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Pesquisa avalia cobertura jornalística dos jornais impressos sobre eleições 2010

03 dez

Levantamento sobre a cobertura da campanha eleitoral feita pela mídia impressa revela que a Folha foi, dos grandes jornais brasileiros, o mais crítico em relação aos dois principais candidatos à Presidência da República.

A pesquisa, realizada pelo Doxa (Laboratório de Pesquisas em Comunicação Política e Opinião Pública), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, abrange as edições da Folha, de “O Globo” e de “O Estado de S. Paulo” de 1º de setembro de 2009 até 31 de outubro de 2010, totalizando 57.168 matérias, entre reportagens, notas, editoriais e artigos de colunistas e convidados.

Levando em conta todos os textos publicados no período com menções positivas e negativas a Dilma Rousseff (PT) e a José Serra (PSDB), de acordo com os critérios dos pesquisadores, a petista teve um empate na Folha, contra um saldo positivo de 0,54% em “O Estado” e de 5% em “O Globo”; já o tucano teve um saldo de menções negativas na Folha de 2,8%, contra 11,5% de saldo positivo no “Globo” e 14,75% de saldo positivo no “Estado”.

Em relação ao governo Lula, a Folha ocupou uma posição intermediária entre os dois concorrentes, com um saldo de 3%: “O Globo” apresentou a cobertura mais positiva à gestão do atual presidente (6%), e “O Estado”, a mais negativa (-1% de saldo).

LEVANTAMENTO

Coordenado pelo cientista político Marcus Figueiredo, o levantamento do Doxa atribui valores positivos, negativos, neutros ou equilibrados a cada matéria publicada.
Os textos positivos são aqueles que reproduzem declarações do candidato ou de outras pessoas que o favorecem _incluindo nessa conta bons resultados nas pesquisas. As reportagens negativas trazem ressalvas, críticas e ataques ao candidato, ou pesquisas desfavoráveis.

Os textos neutros são descrições que não fazem avaliações de ordem moral, política ou pessoal do mesmo. Já as matérias equilibradas são aquelas que ressaltam o contraditório: contêm, ao mesmo tempo, menções positivas e negativas aos políticos.

Segundo Marcus Figueiredo, “o comportamento da mídia impressa foi como esperávamos. Os jornais foram críticos, especialmente em seus espaços nobres como a primeira página, suas colunas e editoriais. No cômputo geral, ‘O Globo’ e ‘O Estado’ foram mais pró-Serra, inclusive em suas reportagens”.

Os gráficos publicados ao lado mostram a evolução da cobertura eleitoral nos três jornais. A despeito das diferenças entre os três veículos, é possível constatar que as tendências gerais são muito semelhantes, pois acompanham o noticiário.

Por exemplo, a crise na escolha do candidato a vice de Serra multiplicou as menções negativas ao tucano; o mesmo ocorreu com a campanha de Dilma em setembro, com o escândalo que derrubou a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

O LABORATÓRIO

Criado em 1996 com o objetivo de investigar os processos eleitorais e de formação da opinião política, o Doxa analisa as coberturas da imprensa desde 2000.
Nesta eleição o Doxa deixou de acompanhar o “Jornal do Brasil”, que no início da campanha encerrou suas atividades impressas.
Em seu lugar passou a ser objeto de acompanhamento o jornal “Valor Econômico”, mas cujos resultados estão sendo analisados. Os resultados completos da pesquisa do laboratório devem ser apresentados em breve.

Devido a crise aguda do Iuperj, o Doxa deixou de apresentar os resultados durante a campanha, como sempre fez. Superada a crise, com a integração de toda a equipe do Iuperj pelo Iesp (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o Doxa passa a apresentar seus resultados iniciais.

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Publicado por em 03/12/2010 em Uncategorized

 

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