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Arquivo da tag: Eleições 2010

Arrecadação eleitoral na internet foi de 0,000022% do total geral

Saiu mais um dado que comprova o fracasso no Brasil das doações eleitorais via internet em 2010, primeiro ano em que essa modalidade de financiamento foi usada de maneira mais livre.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ricardo Lewandowski, disse ontem (14.abr.2011) que o total das receitas de doações por meio da web em 2010 foi de R$ 736 mil.

Trata-se de uma ninharia. O valor equivale a apenas 0,000022% do total geral de doações para as campanhas em 2010, que foi de R$ 3,3 bilhões –conforme informou ontem o TSE. Esses R$ 3,3 bilhões se referem ao dinheiro recebido por todos os candidatos, comitês eleitorais e partidos políticos na eleição do ano passado.

Abaixo, mostra-se como foi o desempenho da campanha digital das candidatas a presidente Marina Silva (PV) e de Dilma Rousseff (PT). Ambas obtiveram, somadas, via web R$ 350,5 mil –48% de toda a arrecadação por meio da internet.

maior herança virtual é o cadastro de 1.008.723 e-mails ativos

Marina Silva (PV) conseguiu enviar sua mensagem no ano passado para 12,5 milhões de pessoas por meio da web. Ela ficou em 3º lugar na disputa e teve 19,6 milhões de votos.

Os dados estão em um artigo de Caio Túlio Costa sobre o desempenho da candidata presidencial do Partido Verde. Saiu na revista “Interesse Nacional”. Pode ser baixado em versão pdf aqui. Caio Túlio é jornalista, foi um dos pioneiros da internet no Brasil e coordenou a campanha digital de Marina em 2010.

Não há como saber quantos dos 19,6 milhões de votos de Marina tiveram conexão com os 12,5 milhões de internautas que receberam a mensagem da campanha de alguma forma. O número é citado na página 2 do artigo. Na página 12, Caio Túlio menciona que durante a campanha calculou-se que “as chances teóricas indicavam a possibilidade de levar a mensagem, direta ou indiretamente, a 14,9 milhões de pessoas. Nesta conta, não foram levadas em consideração as comunidades não oficiais”.

Esse cálculo de quantos cidadãos foram atingidos pela mensagem de Marina na web levou em consideração cruzamentos da audiência de todos os meios on line usados pelos marinistas _redes sociais, blogs, e-mails etc.

Embora Caio Túlio enfatize no início de sua análise esse número total de internautas que foram atingidos diretamente pela mensagem de Marina, há outra cifra relevante no final da página 12 (o artigo tem 23 páginas). Trata-se da “herança” política de Marina no mundo virtual, o banco de dados que restou com os nomes e endereços de cerca de 1 milhão de militantes que voluntariamente se alistaram para continuar em contato mesmo depois da campanha de 2010. Essa é a grande jóia que um político pode ter: cidadãos que se alistam de forma espontânea por acreditarem na causa.

“[É] um banco de dados que soma exatos 1.008.723 endereços distintos e diretamente alcançáveis de pessoas dispostas a repercutir de alguma forma a mensagem de Marina Silva, a qualquer momento, seja via e-mail ou por meio de endereço de alguma das redes sociais”, escreve Caio Túlio Costa.

Nos EUA, embora o uso de redes sociais tenha se disseminado e o e-mail seja hoje considerado uma forma de comunicação de velhos (ou de uma massa populacional não tão inserida na vida digital), a ferramenta de mensagens eletrônicas continua poderosíssima.

Por exemplo, um candidato presidencial pode descobrir em pesquisas que não vai bem no eleitorado feminino de 30 a 50 anos na região Sudeste. Se tiver uma base de e-mails consistente, esse político pode preparar uma mensagem direcionada aos eleitores desse estrato social –e pedir que ajudem na campanha. Barack Obama usou e abusou dessa técnica em 2008 nos EUA.

Diante dessas possibilidades em futuras campanhas, o número de e-mails obtido por Marina Silva pode ser considerado, ao mesmo tempo, modesto e relevante.

É modesto porque 1.008.723 de pessoas num universo de mais de 135 milhões de eleitores (o que tem o Brasil) é muito pouco.

