores. Tons mais escuros indicam vitória por mais de 65% dos votos válidos.
Há uma equivalência das áreas vermelha e azul. Isso significa que, considerados os pesos dos colégios eleitorais, houve um equilíbrio entre os locais onde Dilma e Serra venceram. Então por que a petista ganhou com 12 milhões de votos de diferença?
Principalmente por causa da intensidade de sua vitória no Nordeste, representada pela ampla área pintada de vermelho escuro no mapa. Ou seja, nessa região, no norte de Minas Gerais e no Amazonas, Dilma teve pelo menos 2 votos para cada voto do tucano.
Serra, por sua vez, venceu por margens bem mais apertadas nos seus redutos. Isso fica evidenciado pela grande área azul claro do mapa, em comparação à relativamente pequena área azul escura. Essas se limitam a pequenas áreas do interior de São Paulo e do Paraná, principalmente.
Em outras palavras, Serra não conseguiu compensar no Sul e em São Paulo a vantagem que Dilma abriu no Nordeste, em Minas e no Rio de Janeiro.

Dos 10 principais colégios eleitorais do Brasil, Dilma venceu em 7. A maior diferença, em números absolutos, foi no Rio de Janeiro: 700 mil votos a mais do que Serra. O tucano abriu sua maior margem em São Paulo: 465 mil votos.
Proporcionalmente, a maior vantagem da petista entre esses grandes municípios foi em Manaus (500 mil votos, ou 79% dos votos válidos). Para o tucano, foi em Curitiba (270 mil votos, ou 64% dos válidos).
Dilma venceu ainda em Brasília, Salvador, Fortaleza e Recife. E Serra, em Porto Alegre.
O mapa distorcido evidencia que a vitória de Dilma no Nordeste não foi total. Serra ganhou em capitais como Maceió (AL) e Natal (RN), além de em cidades importantes, como Campina Grande (PB) e Vitória da Conquista (BA).

Por OESP/José Roberto Toledo

 
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Última média antes da urna: Dilma 56% X 44% Serra (dos votos válidos)

Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 56% dos votos válidos, na média móvel das pesquisas divulgadas neste sábado. José Serra (PSDB) tem 44%. Se os votos válidos forem em igual quantidade aos do primeiro turno, a petista deve vencer o tucano por 12 milhões de votos de diferença.
A média leva em conta as seguintes pesquisas:
Ibope – Dilma 56% X 44% Serra
Datafolha – Dilma 55% X 45% Serra
Sensus – Dilma 57% X 43% Serra
Vox Populi – 57% X 43% Serra

Por OESP/José Roberto Toledo

 
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