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Datafolha: presidente adotou o estilo do “menos é mais” e se deu bem

21 mar

Estratégia é pouco sustentável ao longo do mandato.

Dilma Rousseff iguala-se a Lula como a presidente mais bem avaliada num terceiro mês de mandato, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 15 e 16 de março de 2011 –e publicada na íntegra na edição de domingo (20.mar.2011), da Folha.

Quando se compara Dilma com o Lula do terceiro mês do primeiro mandato, aí a presidente atual está melhor do que seu antecessor –e também superior a todos os outros eleitos pelo voto direto pós-ditadura militar. Eis os dados:

É necessário fazer ressalvas e contextualizar. Enquanto FHC e Lula (para ficar nos dois antecessores mais recentes) sentaram na cadeira de presidente tendo de tomar algumas decisões amargas, Dilma encontrou o país já mais estabilizado –apesar do risco da volta da inflação.

Como há mais estabilidade, há portanto menos pressões por decisões polêmicas.

Dilma nesses seus 3 primeiros meses ficou conhecida por não ter cedido aos sindicalistas por um salário mínimo maior; por não ter cedido de imediato ao PMDB e a outros partidos ávidos por cargos; por não ter aparecido em público de maneira excessiva fazendo discursos recheados de metáforas futebolísticas.

Não existe no cardápio de realizações iniciais de Dilma uma grande proposta polêmica enviada ao Congresso para mudar estruturalmente o país. Nada de reforma da Previdência ou tributária. Na semana passada, em entrevista a Claudia Safatle, do “Valor Econômico”, a presidente foi indagada se não trataria, pelo menos, da “regulamentação da reforma da previdência do setor público que está parada no Congresso”.

Eis a resposta de Dilma: “Isso é outra coisa. Já está no Congresso e vamos tentar ver se ele vota. Mas não vamos tirar direitos do trabalhador, não. Nem vem que não tem!”.

O “Valor” insistiu: “A regulamentação da previdência pública, com a criação dos fundos de previdência complementar, não seria apenas para os novos funcionários?”.

E Dilma: “É. Mas aí temos que ver como será feito. Não estamos ainda discutindo isso”.

Ou seja, a administração Dilma Rousseff até agora tem sido por uma busca de alguns consensos antes de entrar em grande projetos controversos. Usa a estratégia do “menos é mais”. O problema é deixar o tempo passar –e se esquecer de que os primeiros 6 meses de mandato são os mais úteis de qualquer governo. Depois, o que é difícil agora, fica quase impossível.

Imagem
Há também aspectos relevantes da pesquisa Datafolha sobre a imagem de Dilma Rousseff e a percepção que os eleitores têm dela.

Apesar do desempenho espetacular em termos comparativos com presidentes anteriores, no que diz respeito à popularidade total, Dilma ainda parece ser uma incógnita para parte dos brasileiros.

Por exemplo, 27% dos pesquisados pelo Datafolha não sabem dizer se a presidente respeita mais os pobres ou os ricos. Isso mesmo. E 29% acham que ela respeita mais os ricos.

No 3º mês de seu primeiro mandato, Lula era visto por 70% como alguém que respeitava mais os pobres. No caso de Dilma, esse percentual é de apenas 43% –uma distância de 27 pontos para o seu antecessor.

Nos itens de imagem historicamente pesquisados pelo Datafolha, Dilma se sai pior do que Lula em vários: trabalha menos, é mais orgulhosa, mais antipática, menos sincera e mais autoritária.

Ela empata tecnicamente com o antecessor em ser moderna e decidida. E passa Lula no item “muito inteligente” (85% para Dilma; 69% para Lula). Aqui, dados da pesquisa Datafolha publicados pelo portal Folha.com.

A seguir, os resultados da pesquisa de imagem de Dilma na comparação com Lula. Serão certamente informações muito usadas e discutidas pela presidente com seus assessores mais próximos:

Por UOL/Fernando Rodrigues

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Publicado por em 21/03/2011 em Uncategorized

 

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