Por outro lado, é um ponto de partida enorme na comparação com outros políticos e partidos brasileiros. Não existe política de manutenção de bancos de dados de e-mails sofisticados em nenhum dos 27 partidos brasileiros. Nem no PV, de Marina Silva.

Tome-se o caso do PT e de Dilma Rousseff, cujo potencial seria para ter milhões de e-mails cadastrados, com nome, endereço, sexo, idade, local de moradia e até dados sobre interesses pessoais de cada militante. Lula foi o presidente mais popular da história recente do país. Se ele tivesse pedido e atuado de maneira ativa nessa área, quantos seguidores não teria obtido para o PT?

Os petistas no início da campanha de 2010 começaram a coletar as bases de e-mails das seções regionais da legenda. Concluíram que tinham perto de 12 milhões de endereços eletrônicos cadastrados. Uma enormidade. Barack Obama teve 13 milhões de e-mails “quentes” em 2008.

Só que quando o PT começou a verificar os dados, percebeu alto grau de inconsistência. Quase tudo era lixo. A campanha de Dilma demorou seis meses para ter 200 mil endereços “quentes”. Terminada a eleição, a petista contava com cerca de 1 milhão de e-mails –um número semelhante ao de Marina Silva, cujo partido e os recursos foram infinitamente mais modestos. Mais precisamente, conforme o Blog apurou, Dilma tem hoje 1.163.625 endereços eletrônicos cadastrados (que são raramente usados; portanto, trata-se de uma base sem manutenção e que rapidamente vai se deteriorar, virar lixo).

O texto preparado por Caio Túlio Costa é uma grande contribuição para quem deseja entender um pouco de como se deu o processo de campanha eleitoral via web no Brasil em 2010. Seria muito útil se o PT e o PSDB oferecessem também suas análises detalhadas sobre as campanhas de Dilma Rousseff e de José Serra, respectivamente.

No caso de Dilma, há um relatório epidérmico e marqueteiro preparado pela Blue State Digital, a empresa norte-americana que prestou serviços ao PT em 2010. Para acessar esse trabalho, clique aqui.

Eis 3 dados que a Blue State Digital cita sobre Dilma e uma comparação com Marina:

E-mails cadastrados:

Dilma: “em menos de 6 meses, mais de 200 mil pessoas se cadastraram”, diz a BSDigital. Hoje, apurou o blog, são 1.163.625 e-mails cadastrados.

Marina: 1.008.723 de cadastros

Twitter (14.abr.2011):

Dilma: 536,9 mil seguidores
Marina: 429,1 mil seguidores

Financiamento de campanha via web:

Dilma: 2.032 doações e R$ 180 mil arrecadados (o valor exato não está disponível; a cifra se refere ao total arrecadado, para os 2 turnos)

Marina: 3.095 doações e R$ 170.527,75 arrecadados (o valor se refere ao que entrou até o 1º turno)

Arrecadação de campanha

Esse é um aspecto que indica um dos maiores fracassos da campanha eleitoral digital no Brasil.

Como se observa nos dados acima, os números de Dilma e Marina não são modestos. São medíocres e quase desprezíveis. José Serra (PSDB) simplesmente desistiu de arrecadar via web.

Diversos estudos a respeito do tema nos EUA indicam que o doador individual torna-se um militante ainda mais qualificado do que aquele interessado apenas em se cadastrar voluntariamente para receber e-mails. O doador via web passa a ser também um torcedor do candidato. Afinal, investiu dinheiro no projeto. Mesmo que a quantia seja de R$ 10, R$ 20 ou R$ 50, aquele cidadão não vai se esquecer.

Há também o benefício posterior para a sociedade. Um doador de campanha vira um cobrador de responsabilidade do político eleito. A abulia histórica do eleitor depois do processo eleitoral é conhecida. Mas é sempre mais provável que alguém que tenha doado R$ 50 passe a cobrar ações de um prefeito, deputado, governador ou presidente. Enfim, arrecadar dinheiro via web ajuda a sofisticar a cidadania e a democracia no país.

Há razões muito claras e objetivas para o fracasso da arrecadação de dinheiro por meio da web no Brasil.

