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Losango é o modelo mais adequado para exemplificar as classes sociais brasileiras

23 mar

Se você estudou, ainda nos bancos da escola, que a forma geométrica que melhor representava a desigual estratificação social brasileira era a pirâmide (de difícil mobilidade entre as classes, com base larga, onde estava a maioria das famílias de baixíssima renda, e topo estreito, onde concentravam as elites), esqueça de tudo o que foi aprendido e refaça esse modelo pedagógico para um losango. Pelo menos essa é a conclusão do estudo Observador 2011, da Cetelem BGN Brasil, em parceria com a Ipsos Public Affairs.

Conforme a pesquisa, a razão dessa mudança histórica é um inchaço jamais visto da classe média por conta do abandono de milhões de pessoas das camadas de rendimento inferior. Só entre 2009 e 2010, a migração foi de quase 19 milhões. Segundo a série histórica do levantamento, há seis anos, as classes DE representavam mais da metade do povo brasileiro. Agora, esse posto é ocupado pela classe C, que ultrapassou a casa de 101 milhões de brasileiros, ou seja, 53% de toda a nação.

Novas oportunidades

Com base nesses dados, em coletiva de imprensa para apresentar a pesquisa, o presidente da Cetelem, Marcos Etchegoyen afirmou que é preciso estudar os impactos do fim da pirâmide social no País. “Podemos transformar isso em oportunidades”, comentou Marcos. Para o vice-presidente, Miltonleise Carreiro, as informações podem orientar o mercado. “É uma radiografia do momento atual e da intenção do brasileiro de compra, consumo e oferta de crédito para este ano”, disse.

O estudo é realizado desde 2005, no Brasil. Foram entrevistadas 1.500 pessoas maiores de 16 anos, de nove das principais regiões metropolitanas do País, o que totalizou 70 municípios.

O crescimento do rendimento foi constatado em todo o Brasil. Contudo, no Nordeste o desempenho foi aquém aos das demais regiões. A renda familiar mensal subiu apenas R$ 59 de 2009 para 2010, no Nordeste. Já a renda disponível, que é o todo arrecado menos os gastos, a ampliação foi de apenas R$ 7.

Quanto aos gastos, a pesquisa revelou que a região nordestina também registrou um avanço mais modesto que o da média nacional. Enquanto o brasileiro como um todo gastou R$ 165 a mais no ano passado, o nordestino desembolsou somente R$ 30. Disparadamente, a área que menos avançou nesse aspecto.

Despesas específicas

O estudo abordou, ainda, categorias de despesas essenciais. No Nordeste, só houve recuo no desembolso de dois itens. Supermercados (R$ 289 na divulgação de ontem ante R$ 301 de 2009) e energia elétrica (R$ 28 em 2010 ante R$ 77 do ano anterior). Porém, o aumento de gastos foi confirmado em aluguel, remédios, gás de rua ou de botijão, água e esgoto, transporte coletivo e condomínio.

Nos gastos não essenciais, a elevação foi constatada em todas as categorias analisadas. A região Nordeste continuou com desembolso inferior ao das outras regiões do Brasil. A exceção foi o item convênio médico, categoria em que o nordestino gastou R$ 172, o maior valor em todo o País.

Otimismo

A expectativa do brasileiro é a melhor possível em comparação a de outros 12 países onde a mesma pesquisa foi feita, simultaneamente (todos da Europa). A nota média atribuída em uma escala de zero a 10 foi de 6,8 pontos. As maiores pontuações foram das regiões Sul e Nordeste, respectivamente 7,3 e 6,9.

No balanço geral, a classe AB é a que se mostrou mais otimista, com 63% das respostas. A classe C, com 82% de participação, é a que mais pretende economizar neste ano. Já a pretensão de compra da maioria dos brasileiros é nos segmentos de móveis (40%), eletrodomésticos (38%), lazer e viagem (32%) e celular (25%).

PESQUISA

“É a radiografia do momento atual e da intenção de compra, consumo e crédito”

Miltonleise Carreiros
Vice-presidente da Cetelem BGN

Por Diário do Nordeste

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Publicado por em 23/03/2011 em Uncategorized

 

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