A mais evidente (e sempre usada pelos políticos) é que o calendário eleitoral no Brasil os proíbe de arrecadar antes de a campanha ter sido oficializada, no mês de julho do ano eleitoral. Como a eleição é sempre no primeiro domingo de outubro, são menos de 3 meses para convencer eleitores a doar. Um tempo exíguo.

Tudo isso é verdade. Mas também é um sofisma.

Para começar, quem faz a lei são os políticos. Eles decidiram que o calendário brasileiro seria dessa forma, engessado. É algo até surrealista. Por exemplo, a campanha tem dia marcado para começar. OK. Mas ninguém pode arrecadar antes. Então, como pode a campanha começar se ainda não arrecadou recursos? É um despautério que todos sabemos como é resolvido na prática –muito políticos arrecadam por debaixo do pano para terem fundos disponíveis no dia em que começam oficialmente a fazer campanha.

Aliás, esse era um aspecto a ser alterado na atual safra de reforma política. Mas, por óbvio, ninguém toca nesse assunto para valer. Estão todos felizes com os arranjos conhecidos.

Apesar da limitação da lei eleitoral, o fato é que no Brasil nada impede partidos políticos de arrecadar dinheiro a qualquer tempo e época, nos 365 dias do ano. Qualquer agremiação pode fazer campanhas constantes para que seus militantes reais (eles existem?) contribuam voluntariamente, via web. Não há notícia de alguma legenda que faça isso no momento.

Marina Silva, Dilma Rousseff, José Serra, enfim, qualquer político, poderia aparecer nas propagandas de seus partidos na TV pedindo dinheiro para as suas legendas. Isso é muito comum nas campanhas dos EUA. Mas qual político no Brasil teria coragem de ir assim tão longe?

Por UOL/Fernando Rodrigues

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Publicado por em 20/04/2011 em Uncategorized

 

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Pesquisa avalia cobertura jornalística dos jornais impressos sobre eleições 2010

Levantamento sobre a cobertura da campanha eleitoral feita pela mídia impressa revela que a Folha foi, dos grandes jornais brasileiros, o mais crítico em relação aos dois principais candidatos à Presidência da República.

A pesquisa, realizada pelo Doxa (Laboratório de Pesquisas em Comunicação Política e Opinião Pública), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, abrange as edições da Folha, de “O Globo” e de “O Estado de S. Paulo” de 1º de setembro de 2009 até 31 de outubro de 2010, totalizando 57.168 matérias, entre reportagens, notas, editoriais e artigos de colunistas e convidados.

Levando em conta todos os textos publicados no período com menções positivas e negativas a Dilma Rousseff (PT) e a José Serra (PSDB), de acordo com os critérios dos pesquisadores, a petista teve um empate na Folha, contra um saldo positivo de 0,54% em “O Estado” e de 5% em “O Globo”; já o tucano teve um saldo de menções negativas na Folha de 2,8%, contra 11,5% de saldo positivo no “Globo” e 14,75% de saldo positivo no “Estado”.

Em relação ao governo Lula, a Folha ocupou uma posição intermediária entre os dois concorrentes, com um saldo de 3%: “O Globo” apresentou a cobertura mais positiva à gestão do atual presidente (6%), e “O Estado”, a mais negativa (-1% de saldo).

LEVANTAMENTO

Coordenado pelo cientista político Marcus Figueiredo, o levantamento do Doxa atribui valores positivos, negativos, neutros ou equilibrados a cada matéria publicada.
Os textos positivos são aqueles que reproduzem declarações do candidato ou de outras pessoas que o favorecem _incluindo nessa conta bons resultados nas pesquisas. As reportagens negativas trazem ressalvas, críticas e ataques ao candidato, ou pesquisas desfavoráveis.

Os textos neutros são descrições que não fazem avaliações de ordem moral, política ou pessoal do mesmo. Já as matérias equilibradas são aquelas que ressaltam o contraditório: contêm, ao mesmo tempo, menções positivas e negativas aos políticos.

Segundo Marcus Figueiredo, “o comportamento da mídia impressa foi como esperávamos. Os jornais foram críticos, especialmente em seus espaços nobres como a primeira página, suas colunas e editoriais. No cômputo geral, ‘O Globo’ e ‘O Estado’ foram mais pró-Serra, inclusive em suas reportagens”.

Os gráficos publicados ao lado mostram a evolução da cobertura eleitoral nos três jornais. A despeito das diferenças entre os três veículos, é possível constatar que as tendências gerais são muito semelhantes, pois acompanham o noticiário.

Por exemplo, a crise na escolha do candidato a vice de Serra multiplicou as menções negativas ao tucano; o mesmo ocorreu com a campanha de Dilma em setembro, com o escândalo que derrubou a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

O LABORATÓRIO

Criado em 1996 com o objetivo de investigar os processos eleitorais e de formação da opinião política, o Doxa analisa as coberturas da imprensa desde 2000.
Nesta eleição o Doxa deixou de acompanhar o “Jornal do Brasil”, que no início da campanha encerrou suas atividades impressas.
Em seu lugar passou a ser objeto de acompanhamento o jornal “Valor Econômico”, mas cujos resultados estão sendo analisados. Os resultados completos da pesquisa do laboratório devem ser apresentados em breve.

Devido a crise aguda do Iuperj, o Doxa deixou de apresentar os resultados durante a campanha, como sempre fez. Superada a crise, com a integração de toda a equipe do Iuperj pelo Iesp (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o Doxa passa a apresentar seus resultados iniciais.

 
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Publicado por em 03/12/2010 em Uncategorized

 

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Campanhas para o legislativo custaram R$ 2,2 bilhões

em 2010, 16,5 mil candidatos disputaram 1,6 mil vagas para senadores ou deputados

Estados com menos eleitores têm o voto mais caro

Candidatos que disputaram as eleições legislativas de 2010 declararam à Justiça Eleitoral gastos de campanha que somam R$ 2,186 bilhões. A informação foi divulgada hoje (29.nov.2010) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O valor é a soma das despesas declaradas dos 16,535 mil candidatos que disputaram 1,626 mil vagas de senador, deputado federal, estadual e distrital.

Campanhas mais caras
Para o Senado, Minas teve a campanha mais cara: os 12 candidatos que disputaram suas 2 vagas gastaram R$ 34,8 milhões. No entanto, quando considerado o valor gasto por eleitor, quem está na frente é Roraima – o menor colégio eleitoral do país, como destacado no post abaixo. Ali, cada candidato a senador investiu, em média, R$ 13,57 por eleitor.

Para deputado federal, verifica-se a mesma lógica. Estados com mais candidatos e mais eleitores somam maior gasto de campanha: São Paulo (1.007 candidatos, 30,3 milhões de eleitores, gasto total de R$ 209,7 milhões) e Minas (489 candidatos, 14,5 milhões de eleitores e gasto de R$ R$ 121,7 milhões). Mas, novamente, o voto de cada eleitor é mais caro em Roraima, o Estado com o menor n° de eleitores (271,8 mil) e um dos que teve menos candidatos (57).

Além disso, Roraima está entre os Estados com menos vagas na Câmara dos Deputados (8, o mínimo).

Por fim, dados sobre gastos das campanha legislativas estaduais confirmam a tendência apontada no Senado e na Câmara. Candidatos de São Paulo e Minas também foram os que mais gastaram (R$ 170 milhões e R$ 106 milhões, respectivamente). Os do Amapá aparecem em último lugar no ranking das despesas (R$ 4,6 milhões), mas investiram R$ 11 por eleitor (mais que os R$ 5,6 de São Paulo e os R$ 7,33 de Minas). Mais uma vez, Roraima tem o voto mais caro: R$ 32,27 por eleitor.
Segundo a assessoria de imprensa do TSE, o levantamento divulgado hoje tem formato inédito e seu departamento de estatísticas está “analisando a viabilidade de montar uma tabela com os dados de 2006”. Com essas informações será possível fazer comparações com a eleição anterior.

Por UOL/Fernando Rodrigues

 
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Publicado por em 01/12/2010 em Uncategorized

 

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Ranking dos governadores e sua relação com a urna por

Há uma relação direta entre a popularidade de um governante e a chance de ele ser reeleito, ou de ao menos influir na sua sucessão. A questão é onde passa a linha que separa vencedores e vencidos. O ranking de governadores do Ibope dá pistas.
Esta é a primeira classificação, com todas as 27 unidades da Federação, divulgada após a eleição.
Comparando as pesquisas com o resultado das urnas, surgem duas perguntas. Qual patamar de aprovação garante sucesso eleitoral? Ou, ao contrário, qual nível de desaprovação leva o governante inevitavelmente ao fracasso?
O ranking dos governadores tem base nas pesquisas de avaliação realizadas pelo Ibope entre setembro e outubro. Embora as datas não sejam idênticas, são próximas o suficiente para permitir a comparação.
A régua é o “saldo” da avaliação: taxas de “ótimo” e “bom” subtraídas das de “ruim” e “péssimo”. O “regular” não entra na conta. Maior o saldo, melhor a posição do governador no ranking. O desempate é pelo porcentual de “ótimo” + “bom”, isto é, de aprovação.
Governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) tem 60% de ótimo/bom e 10% de ruim/péssimo. Seu saldo é de 50 pontos, o mesmo do governador do Acre, Binho Marques (PT). Mas Cid ficou na frente, em 6º lugar, porque mais eleitores aprovam seu governo (60% a 57% do petista).

A correlação entre boa avaliação e desempenho eleitoral fica evidente no quadro. Dos 16 governadores que obtiveram saldo superior a 30 pontos, nada menos do que 14 foram reeleitos ou elegeram seus sucessores.
Dos dois restantes, o tucano João Cahula perdeu no segundo turno em Rondônia, e Orlando Pessuti (PMDB) desistiu de concorrer e praticamente não influiu na eleição paranaense. Ele era vice de Roberto Requião, que elegeu-se senador.
Os três primeiros colocados no ranking de governadores foram também os que alcançaram as maiores vitórias proporcionais nas eleições estaduais -diretamente ou por um herdeiro político.
O mais bem avaliado, Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, é quem mais se aproxima, em popularidade, de Luiz Inácio Lula da Silva. Tem 76% de aprovação (25% de “ótimo” + 51% de “bom”) e saldo de 73 pontos.
O presidente tem 80% de aprovação (34% “ótimo” + 46% “bom”) e saldo de 76 pontos. Ambos não puderam disputar a segunda reeleição seguida e preferiram ficar em seus cargos até o final do mandato.
Lula elegeu Dilma Rousseff (PT), no segundo turno, com 56% dos votos válidos. Hartung elegeu Renato Casagrande (PSB), no primeiro turno, com 82% dos válidos. Ao contrário de Dilma, Casagrande tem histórico eleitoral, e vitorioso.
Segundo colocado no ranking, Eduardo Campos (PSB) teve 72% de aprovação, 69 pontos de saldo e acabou reeleito com 83% dos votos válidos em Pernambuco.
Em terceiro ficou Omar Aziz (PMN). Ele era vice de Eduardo Braga (PSB), assumiu o governo quando este renunciou para disputar o Senado, e acabou sendo eleito com 68% dos votos válidos, mesmo porcentual de aprovação do seu governo.
Na parte de baixo da tabela, onde estão os governadores mais mal avaliados, ninguém se reelegeu ou conseguiu fazer seu sucessor. Dos cinco que tiveram saldo inferior a 10 pontos, três perderam a eleição e dois ficaram à margem do processo.
Restam, portanto, 6 governadores que alcançaram saldo entre 13 e 26 pontos. Quatro deles tentaram a reeleição, mas apenas um teve sucesso: José de Anchieta (PSDB), em Roraima. Os outros três acabaram em segundo lugar nas urnas.
Antes de tirar conclusões, convém lembrar que a política é dinâmica: o cenário muda, e sempre é determinante no desempenho dos protagonistas nas eleições.
Com a economia e o consumo crescendo, o grau de satisfação do eleitorado estava mais alto este ano do que em pleitos anteriores. É como se o patamar mínimo de aprovação tivesse sido elevado para todos os candidatos ao Executivo.
Assim, a linha de 2010 pode não valer para 2014. Ressalva feita, percebe-se que:
1) Se o governante tiver saldo negativo, melhor não disputar a reeleição. Se apoiar um candidato, corre o risco de atrapalhar mais do que ajudar.
2) Se o saldo for positivo, mas inferior a 20 pontos, ele tem mais chances de perder do que de ganhar a eleição.
3) Não existe garantia de vitória, mas um saldo igual ou superior a 45 pontos está bem perto disso. Se perder, terá o consolo de ser um pioneiro.
4) Saldo entre 25 e 45 pontos torna o governante favorito ou o principal eleitor de sua própria sucessão -embora uma zebra ocorra a cada seis pleitos.
5) A taxa de “ótimo” é melhor indicador do que a de “bom”, mas o saldo é ainda mais importante do que a simples soma de ambas.
6) Vice-governadores que herdam governos populares só mantêm o sucesso dos titulares quando são expostos a intensiva propaganda eletrônica ao lado de seus padrinhos.
7) Existe transfusão eleitoral de um governante para seu candidato à própria sucessão. Não existe transferência de votos entre cargos diferentes. Lula elegeu Dilma. Governadores seus aliados se reelegeram, ou a seus sucessores, por mérito próprio.

Por OESP/ Jose Roberto Toledo

 
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Publicado por em 16/11/2010 em Uncategorized

 

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Pesquisa não elege ninguém.

No máximo, ajuda ou atrapalha candidatos a levantar dinheiro, anima ou deprime seus cabos-eleitorais. Porém, gasta-se mais tempo discutindo o sexo das pesquisas do que analisando-se os erros induzidos pelo sistema de votação no Brasil.

A adoção do voto eletrônico aumentou drasticamente o acerto formal do eleitor nos últimos 12 anos. A urna informatizada ajudou milhões de brasileiros a concretizarem a intenção de sufragar seus candidatos, de todos os partidos.


(clique na imagem para ampliar)
O gráfico ilustra o momento em que os votos válidos para todos os cargos eletivos convergiram para valores muito próximos. Foi na eleição de 1998, quando a Justiça eleitoral implantou a urna eletrônica na grande maioria dos municípios brasileiros.
Até então, a dificuldade de escrever impedia grande parte do eleitorado de transformar seu desejo em marca legível na cédula. Isso ficava evidente nas eleições de deputado estadual e federal. À época, confundia-se problemas no manejo do lápis com voto de protesto.
Trocada a grafia pela digitação, instantaneamente despencaram as taxas de brancos e nulos, multiplicando os porcentuais de votos válidos para Câmara e Assembléia.
Em 2002, universalizou-se o voto eletrônico. Aumentaram os votos válidos para presidente, mas, surpreendentemente, eles ficaram aquém dos dados a deputados estaduais e federais. Não era mais motivo de comemoração, mas sinal de que havia algo errado.
É um sintoma de outro tipo de engano do eleitor, até hoje tratado com indiferença pela Justiça eleitoral e propositalmente ignorado pelo Congresso: o erro na sequência de votação.
Bombardeado por centenas de horas de propaganda na TV e no rádio, dezenas de manchetes de jornal, milhares de mensagens via internet, todas sobre eleição presidencial, o eleitor chega à urna e a primeira coisa que lhe pedem é votar para… deputado estadual.
A cena repetiu-se milhões de vezes. O eleitor sai da cabine e o mesário avisa que ele ainda não terminou. Ele diz que sim. O mesário explica: são seis votos, precisa digitar todos. Envergonhado diante da fila, o eleitor se livra dos votos restantes cada vez mais apressado. O último é para presidente.
Sabe-se que o erro na ordem de votação chegou aos sete dígitos no primeiro turno de 2010 por vários indícios. Todos apontam na mesma direção:
• Em comparação ao primeiro turno, houve menos 2,5 milhões de votos brancos e nulos no segundo turno presidencial. A queda entre turnos se repete desde 2002.
• Segundo o Ibope, 15% do eleitorado de Marina Silva e 33% do de Plínio Sampaio anularam ou votaram em branco no segundo turno.
• O número de votos brancos e nulos deveria ter crescido 45% com o acréscimo dos ex-eleitores do PV e do PSOL, que ficaram sem candidato. Mas caiu para 7 milhões.
• A votação de José Serra cresceu 10,6 milhões de um turno para outro. Disso, segundo o Ibope, 9,8 milhões vieram de Marina e 200 mil de Plínio. Faltam 600 mil votos.
• A votação de Dilma Rousseff cresceu 8,1 milhões. Desses, 6,5 milhões vieram de Marina e 200 mil de Plínio. Faltam 1,4 milhão de votos.
• Ao menos 2 milhões de eleitores que anularam ou votaram em branco no primeiro turno votaram em Dilma ou em Serra no segundo. Por que? Muito provavelmente porque se confundiram com a ordem esdrúxula de votação em 3 de outubro, mas não no turno final, quando votaram apenas uma ou duas vezes.
• Como a abstenção aumentou no segundo turno, eleitores que deixaram de votar podem também ter errado em 3 de outubro. Logo, mais de 2 milhões podem ter se enganado no primeiro turno na ordem de votos.
• Na única eleição “solteira” para presidente (1989), 94% dos votos foram válidos, recorde até hoje.
Há duas saídas: 1) inverter a ordem de votação e priorizar a de presidente; 2) “descasar” as eleições de presidente, senador e deputado federal das de governador e deputado estadual. Ambas as soluções dependem dos inventores da atual ordem de votação e do casamento das eleições.
Lembrete: não fosse a pesquisa do Ibope, seria quase impossível estimar os erros provocados pela ordem de votação.

Por OESP/Jose Roberto Toledo

 
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Publicado por em 10/11/2010 em Uncategorized

 

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Da fragmentação à bipolarização

Um cientista político americano me confessou sua surpresa quando soube que 22 partidos elegeram deputados federais nas eleições brasileiras de 2010. A surpresa foi ainda maior quando soube que o PT, partido com mais cadeiras, elegeu apenas 88 deputados (17 %). Existem países com alta dispersão partidária, como Bélgica e Israel. Mas a Câmara dos Deputados brasileira é, atualmente, a mais fragmentada do mundo democrático.

Meu interlocutor não revelou, mas um fato torna ainda mais difícil de entender o sistema partidário no País: por que, com 27 partidos registrados há cinco eleições presidenciais, apenas 2 deles, o PT e o PSDB, disputam efetivamente a Presidência? Ou dito de outra maneira: por que temos o Legislativo mais disperso do planeta, e uma disputa presidencial tão concentrada?

As eleições de 2010 acentuaram uma tendência, que começou em meados da década de 1990, de bipolarização do sistema partidário brasileiro. Em um dos polos estão o PT e seus partidos satélites (PCdoB, PSB e PDT); de outro, o PSDB e os seus satélites (DEM e PPS). Esses dois polos organizam a vida administrativa e programática do País. Lembre-se que a regra de verticalização deixou de vigorar neste ano. Apesar disso, nos principais Estados a bipolarização nacional se reproduziu como nunca.

E os outros partidos? PMDB, PTB, PR e PP fazem parte do que chamarei, na falta de nome melhor, de centro-pragmático. São partidos com baixa intensidade ideológica, que participaram dos governos dos dois polos. Além disso, são partidos que se orientam fortemente para a vida política estadual.

Para muitos analistas, o PMDB saiu como o principal partido desta eleição, pois obteve a maior bancada no Senado, a segunda na Câmara dos Deputados e ainda elegeu, pela primeira vez pelo voto direto (Sarney também pertence ao partido), o vice-presidente.

É inegável a força do PMDB, mas existem alguns sinais de que o partido vem perdendo vitalidade no sistema partidário brasileiro. O PMDB elegeu apenas cinco governadores, um único em um dos grandes Estados da Federação (Rio de Janeiro). Em São Paulo, domicílio eleitoral do vice-presidente, o partido elegeu apenas um deputado federal.

Diversas lideranças históricas do partido ou foram derrotadas ou estão saindo da vida política: José Fogaça (RS), Iris Resende (GO), Geddel Vieira Lima (BA), Hélio Costa (MG) e Orestes Quércia (SP). O partido vive uma clara dificuldade de renovação. Quem são suas lideranças emergentes? Consigo pensar em apenas um nome: o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

PSB. A composição da bancada dos partidos no Congresso apresentou algumas pequenas alterações em 2010. Gostaria de destacar três delas. A primeira é o crescimento do PSB. O partido é a única legenda que vem crescendo sistematicamente no País, notadamente no Nordeste, onde elegeu cinco dos nove governadores. O PSB deslocou o PMDB como principal força do campo progressista na região.

A segunda alteração digna de nota é o desempenho dos Democratas. O antigo PFL disputou a primeira eleição nacional (já havia disputado as municipais de 2008) com o novo nome, mas não conseguiu deter seu declínio eleitoral, que vem acontecendo desde 2002. O partido tem encolhido paulatinamente, particularmente no Nordeste e nos Estados do Sudeste.

Por fim, vale destacar o PV. O partido não conseguiu traduzir em representação no Legislativo o bom desempenho de sua candidata presidencial. A novidade, aqui, refere-se menos ao desempenho eleitoral e mais ao potencial de crescimento. O PV sempre foi nacionalmente um partido pragmático. A candidata Marina já deu sinais de que pretende dar um caráter mais programático ao PV, que o aproximaria da agenda ambientalista europeia.

Para analisar a configuração do sistema partidário brasileiro é fundamental entender que a fragmentação numérica não se traduz em fragmentação doutrinária. A polarização entre o PT e o PSDB, entre o governo e a oposição no plano federal é o que tem organizado a política brasileira. São dois grandes guarda-chuvas, com espaço para abrigar aqueles que, circunstancialmente, querem ser acolhidos.

Pensando nas transformações recentes do sistema partidário brasileiro lembrei-me do sistema de partidos da Itália desta década: alta fragmentação, mas com um alinhamento em dois grandes polos (esquerda e direita). Eleições presidenciais americanas, com uma bipolarização congressual italiana: uma combinação interessante.
Por OESP/Jairo Nicolau

 
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Publicado por em 04/11/2010 em Uncategorized

 

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Continuidade do consumo é motor da eleição de Dilma

A eleição de Dilma Rousseff (PT) expressa o desejo do eleitor pela continuidade do atual governo. Com economia e consumo em alta, a maioria dos eleitores votou para não mudar. É também uma vitória rara na política brasileira: a de um projeto, e não a de uma pessoa física.
A nova presidente, ao contrário de seu antecessor, não é uma líder carismática com canal direto de comunicação com o eleitorado. Apontada pessoalmente por Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo, foi eleita exclusivamente pela transfusão de votos do atual presidente.
O PT entrou de carona no processo. Embora tenha sido importante para consolidar suas chances eleitorais no início da campanha, o partido não participou do processo decisório sobre a candidatura de Dilma. Foi uma decisão solitária do presidente.
As pesquisas Ibope mostram que Lula conseguiu transformar 4 em cada 5 fãs de seu governo em eleitores de Dilma. São aqueles que avaliam a atual administração como “ótima”. Além disso, o presidente conseguiu transferir para sua candidata metade dos que acham seu governo “bom”.
O cruzamento das pesquisas de véspera e dos resultados da urna indica que cerca de um terço desses votos veio de beneficiados pelos programas assistenciais do governo federal, principalmente o Bolsa Família. Mas a maior parte de quem votou em Dilma não recebe nenhum tipo de bolsa ou auxílio.
Esses eleitores optaram por Dilma porque a economia, de modo geral, vai bem. É a expansão da renda, do emprego e, especialmente, do crédito que alavancou eleitoralmente a candidatura da petista em Estados onde o Bolsa Família importa menos, como no Rio de Janeiro.
Isso foi fundamental também para evitar que José Serra (PSDB) abrisse uma vantagem muito grande em São Paulo e no Sul do país. O tucano conseguiu 2 milhões de votos a mais do que a rival no maior colégio eleitoral do país, que ele governou até abril. Em compensação, Dilma abriu 10 milhões de votos no Nordeste, por exemplo.
O desejo de continuidade que elegeu Dilma foi responsável também pela eleição da maioria dos governadores, de oposição e da situação, que tentaram voltar ao cargo. Da mesma maneira, a taxa de reeleição dos deputados federais foi muito alta: 70%.
No final, o consumo e economia pesaram mais do que as questões morais e religiosas. Para ter governabildidade, Dilma precisará ser capaz de manter o bolso dos eleitores como estão: cheios.

Por OESP/José Roberto Toledo

 
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Publicado por em 01/11/2010 em Uncategorized

 

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